O nome de Trump já não estará lá, mas ainda ninguém conseguiu ver a nova fachada do Kennedy Center, em Washington DC, sem as letras que compõem o nome do Presidente dos EUA. Três dias depois do início dos trabalhos de retirada do nome de Trump, decidida por um tribunal, a fachada do edifício continua coberta por uma lona, algo que está a ser interpretado como uma mensagem política.
Após a retirada do nome de Trump do site oficial deste centro cultural no dia 8, o passo seguinte foi a remoção do nome do Presidente dos Estados Unidos da fachada do edifício. ISso terá acontecido na madrugada deste sábado, quando uma equipa de 14 trabalhadores retirou as letras “The Donald J. Trump and” do centro dedicado ao ex-Presidente dos EUA John F. Kennedy.
Quando terminaram o trabalho, porém, os homens desceram sem remover o andaime e as faixas largas que cobriam a obra. Mais de 72 horas depois, está tudo na mesma: ainda ninguém viu a nova fachada.
“Os andaimes e a lona irão permanecer no local enquanto as equipas realizam os trabalhos de manutenção nos painéis”, afirmou um porta-voz do Kennedy Center à CNN, na segunda-feira.
A falta de provas de que a obra ficou efetivamente concluída tem provocado descontentamento entre turistas e residentes que, em vão, se deslocam ao centro cultural para ver a “nova” fachada, segundo o The Washington Post. Residente de longa data em Washington, Laura Bligh, de 66 anos, passou uma semana e meia à porta do Kennedy Center, na expectativa de ver com os próprios olhos o nome de Trump retirado. “Ver para crer”, disse, ao jornal.
Suzanne Spiekerman, outra norte-americana ouvida pela reportagem do The Washington Post, também não teve sucesso. Expectante desde que a decisão judicial foi anunciada, a mulher de 67 anos contou ao jornal que se tem deslocado diariamente para ver o resultado final. “Todos os dias, desde sexta-feira, tenho vindo cá acima para verificar o andamento dos trabalhos e todos os dias tenho ficado desapontada”, declarou.
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Para alguns, o facto de a lona ainda não ter sido retirada tem um significado político: se o nome de Trump não pode ser visto, nenhum nome pode. Em declarações aos jornais norte-americanos, os residentes mais críticos consideram que é uma tentativa de Donald Trump de enfraquecer os símbolos da América e de desprezo ao tribunal e ao povo americanos.
Em dezembro, o conselho de administração do John F. Kennedy Center for the Performing Arts decidiu integrar o nome do Presidente Trump, passando o centro a ser conhecido por The Trump Kennedy Center. A mudança do nome foi um reconhecimento do papel de Donald Trump no restauro do edifício, que contribuiu com um financiamento federal de 257 milhões de dólares.
A decisão rapidamente levantou polémica e, em maio, Christopher R. Cooper, um juiz federal em Washington, ordenou a remoção do nome do atual Presidente da fachada do edifício. Num documento com 94 páginas, Cooper considerou que a legislação aprovada pelo Congresso para criar o centro estabelecia de forma inequívoca que a instituição foi concebida para homenagear o antigo Presidente John F. Kennedy.
“O Congresso deu o nome ao Centro Kennedy, e só o Congresso pode mudá-lo”, escreveu o juiz.