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O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira que Portugal apoia a proposta da Comissão Europeia para impedir a entrada na União Europeia (UE) de combatentes russos que participaram na guerra na Ucrânia.
“Somos a favor. As sanções são sempre um pacote, portanto, se cada um as fizesse sozinho, desenharia de certa maneira, mas, nesse caso, isso não nos cria nenhum problema”, afirmou Paulo Rangel em declarações aos jornalistas à margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo.
O chefe da diplomacia portuguesa respondia a uma pergunta sobre se apoia a proposta da Comissão Europeia para impedir a entrada em solo europeu de qualquer combatente russo que tenha participado na guerra na Ucrânia, uma medida que consta do 21.º pacote de sanções à Rússia apresentado pelo executivo comunitário na semana passada e ainda carece da aprovação por unanimidade dos 27 Estados-membros para poder ser aplicado.
Paulo Rangel referiu que Portugal apoia o 21.º pacote de sanções à Rússia, assim como a abertura dos primeiros capítulos das negociações de adesão à UE da Ucrânia e da Moldova, a formalizar esta tarde, no Luxemburgo, no âmbito de duas conferências intergovernamentais que se vão realizar à margem da cimeira dos ministros dos Negócios Estrangeiros. “Julgamos que isso é um passo muito, muito importante”, referiu.
Rangel considerou que é eventualmente devido à abertura formal das negociações de adesão que a Rússia atacou esta segunda-feira com “significado maior” o país, incluindo a catedral histórica de Petchersk [da Dormição, em português], em Kiev.
“São ataques inaceitáveis da Federação Russa, em particular o facto de ter atingido a catedral de Petchersk, um edifício religioso do século XI e, portanto, da própria fundação da identidade ucraniana. Tem esse significado identitário e é uma instalação religiosa que, obviamente, tem um estatuto, neste caso até de património comum da humanidade, que deveria estar a salvo de qualquer ataque”, referiu.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de atacar deliberadamente uma zona histórica de Kiev onde se situa uma catedral que ficou danificada durante uma vaga de ataques aéreos noturnos, acusação rejeitada por Moscovo.
A catedral de Petchersk integra o conjunto monástico do Mosteiro das Grutas de Kiev, um dos mais importantes centros espirituais da Igreja Ortodoxa na Ucrânia e classificado como Património Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Nestas declarações aos jornalistas, o ministro foi ainda questionado sobre quem é que está a bloquear a imposição de sanções aos ministros israelitas de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, apoiadas por Portugal e novamente a ser debatidas pelos governantes.
Sem querer “fazer nenhuma revelação”, Paulo Rangel disse ser “muito importante” que a UE decida impor sanções aos ministros, em particular a Ben-Gvir, mas também que dê “outros sinais” no que se refere à deterioração que continua a ocorrer na Cisjordânia, com os colonatos, onde a situação de violência está a aumentar.
“Era importante haver sinais a esse respeito, porque, de facto, esses comportamentos não só minam a solução dos dois Estados, como são potenciadores de perturbar a questão do memorando de entendimento e da paz no Golfo”, disse, numa altura em que os chefes das diplomacias da UE estão a debater se restringem parcial ou totalmente o comércio com os colonatos judaicos na Cisjordânia.