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Banco do Japão sobe a taxa de juro para o nível mais elevado em mais de 30 anos

Japão aumenta a taxa de juro de referência para 1%, um valor que não se via desde 1995. Banco central está mais preocupado com o impacto da guerra na inflação do que no crescimento.

Edgar Caetano
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O Banco do Japão elevou esta terça-feira as taxas de juro para o nível mais elevado em mais de 30 anos, dando mais um passo no processo de normalização da política monetária no país ao mesmo tempo que procura conter as pressões inflacionistas provocadas pelo choque energético associado à guerra com o Irão. A taxa de juro de referência sobe de 0,75% para 1%, o nível mais elevado desde 1995.

Esta foi a primeira subida das taxas de juro desde dezembro e alinha o banco central japonês com outras autoridades monetárias que têm adotado políticas mais restritivas para combater a inflação, incluindo o Banco Central Europeu. O vice-governador do Banco do Japão, Shinichi Uchida, considerou positivo o recente acordo de paz entre os EUA e o Irão, mas alertou para a persistência de riscos inflacionistas.

“Em comparação com a reunião anterior, o risco de uma deterioração acentuada da economia diminuiu. Por outro lado, as subidas de preços estão a alargar-se e existe o risco de a inflação subjacente se afastar da nossa meta”, afirmou o vice-governador, em substituição do governador (Kazuo Ueda) que não participou na conferência de imprensa por motivos de saúde.

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No comunicado que explica a decisão, a instituição justificou que o risco de um forte abrandamento económico associado ao conflito no Médio Oriente diminuiu graças aos progressos na obtenção de fontes alternativas de energia. Ao mesmo tempo, alertou para o facto de as empresas estarem a repercutir os custos mais elevados da energia a um ritmo relativamente rápido, o que poderá traduzir-se em aumentos de preços numa vasta gama de bens e serviços.

O banco central sublinhou, ainda, que as expectativas de inflação de médio e longo prazo continuam a aumentar, o que reforça o risco de a inflação superar o objetivo oficial de 2%.

A decisão foi aprovada por sete votos contra um. O único voto contra foi de Toichiro Asada, que considerou que os riscos para o crescimento económico decorrentes da crise no Médio Oriente continuam a ser superiores aos riscos inflacionistas.

O Banco do Japão anunciou, também, que irá suspender, a partir de abril do próximo ano, o programa de redução gradual das compras de obrigações e continuará a adquirir cerca de dois biliões de ienes por mês em dívida pública japonesa.