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(A) :: Ritmo de entrada de imigrantes no país caiu para menos de metade entre 2024 e 2025, estima Banco de Portugal

Ritmo de entrada de imigrantes no país caiu para menos de metade entre 2024 e 2025, estima Banco de Portugal

Banco de Portugal estima que, em termos líquidos (saídas vs entradas), em 2024 estavam a entrar no país 13.200 pessoas por mês. Em 2025, esse número caiu para menos de metade: 6.200 por mês.

Edgar Caetano
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Caiu para menos de metade o ritmo de entradas de estrangeiros no país (em termos líquidos, ou seja, entre entradas e saídas) entre 2024 e 2025, estima o Banco de Portugal. Está em curso, diz o supervisor financeiro, “uma alteração significativa” face ao forte aumento da entrada (líquida) de imigrantes no país que houve nos anos anteriores — períodos em que o mercado de trabalho, as contas públicas e a segurança social beneficiaram de uma participação de estrangeiros que o Banco de Portugal salienta que “complementou”, não prejudicou, a posição dos portugueses no mercado de trabalho.

No Boletim Económico de junho, divulgado nesta segunda-feira, o Banco de Portugal estima que, em termos líquidos (saídas vs entradas), em 2024 estavam a entrar no país 13.200 indivíduos por mês. Em 2025, esse número caiu para menos de metade: 6.200 por mês. “Esta redução refletiu a conjugação de menos entradas com mais saídas de estrangeiros, constituindo uma alteração significativa face aos desenvolvimentos observados nos últimos anos”, salienta o supervisor financeiro.

Referindo-se a estes dados, Nuno Alves, diretor do departamento de estudos económicos do Banco de Portugal, afirmou que “os fluxos de imigração líquida muito fortes que tivemos nos últimos anos contribuíram para um aumento da população, da população ativa, do emprego e das contribuições para a segurança social”. Sentado ao lado de Álvaro Santos Pereira, na apresentação do relatório, Nuno Alves salientou que “esta relação é indiscutível”.

“E vale a pena sublinhar que [o aumento da participação dos estrangeiros no mercado de trabalho] não ocorreu à custa de uma menor participação dos nacionais no mercado de trabalho, já que a participação destes também está em níveis históricos”, frisou Nuno Alves.

Ou seja, o aumento que existiu “não é algo que vem em confronto com, é algo que complementa a participação de todos no mercado de trabalho”, acrescentou: “e todos estamos a contribuir para as contas públicas no presente”. Porém, acautelou, “as contribuições hoje vêm com uma promessa de benefícios futuros, que não pode ser ignorada”, designadamente quando se fala na sustentabilidade da segurança social.

Quanto ao mercado de trabalho, em geral, o Banco de Portugal antecipa que “a situação do mercado de trabalho deverá permanecer favorável, projetando-se crescimentos gradualmente menores do emprego e a manutenção de uma taxa de desemprego baixa”.

Após um crescimento de 1,5% em média em 2024–25, o emprego deverá continuar a aumentar no horizonte de projeção, mas a um ritmo decrescente (1% em 2026, 0,5% em 2027 e 0,4% em 2028). Estes crescimentos refletem aumentos adicionais, mas mais contidos, da taxa de atividade e da população em idade ativa, estima-se.

O Banco de Portugal considera que o “aumento da população continuará a refletir fluxos migratórios positivos, mas gradualmente menores, após os máximos observados em 2023″.

Neste contexto, nota o supervisor, “a disponibilidade de recursos no mercado de trabalho permaneceu limitada em 2025”. “A percentagem de empresas que reporta dificuldades em contratar pessoal qualificado reduziu-se em 2025 e no início de 2026, mas manteve-se em valores acima da média histórica na construção e na indústria”, conclui o Banco de Portugal.