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(A) :: Bardella não quer o apoio do "errático" Trump nas eleições e diz que Putin é uma "ameaça" para França

Bardella não quer o apoio do "errático" Trump nas eleições e diz que Putin é uma "ameaça" para França

Presidente da RN não quer "interferência" do "instável" Trump nas presidenciais de 2027 — e critica Putin. Bardella não quer retirar França nem da UE, nem da NATO, mas critica organizações.

José Carlos Duarte
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O presidente da União Nacional (RN), Jordan Bardella, recusou o apoio do líder norte-americano à campanha do partido para as eleições presidenciais de 2027. O comportamento de Donald Trump “não é apenas errático, como também é extremamente instável e está sempre a mudar”, atacou o político de 30 anos, acrescentando: “Depende sempre do dia. Há uma atitude à segunda, uma à terça e outra à quarta-feira”.

Numa entrevista ao jornal Politico divulgada esta segunda-feira, Jordan Bardella rejeitou um possível apoio de Donald Trump à candidatura que lidera às eleições presidenciais de 2027. Apesar de os dois políticos pertencerem à família política da direita radical, o presidente da RN explicou que apenas deseja o “apoio do povo e dos eleitores franceses”: “Não precisamos de aceitar ou abrir qualquer porta para qualquer tipo de interferência”.

Jordan Bardella realçou que os “norte-americanos são aliados e deverão manter-se assim”, ressalvando, contudo, que já não são “aliados que vêm apoiar a Europa”, nem se mantêm os “protetores dos países europeus”. “O segundo mandato do Presidente Trump é significativamente diferente do primeiro”, destacou o presidente da RN, que disse que o líder da Casa Branca é “difícil de ler” e que agora se vê como o líder de um “império”.

“É ameaçador para a Europa no sentido em que gera impacto para países europeus… Há um medo de separação com os Estados Unidos da América”, frisou Jordan Bardella, que admitiu, ainda assim, que partilha semelhanças com Donald Trump no que toca à gestão da imigração. “Há muitas pessoas na Europa que estão extremamente infelizes em ver França enfraquecida, em ver França estagnada, em ver França submersa em imigração massiva que muda profundamente a sua identidade e valores.”

Em relação à NATO, Jordan Bardella assumiu que não deseja que França “saia do comando integrado” da NATO, tal como fez o general Charles de Gaulle em 1966. Pelo menos por agora, adiantou: “Não desejamos deixar o comando integrado no momento em que há uma guerra à porta da Europa. Ninguém muda os termos de um acordo em tempos de guerra”.

Questionado sobre a Rússia de Vladimir Putin — de quem Marine Le Pen foi próxima antes da invasão da Ucrânia —, Jordan Bardella classificou o país como uma “ameaça multidimensional” para os “interesses franceses e europeus”. Caso chegue à presidência de França, a prioridade será trabalhar para “restaurar a paz à porta da Europa”.

“Primeiro através de um cessar-fogo na Ucrânia, depois através de garantias de segurança que permitam à Ucrânia defender as suas fronteiras e a sua soberania”, sustentou Jordan Bardella, que sublinhou que também é importante manter uma “forma de unidade” europeia face às “ambições de Putin”, que “desafiam os interesses europeus e diretamente os franceses”. “Vimos diretamente em África com a propaganda antifrancesa [do grupo] Wagner e agressão direta.”

Na entrevista, Jordan Bardella assegurou ainda que a União Nacional não deseja retirar França da União Europeia. O objetivo é “mudar tudo sem destruir nada”, estipulou. “Durante muitos anos, temos testemunhado o regresso de tudo aquilo que a União Europeia tentou destruir: a nação, as fronteiras, a defesa dos interesses nacionais e as pessoas com capacidade de soberania total”. “A Europa deve mudar a forma como funciona”, apelou.

“Precisamos de uma nova arquitetura europeia. A maneira como os europeus e a União Europeia se movem hoje já não tem ligação a como o mundo se move. O que a União Europeia defende — globalização, mercados abertos poderosos, imigração descontrolada, declínio económico e regulação excessiva — está profundamente desatualizado. A União Europeia está completamente obsoleta na sua forma e não é capaz de resolver os grandes desafios que [França] enfrenta”, rematou.