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PCP regista "sentimento de abandono" na zona centro e quer explicações da Estrutura de Missão

Paula Santos considerou o PTRR um “embuste" que não se reflete em "mais investimento público”. O PCP vai requerer a audição da Estrutura de Missão para "exigir as respostas que são necessárias".

Agência Lusa
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A líder parlamentar do PCP anunciou esta segunda-feira que o partido pediu uma audição parlamentar da Estrutura de Missão para a reconstrução da zona centro do país, criada após as tempestades e liderada por Paulo Fernandes.

O anúncio foi feito por Paula Santos na sessão de apresentação das jornadas parlamentares do PCP, no segundo dia de trabalhos, que se realiza na Marinha Grande, distrito de Leiria.

A deputada comunista afirmou que o que sobressai dos contactos feitos pelo partido “é um sentimento generalizado da população de abandono por parte do Governo”, em particular na recuperação das habitações danificadas, na resposta à micro, médias e pequenas empresas, e na falta de apoio às associações e coletividades para recuperar os seus equipamentos e instalações.

Paula Santos abordou ainda o que considerou ser o “abandono” do Pinhal de Leiria, que visitou no domingo, afirmando que “depois de anos de desinvestimento e de opções políticas contrárias ao interesse público”, este espaço “foi totalmente desvalorizado”, estando “sem meios e recursos para proceder à sua limpeza”.

“Atendendo à falta de resposta, o PCP vai requerer a audição da Estrutura de Missão – Reconstrução da Região Centro do País à Comissão de Economia, para exigir as respostas que são necessárias para a recuperação na sequência das intempéries”, disse.

Acrescentou ainda que os comunistas confrontarão o executivo, nas audições parlamentares dos ministro da Administração Interna e da Agricultura, agendadas para os próximos dias, com a “necessidade de tudo fazer para prevenir os incêndios face à quantidade de biomassa que continua nos solos”.

Paula Santos recordou também que, nesta legislatura, foi aprovado na generalidade um projeto de lei do PCP para reforçar os direitos dos bombeiros, frisando que a discussão na especialidade desta iniciativa, agendada para 17 de junho, será uma oportunidade para os restantes partidos “passarem das palavra aos atos e dos elogios aos bombeiros aos apoios e medidas concretas”.

A deputada apelidou o programa “Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR) apresentado pelo Governo como um “embuste” cujo objetivo é “empolar montantes sem que isso acrescente mais investimento público”.

Questionada pelos jornalistas sobre se o partido admite chamar também a Estrutura de Missão do PTRR ao Parlamento, a líder da bancada do PCP disse que esse era uma possibilidade que não excluíam, uma vez que está em causa uma “fraude política”.

“Aquilo quase parece que é uma soma de vários programas que o Governo foi anunciando nestes últimos anos, agora procurando dar-lhe uma nova imagem. De facto o empenho do Governo em propaganda é muito grande, é pena que não se empenhe em de facto resolver os problemas das pessoas”, criticou.

Segundo Paula Santos, os dados disponíveis indicam que as seguradoras ainda têm em dívida aproximadamente 60% dos 1.300 milhões de euros relativos a prejuízos segurados. A deputada notou também que, no apoio público à recuperação de habitações, apenas 40% dos montantes previstos foram pagos.

Questionada sobre as palavras do ministro da Administração Interna, Luís Neves, que disse que as associações de bombeiros “podem estar tranquilas” com o aumento de despesa, Paula Santos insistiu que o executivo tem dado uma resposta insuficiente no financiamento dos bombeiros e na valorização dos operacionais.

No seu discurso, a deputada do PCP voltou a abordar o pacote laboral – que será discutido no Parlamento esta semana – reiterando que “este é o momento para derrotar o pacote laboral” e que “a força e a unidade dos trabalhadores” demonstram que essa é uma possibilidade.