A ministra do Ambiente e Energia espera que o anúncio do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, se traduza numa descida dos preços que permita ao Governo reduzir os apoios públicos que estavam a ser dados no gasóleo a vários setores.
Maria da Graça Carvalho acrescentou, num encontro com os jornalistas esta segunda-feira, que a redução dos apoios ao preço do gasóleo vai “libertar o Fundo Ambiental” para cumprir os seus principais objetivos que são financiar a descarbonização, ajudar no impacto das alterações climáticas e na eletrificação.
Em causa estava um custo financeiro da ordem dos 150 milhões de euros por mês, parte do qual era financiado pelo Fundo Ambiental. Este instrumento gerido pela Agência Portuguesa do Clima está também a financiar as intervenções de emergência na floresta e nas praias, na sequência dos danos causados pelas tempestades do início do ano.
“Estávamos a usar o Fundo Ambiental com alguma cautela porque não tínhamos a perspetiva de quando é que estes apoios ao diesel iam acabar”, afirmou. Na semana passada, a ministra do Ambiente praticamente descartou avançar com uma segunda fase de apoio à compra de carros elétricos, por causa da incerteza sobre a dimensão e duração dos apoios aos combustíveis. A primeira fase de 10 milhões de euros esgotou em poucas horas, mas ainda não é assumido que haverá uma segunda fase este ano.
https://observador.pt/2026/06/12/apoios-para-compra-de-carros-eletricos-por-particulares-esgotaram-em-poucas-horas-nao-devera-abrir-mais-nenhum-concurso-este-ano/
Os atuais apoios públicos aos setores mais expostos ao preço do gasóleo — transporte público, transporte de mercadorias, agricultura, bombeiros e instituições de solidariedade social — devem terminar no final deste mês. Estes apoios representam uma redução de 10 cêntimos por litro do preço final. Há ainda um subsídio de 25 euros por mês para a compra de botijas de gás por famílias economicamente mais frágeis.
O Governo irá avaliar a situação quando chegar esse prazo, mas a expetativa é que a partir da próxima semana se faça sentir uma descida sustentada no preço dos combustíveis. Esta semana, o gasóleo recuou 3 cêntimos, mas a gasolina ainda subiu.
Maria da Graça Carvalho sinalizou que os apoios iam durar enquanto for necessário, mas manifestou a expetativa de que possamos entrar na normalidade que é necessária à nossa economia. “Temos muitos pedidos de investimento para Portugal e estamos a investir em combustíveis renováveis. Tudo isso poderia ser perturbado por uma guerra e pela escalada dos preços a nível internacional. São boas notícias”, concluiu, referindo-se ao anúncio do acordo para um cessar-fogo que deverá ser assinado na sexta-feira.