Quando deixou o Manchester United, no início de janeiro, Ruben Amorim sabia exatamente o que estava a acontecer, quando ia acontecer e como ia acontecer. Aliás, olhando para aquilo que foi o trajeto ao longo de 14 meses em Old Trafford, foi das raras vezes em que estava com o controlo total da situação. Ainda hoje alguns elementos mais próximos do técnico admitem que o tom da última conferência na sequência do jogo com o Leeds ganhou forma de um desabafo que podia ser desnecessário para não ficar como a última imagem dessa passagem pelos red devils. A partir daí, Amorim voltou a ser Amorim em termos públicos como gosta – sem entrevistas, sem publicações nas redes sociais, sem nada que não fossem os programas com a família e amigos próximos entre alguns encontros com antigos e atuais jogadores com quem se cruzou.
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Sem nunca o ter confidenciado, o técnico bicampeão pelo Sporting tinha a convicção de que voltaria a ter uma oportunidade na Premier League por considerar ser mais “vítima” do que culpado perante tudo aquilo que se foi passando no Manchester United (e que teve mais capítulos nos bastidores em termos internos que podem ajudar a explicar os resultados obtidos durante o período de vigência). Porquê? Tinha o perfil para isso, tinha a vontade para isso – e não se importava de dar um passo atrás para seguir com dois para a frente, numa realidade inglesa que aponta cada vez mais ao perfil dos técnicos do que propriamente ao que foram conseguindo ganhar na carreira. Perante oportunidades que podiam ser à medida, o telefone não tocou. O telefone não tocou via Bournemouth, que iria perder Andoni Iraola. O telefone não tocou via Crystal Palace, depois da saída de Oliver Glasner. O telefone não tocou via Fulham, após a partida de Marco Silva.
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Houve também a possibilidade Benfica, com os encarnados a tentarem em duas ocasiões distintas chegar a acordo com Ruben Amorim mas a verem recusada essa possibilidade de forma cordial, com o treinador a ter o cuidado de explicar que via o seu futuro continuar a passar pelas ligas estrangeiras e não por Portugal. A dúvida passaria pelo país, pelo clube e pelo projeto. Amorim chegou a admitir que, caso fosse necessário, iria continuar sem trabalhar se não encontrasse um novo rumo que lhe permitisse voltar a brilhar. No entanto, e sobretudo nas duas últimas semanas, começou a ver o desenho desse rumo. Agora, está de vez fechado.
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Depois de ter sido um dos vários técnicos que se reuniram com os responsáveis do AC Milan, nomeadamente o seu dono, Gerry Cardinale, Ruben Amorim ficou como um dos melhores colocados para assumir o lugar que era de Massimiliano Allegri, técnico que perdeu tudo nas últimas semanas de competição em 2025/26, incluindo a possibilidade de entrar na Liga dos Campeões. Falou-se de Oliver Glasner, Mauricio Pochettino e Matthias Jaissle, entre outros, mas o português era uma oportunidade real que tinha como grande “obstáculo” a ligação existente entre Ralf Rangnick, selecionador da Áustria apontado à posição de diretor de todo o futebol rossoneri, e Glasner. Apesar dessa “concorrência”, foi Ruben Amorim que ganhou. Zlatan Ibrahimovic, que esteve também no processo como conselheiro, foi outro dos principais “trunfos”.
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O técnico português chega assim ao clube pelo qual torcia quando era jogador do Benfica e olhava para a Serie A italiana, recordando também os tempos em que Rui Costa era uma das grandes figuras do futebol dos rossoneri. Mais: chega a uma espécie de “gigante adormecido”, como era o United, podendo reconstruir desde o início da temporada todo o projeto, do plantel a todos os departamentos. E, depois de duas épocas sem conseguir o apuramento para a Liga dos Campeões, problemas não faltam, mais recentemente com o português Rafael Leão a admitir que pretende deixar San Siro para assumir outro projeto na Europa. O acordo que deverá ser anunciado nas próximas horas envolve um contrato de duas temporadas, até junho de 2028, com um salário líquido de 3,5 milhões de euros com vários bónus por objetivos desportivos atingidos.
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O anúncio está apenas dependente da confirmação final de Gerry Cardinale, sendo que o AC Milan já está a trabalhar entretanto em novos nomes para assumir o cargo de diretor desportivo depois da recusa de Ralf Rangnick (que renovou com a Áustria e terá feito cair também Oliver Glasner). Devin Ozek, turco que esteve no Bayer Leverkusen no período de Xabi Alonso e ocupa agora essas funções no Fenerbahçe, e Markus Krosche, alemão do Eintracht Frankfurt, são duas de várias possibilidades em cima da mesa dos rossoneri.
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Desta forma, Amorim chega a um campeonato que, não sendo uma Premier League, sempre acompanhou de forma atenta sobretudo pela vertente tática que acarreta – e com projetos desportivos interessantes que vão conseguindo desafiar os habituais candidatos ao título, como aconteceu nos últimos anos com a Atalanta de Gian Piero Gasperini, o Sassuolo de Roberto De Zerbi ou agora o Como de Cesc Fábregas. Já o AC Milan está a atravessar um período de crise de resultados, ficando em quinto na última Serie A na última temporada depois de uma época de 2024/25 que acabou com Sérgio Conceição em oitavo a ganhar a Supertaça. O derradeiro scudetto dos rossoneri foi no ano de 2022, quando Stefano Pioli comandava a equipa.
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Aos 41 anos, Ruben Amorim vai ter a sua quarta experiência em primeiros escalões – a segunda fora do país. Após ter começado no Casa Pia, o técnico passou para a equipa B do Sp. Braga, ascendendo depois ao escalão principal… para realizar menos de 15 jogos. Aí, em março de 2020, o Sporting decidiu pagar os dez milhões de euros da cláusula de rescisão (num investimento que chegou aos 14 milhões) para uma das melhores fases de sempre da vida dos leões, que terminou em novembro de 2024 com a saída para o Manchester United por 11 milhões de euros. Entre novembro de 2024 e janeiro de 2026, o técnico comandou os red devils, tendo chegado a uma final da Liga Europa perdida com o Tottenham. Antes, Ruben Amorim ganhou uma Taça da Liga no Minho e dois Campeonatos, duas Taças da Liga e uma Supertaça em Alvalade.
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