Ainda estava tremido o acordo entre os EUA e o Irão, ainda Netanyahu haveria de ouvir um ralhete de Trump por atacar o Líbano e voltar a pôr tudo em causa, quando imagens impressionantes de água vermelha a descer para o mar começaram a circular nas redes sociais e em vários meios de comunicação internacionais. E o local é muito simbólico para o fim da guerra e o início da paz: a ilha de Ormuz, no estreito que se tornou central nesta guerra.
Numa das zonas marítimas mais estratégicas do planeta (as provas ficaram bem claras com o bloqueio), a ilha, no sul do Irão, é famosa pelas suas paisagens coloridas. Entre elas está exatamente a Praia Vermelha, que deve o nome à areia e falésias de tonalidades avermelhadas devido à elevada concentração de minerais ricos em ferro.
Muitos questionaram se se tratava de um sinal de poluição, um desastre ambiental ou de uma consequência das alterações climáticas. Mas a resposta é mais simples: trata-se de um fenómeno geológico conhecido há décadas e que resulta da composição muito particular dos solos da região.
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Quando ocorrem períodos de chuva mais intensa, os sedimentos são arrastados pelas encostas e linhas de água temporárias até ao oceano. Ao misturarem-se com a água do mar, criam um efeito visual que faz parecer que o mar se transformou em sangue.
O principal responsável é a hematite, um mineral composto por óxido de ferro — e que também é um dos minerais que contribuem para a coloração avermelhada da superfície de Marte (o planeta vermelho). É precisamente por isso que muitas fotografias da ilha parecem mostrar uma paisagem quase extraterrestre.
Uma ilha criada por sal, minerais e movimentos tectónicos
A ilha de Ormuz situa-se numa região geologicamente única. Grande parte da sua estrutura resulta da subida de enormes massas de sal vindas das profundezas da crosta terrestre. Ao longo de milhões de anos, esses montes salinos empurraram para a superfície diferentes tipos de rochas e minerais, criando a tal paisagem rica em cores que existem em poucas outras partes do mundo.
Além dos tons vermelhos associados à hematite, podem encontrar-se na ilha solos amarelos, laranja, castanhos, roxos e até esbranquiçados. Esta diversidade geológica transformou Ormuz num dos locais mais estudados do Médio Oriente por geólogos e mineralogistas.
O mecanismo que produz a coloração avermelhada é conhecido e depende sobretudo da presença natural de minerais ricos em ferro e da ocorrência de chuva suficientemente intensa para transportar esses sedimentos até ao mar.
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Embora as alterações climáticas possam influenciar padrões de precipitação em algumas regiões do planeta, os especialistas não associam este episódio específico a uma causa climática.
Quando a água da chuva atravessa zonas muito ricas em óxidos de ferro, transporta grandes quantidades de partículas avermelhadas. Quando estas chegam à praia e ao oceano, criam uma mancha de cor intensa que contrasta fortemente com o azul do mar.
Mas o efeito é temporário. À medida que os sedimentos assentam no fundo ou são dispersos pelas correntes marítimas, a água regressa gradualmente à sua aparência habitual.
Apesar de as imagens parecerem extraordinárias, a Praia Vermelha de Ormuz é há muito conhecida pelos geólogos e pelos visitantes da região.
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