Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, foi condenado esta segunda-feira, em Oslo, a quatro anos de prisão por 34 crimes, entre os quais duas violações e agressões físicas e sexuais. O enteado do príncipe Haakon da Noruega está em prisão preventiva desde o início de fevereiro, quando começou o julgamento. Era acusado de 38 crimes, incluindo quatro violações, agressões, assédio e abusos contra mulheres. Além da pena de prisão, o filho de Mette-Marit deve pagar um total de quase 59 mil euros em indemnizações a quatro das vítimas.
Høiby acompanhou a leitura da sentença por videochamada, da prisão de segurança máxima de Ila, na região metropolitana de Oslo, para onde foi transferido devido às reformas previstas em breve para a prisão de Oslo. Já a chegar ao final da audiência, a defesa de Høiby voltou a pedir a sua libertação imediata para acompanhar a mãe, a princesa Mette-Marit, que está na fila para um transplante de pulmão. Apesar do Tribunal Distrital de Oslo considerar que Høiby deveria ser libertado, o Tribunal da Relação negou o pedido, alegando o alto risco de novas infrações. A libertação ainda está a ser analisada pelo tribunal, que suspendeu a sessão esta manhã.
O Ministério Público pedia uma pena de sete anos e sete meses de prisão, contudo o tribunal absolveu Høiby de dois dos crimes com penas mais severas: duas das quatro violações das quais era acusado. Os advogados de Høiby já confirmaram que vão recorrer da decisão. A defesa tem um prazo de duas semanas para apresentar um recurso. “Ele está naturalmente muito satisfeito com o que consideramos serem absolvições bastante abrangentes. Mas é evidente que ele acredita ser inocente das acusações de violação”, disse o advogado de defesa Petar Sekulic, reforçando que “o que é realmente importante para ele agora é estar perto da sua mãe.”
O juiz Jon Sverdrup Efjestad leu trechos da sentença de 128 páginas durante a audiência na manhã desta segunda-feira, descreve a estação pública norueguesa NKR e o jornal VG, ambos presentes em tribunal. A decisão teve como base os depoimentos ouvidos ao longo do julgamento, assim como as centenas de trocas de mensagens, fotografias e vídeos recuperados do telemóvel do filho de Mette-Marit e apresentados em tribunal.
O filho da princesa Mette-Marit foi considerado culpado por dois casos de violação “sem penetração” — o que no enquadramento jurídico norueguês se considera qualquer ato de coerção sexual na ausência de consentimento explícito. “O tribunal não considera que as agressões tenham sido premeditadas. Não há provas de que o réu tenha drogado as vítimas ou planeado agredi-las enquanto dormiam. Ao mesmo tempo, não parecem ter sido atos puramente impulsivos”, disse o juiz.
Uma destas violações aconteceu dentro da residência oficial dos príncipes herdeiros, Skaugum, em 2018. Neste caso em específico, o tribunal considerou comprovado, sem qualquer dúvida razoável, que a mulher estava a dormir quando foi violada. “Fecha os olhos, permanece na mesma posição por um longo período e não demonstra nenhuma reação ao toque ou a qualquer estímulo. Não há sons ou movimentos que indiquem que ela esteja acordada”, disse o juiz.
A outra violação pela qual Høiby foi condenado trata-se de um caso de 2024, que aconteceu após uma festa em Oslo. De acordo com o tribunal, o filho de Mette-Marit e a vítima tiveram relações sexuais consensuais, contudo, na mesma ocasião, a mulher sofreu violência sexual depois de adormecer. “O material em vídeo mostra inicialmente uma fase em que a vítima participa ativamente da atividade sexual. Em gravações subsequentes, no entanto, ela aparece completamente passiva, sem movimentos ou reações, enquanto o réu pratica a relação sexual e filma simultaneamente”, declarou o juiz. “O tribunal considera comprovado que a vítima era incapaz de resistir às ações naquele momento”.
Marius Borg também foi condenado por violência doméstica contra a ex-namorada, a influencer Nora Haukland. Os dois namoraram entre 2022 e 2023, período no qual Haukland diz ter sido agredida com pontapés e agarrada pelo pescoço. Para provar as agressões, a acusação exibiu, por exemplo, um áudio em que se ouve Marius a gritar e chamar “cabra mentirosa” à então namorada.
O filho de Mette-Marit foi ainda considerado culpado de agressão contra outra mulher que não está identificada no processo, com quem teve um relacionamento em 2024 — o episódio pelo qual Høiby foi detido pela primeira vez, e que deu origem ao processo que resultou nas 38 acusações. Neste caso em particular, também foi emitida uma nova ordem de restrição que obriga o enteado do príncipe Haakon a permanecer sem contacto com a vítima por pelo menos dois anos.

Høiby foi condenado também por outros crimes, como lesão corporal, comportamento abusivo, ameaça e filmar mulheres sem o seu consentimento. Alguns dos crimes o filho da princesa da Noruega já havia admitido culpa durante o julgamento, como as violações de ordens de restrição e conduzir em excesso de velocidade. Em relação às infrações de trânsito, o juiz determinou que o filho de Mette-Marit deve cumprir uma pena adicional de 13 dias de prisão, além de perder a carta de condução e ficar impedido de tirar uma nova licença por um ano.
De recordar que, no início do julgamento, a advogada de defesa, Ellen Holager Andenæs, criticou a cobertura mediática do caso e tentou descredibilizar as alegadas vítimas. “O que todas as vítimas têm em comum é que tiveram relações sexuais consensuais com Marius antes dos factos descritos na acusação. É um ambiente com muito abuso de substâncias. Não apenas álcool, mas também substâncias ilícitas como cocaína e outras. Também não é segredo que o sexo é uma parte muito presente nesse ambiente. Pode ser surpreendente como isso se manifesta e a forma que assume”, afirmou a advogada.
Nascido a 13 de janeiro de 1997, Marius entrou para a família real aos quatro anos, quando a sua mãe se casou com o príncipe herdeiro da Noruega. Apesar de nunca ter recebido nenhum título real e não desempenhar um papel oficial na realeza norueguesa, Høiby foi criado em Skaugum, junto dos irmãos príncipes — Ingrid Alexandra e Sverre Magnus — e o seu nome é citado no site oficial da realeza como um dos “três filhos na família dos príncipes herdeiros”. O jovem foi tão bem acolhido no seio familiar que chegou a integrar fotografias oficiais ao lado da mãe, do padrasto, do Rei Harald V e da Rainha Sonja.