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Os petroleiros não deverão retomar a navegação normal no Estreito de Ormuz nas próximas semanas, pelo menos até estarem convencidos de que o acordo entre os EUA e o Irão terá efeitos concretos no terreno, alertou o responsável pela maior operadora mundial do setor.
Jotaro Tamura, presidente executivo da Mitsui O.S.K. Lines (MOL), diz em entrevista ao Financial Times que muitas empresas vão continuar a evitar a travessia do estreito, apesar do acordo que prevê a reabertura da via marítima.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que existe uma rota “segura e livre” através do estreito, praticamente encerrado desde finais de fevereiro. Embora o anúncio do acordo tenha contribuído para a descida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, Tamura acautela que o tráfego não regressará de imediato à normalidade.
“O que é necessário não é apenas um acordo entre os países envolvidos. É preciso que esse acordo tenha efeitos reais e visíveis no Estreito de Ormuz, para que as companhias marítimas se sintam seguras para voltar a utilizá-lo”, afirmou.
Tamura salientou que “tendo em conta a experiência dos últimos meses, é razoável assumir que serão necessárias pelo menos algumas semanas, ou até um mês, para recuperar a confiança”, acrescentou. O responsável reiterou, ainda, a sua oposição à proposta iraniana de cobrar taxas pela passagem no estreito, considerando que tal violaria os princípios internacionais de liberdade de navegação.
Antes da guerra, mais de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados mundialmente passava pelo Estreito de Ormuz, sendo também uma via importante para o transporte de certos fertilizantes agrícolas. A rota é, por outro lado, fundamental para o transporte de cereais e bens de consumo para os países do Golfo.

Várias empresas deste setor já vieram defender que a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla anglo-saxónica) coordene a saída dos cerca de 500 navios que continuam retidos no Golfo e precisam de atravessar o estreito. O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, afirmou que a organização está a avaliar condições para garantir uma navegação segura, evitando riscos como minas marítimas e congestionamentos que possam provocar acidentes.
Antes do conflito, cerca de 135 navios atravessavam diariamente o Estreito de Ormuz. Atualmente, esse número reduziu-se drasticamente, com algumas embarcações a tentarem sair do Golfo durante a noite e com os sistemas de localização desligados.