O grupo Chint, de capital chinês, iniciou o processo de avaliação ambiental de três projetos solares e híbridos com bateria que totalizam 1.300 MW (megawatts) de potência instalada. Estas centrais são apresentadas dentro do conceito do “Cluster Alqueva-Portel” que procura promover “uma solução tecnicamente robusta e ambientalmente mais eficiente quando comparada com abordagens de desenvolvimento não integradas”.
A explicação consta da proposta de definição de âmbito para o estudo de impacte ambiental destes projetos que entrou em consulta pública. Esta é a fase inicial do processo de avaliação ambiental destas centrais cuja localização envolve dois concelhos no distrito de Beja — Portel e Vidigueira. Em causa estão projetos híbridos — que combinam solar e armazenamento em baterias — e uma central fotovoltaica com energia eólica. A maior componente de potência estará concentrada no solar e nas baterias.
Este lote de projetos corresponde a uma parte de toda a capacidade de ligação à rede de transporte contratada pela Chint com a gestora da rede elétrica. Na lista mais recente de projetos que conseguiu um acordo com a REN, a Chint tem 2.520 MW contratados, divididos por oito projetos, todos no Baixo Alentejo. Esta potência corresponde a mais de 20% da capacidade abrangida pela mais recente lista de contratos com a REN divulgada este ano.
A Chint Solar é uma empresa de capitais chineses que está presente na Europa desde 2016 com projetos solares em oito países. Em Portugal, a empresa está a operar centrais fotovoltaicas em Albergaria-a-Velha e Pias.
O lote que agora inicia a aprovação ambiental está em desenvolvimento desde 2019, não sendo conhecido para já o valor do investimento. Caso seja aceite a proposta de definição de âmbito, o promotor apresentará o estudo de impacte ambiental.
Duas das centrais solares integradas no “Cluster Alqueva” totalizam mais de 1.000 megawatts (MW) de potência — São Gião com 563 MW e a Tapada Branca com 580,5 MW. A Central de Monte Santos terá 111 MW.
O armazenamento de baterias está distribuído pelas três centrais solares. No total, está prevista a instalação de quase dois milhões de módulos fotovoltaicos, sobretudo nas centrais de São Gião e Tapada Branca. O projeto envolve também 358 unidades de armazenamento com uma potência instalada de 895 megawatts, o que permite uma capacidade de armazenamento de 1.790 megawatts. E inclui dois parques eólicos para os quais estão planeados 7 aerogeradores com uma capacidade global de 50 MW.
Associada às unidades de produção está a instalação de três linhas de muito alta tensão para ligação à rede elétrica com extensões que variam entre os 7,4 quilómetros e os 8,9 quilómetros.
A proposta de definição de âmbito não indica a dimensão da área afetada, mas prevê que os terrenos onde serão implantadas as centrais sejam vedados com uma proteção de dois metros de altura revestida de rede metálica. Segundo a descrição, as vedações terão 12 quilómetros, 27,7 quilómetros e cerca de 30 quilómetros.
A área de estudo situa-se na região hidrográfica do Guadiana, não se sobrepondo a nenhuma zona incluída no sistema nacional de áreas classificadas, mas, na sua envolvente, existem espaços classificados como críticos ou muito críticos para aves de rapina e outras aves sensíveis.
A nível de vegetação, foram identificadas matas mediterrânicas e montados de azinho e sobro que coexistem com explorações agrícolas. Nesta fase ainda não são avançadas previsões sobre o número de árvores a abater, em particular de espécies protegidas que exigem a autorização do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas. Mas a informação preliminar admite uma potencial afetação de árvores protegidas, consequência que se tentará minimizar com o layout do parque. Também está planeado um plano de recuperação das áreas intervencionadas para mitigar impactos que envolverá um plano de compensação da desflorestação.
Os solos são descritos como tendo reduzida aptidão agrícola e baixa capacidade de uso. Apesar das características rurais do território em causa, o documento indica a existência de uma crescente intervenção humana com áreas de artificialização.