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O acordo que poderá reabrir o Estreito de Ormuz nos próximos dias foi recebido com cautela por armadores e comerciantes, tendo muitos afirmado que irão aguardar mais detalhes para avaliar se é possível garantir a segurança das travessias marítimas.
A via navegável — um canal vital para o escoamento de petróleo e gás natural a nível global — tem estado no centro da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão no passado dia 28 de fevereiro, e a necessidade urgente de retomar o tráfego tem sido um tema crucial nas discussões de paz.
O controlo do Irão sobre o estreito, combinado com um bloqueio dos EUA, criou uma perturbação sem precedentes no comércio global de energia, praticamente isolando alguns dos maiores produtores mundiais e forçando mesmo os principais intervenientes a recorrer a trânsitos “ocultos”.
Ainda assim, a solução temporária anunciada pelos Estados Unidos e pelo Irão — incluindo uma declaração do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que o estreito reabrirá na próxima sexta-feira, quando o acordo for assinado — deixou o setor a questionar-se sobre o que isso significará na prática.
https://observador.pt/2026/06/14/reabertura-total-do-estreito-de-ormuz-desistencia-de-armas-nucleares-e-descongelamento-de-ativos-as-principais-medidas-do-acordo-irao-eua/
Com informações limitadas até ao momento, houve pouca atividade no Estreito de Ormuz nas primeiras horas desta segunda-feira, à medida que a notícia se espalhava, com exceção de um navio-tanque de gás natural liquefeito, o Disha, que testou a segurança nas águas, dirigindo-se para Ormuz.
Quase 600 navios continuam retidos no Golfo Pérsico, prontos para sair, enquanto centenas também aguardam vazios no lado exterior do golfo, de acordo com a Kpler, citada pela agência Bloomberg.
Embora, em teoria, o acordo deva libertar milhões de barris de petróleo, continuarão a existir obstáculos práticos, incluindo problemas como a concorrência entre tantas embarcações para transitar efetivamente por um corredor estreito.
O número exato de navios observados poderá variar à medida que forem sendo adicionados à contagem mais embarcações até agora paradas, que desligaram os seus transponders — dispositivo eletrónico transmissor e respondedor.
A segurança também continua a ser uma questão em aberto, uma vez que supostos acordos nos últimos meses terminaram com as forças iranianas a disparar contra navios ou a apreender embarcações.
Finalmente, subsiste a incerteza quanto às minas no estreito, tornando as rotas e a cobertura de seguro cruciais.
Brett Erickson, diretor-geral da Obsidian Risk Advisors, sublinhou que a segurança é a principal preocupação de todos os armadores que tentam compreender a situação no terreno.
“A indústria marítima compreende isso. Os capitães compreendem isso. As tripulações compreendem isso”, afirmou, citado pela Bloomberg.
“Sabem que um único erro de cálculo, um único ataque ou uma única decisão política pode introduzir novos atritos na situação e colocar mais uma vez as suas vidas em risco”, acrescentou.
Alguns produtores de petróleo têm vindo a encontrar gradualmente soluções alternativas para fazer passar os petroleiros, por vezes com o apoio dos Estados Unidos, mas as travessias têm-se mantido numa fração dos níveis pré-guerra, quando uma média de 135 petroleiros atravessava o Estreito de Ormuz diariamente.
Os navios carregados serão provavelmente os primeiros a preparar-se para partir, enquanto os navios vazios que já se encontram no Golfo poderão começar a carregar mercadorias nos próximos dias.
Existem atualmente mais de 300 navios vazios à espera no Golfo de Omã, muitos dos quais poderão transitar pelo Estreito de Ormuz para entrar no Golfo Pérsico assim que o acesso for restabelecido.
Os petroleiros constituem a maior parte dos navios atualmente retidos no Golfo Pérsico, revelam os dados da empresa de inteligência de dados Kpler, um reflexo das cargas de petróleo de elevado valor que transportam e que se tornaram um foco de atenção durante a guerra.
Cerca de 98 petroleiros de crude continuam retidos no interior, enquanto os navios que transportam produtos petrolíferos sujos somam 88.
Os armadores mais tolerantes ao risco serão os primeiros a agir, afirmou Muyu Xu, analista sénior de petróleo bruto da Kpler, também citado pela Bloomberg.
“Podemos ver navios a sair apressadamente assim que o Irão abrir as portas”, sugeriu Xu. “Embora reste saber se Teerão irá impor quaisquer medidas de controlo”, acrescentou.