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Assim que soou o apito final do jogo com os Países Baixos, os adeptos do Japão correram para as ruas para festejar. No famoso cruzamento de Shibuya, em Tóquio, um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra os fãs a saltar com entusiasmo, mas apenas durante 40 segundos, até ao sinal mudar de cor.
https://twitter.com/nexta_tv/status/2066437408334213410
Assim que o sinal ficou vermelho, os adeptos dispersam para deixar os carros passar. Mas este não é o único comportamento exemplar dos japoneses. Conhecidos como “Samurais Azuis”, os apoiadores da seleção fazem questão de recolher todo o lixo e limpar as bancadas dos estádios depois de um jogo acabar, independentemente de o resultado final ser uma vitória, uma derrota ou um empate — algo que já acontece desde o Mundial de 1998, em França, como relata a Associated Press.
O confronto da fase de grupos contra os Países Baixos, realizado em Arlington, no Texas, não foi exceção. Inicialmente, enquanto o jogo ainda estava a decorrer, os adeptos abanavam sacos de lixo azuis como se fossem adereços de festa. Este movimento intensificou-se sobretudo quando Daichi Kamada marcou um golo de cabeça aos 88 minutos. No entanto, assim que a partida terminou, começou a limpeza do estádio, com os adeptos a usarem esses mesmos sacos azuis. Num vídeo partilhado pela FIFA, uma japonesa explica as razões por detrás deste gesto: “É a cultura. É o respeito pelos jogadores, pelos adeptos, pelo estádio”.
https://twitter.com/FIFAcom/status/2066313474884436100
Esta tradição foi destacada pelo selecionador nacional Hajime Moriyasu. “Para os japoneses, isto é apenas o normal”, explicou ao The Times. “Quando sais de um lugar, tens de o deixar mais limpo do que aquilo que estava antes”. A limpeza contou ainda com uma ajuda local: Jameis Winston, quarterback da NFL, estava a cobrir a competição como correspondente e fez questão de se juntar aos adeptos.
https://twitter.com/FOX4/status/2066282250207965460
O sociólogo e filósofo Masachi Ohsawa acredita que este comportamento resulta de uma combinação entre responsabilidade e pressão social. “Embora os japoneses tendam a não se interessar muito por justiça à escala global — como a desigualdade, os conflitos ou as alterações climáticas —, são extremamente sensíveis a considerações morais em menor escala”, explicou o especialista, citado pelo The Straits Times. “Quando se trata de pessoas com quem partilham o mesmo espaço ou com quem têm contacto direto, sentem um forte desejo de não causar problemas ou desconforto“, afirmou Ohsawa.