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Combate polémico de artes marciais nos jardins da Casa Branca. Lutador diz que "Michelle Obama é um homem"

Membros da administração e Zuckerberg estiveram presentes no "maior espectáculo da Terra", segundo Trump, com honras militares. Lutador repetiu alegação infundada de que "Michelle Obama é um homem".

Larissa Faria
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Miguel Pereira Santos
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O Presidente dos Estados Unidos completou neste domingo 80 anos de idade, um dia marcado pelas negociações para colocar um ponto final à guerra com o Irão e retomar a atividade marítima no Estreito de Ormuz, os parabéns de Putin e Zelensky e o controverso evento desportivo nos jardins da Casa Branca.

https://twitter.com/ufcontnt/status/2066319004541563136

O combate de uma disciplina das artes marciais conhecida como MMA (Mixed Martial Arts), organizado pela Ultimate Fighting Championship (UFC), foi o primeiro evento desportivo profissional de sempre a realizar-se na residência oficial do Presidente norte-americano. Uma ação judicial de cidadãos contra a realização do evento, que classificam como “um esquema corrupto” que utiliza recursos públicos, não conseguiu impedir a montagem da estrutura onde ocorreram os sete combates.

Erguido sobre o relvado da residência presidencial, o octógono marca a comemoração não só dos anos de Trump, mas também dos 250 anos dos EUA. A UFC nunca organizou um combate totalmente ao ar livre e a principal ameaça à realização do mesmo foram as previsões meteorológicas. O arranque foi atrasado por uma hora, devido à previsão de uma tempestade em Washington DC para aquela hora, mas o evento acabaria por seguir sem mais entraves.

Além de Donald Trump, assistiram ao combate marcial vários outros membros da administração norte-americana como o secretário de Estado Marco Rubio ou o secretário da Guerra Pete Hegseth. Estima-se que 4.300 pessoas tenham estado nos jardins da Casa Branca para o UFC Freedom 250 (referência aos 250 anos da fundação dos EUA), num evento em que apenas se podia entrar com convite. Entre os convidados estava, por exemplo, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, a empresa que detém as redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp.

Numa zona de fãs nas proximidades da Casa Branca foram transmitidos os combates e também foi possível acompanhar os sete frente a frente em direto, a partir de casa, através da plataforma digital da Paramount, com a qual a UFC celebrou um contrato multimilionário no ano passado.

Dana White, CEO da UFC e amigo de longa data de Trump, disse que o evento tinha um custo estimado de 60 milhões de dólares (51,6 milhões de euros), incluindo 700 mil dólares (600 mil euros) em reparações do jardim da Casa Branca. O atleta brasileiro Alex Pereira amealhou 10 milhões de dólares (9,3 milhões de euros) para entrar no ringue com o francês Ciryl Gane, que acabaria por vencer o combate.

O investimento incluiu a instalação de uma infraestrutura de 28 metros de altura, entretanto batizada como “A Garra“. Foi sob esta instalação, comparada por Trump à Torre Eiffel, que os combates ocorreram na madrugada desta segunda-feira. Todo este envolvimento levou o Presidente dos EUA a afirmar que o evento foi “o maior espetáculo na Terra”, depois de Marco Rubio ter dito que a UFC é “a definição do soft power da diplomacia norte-americana”.

Apesar dos elogios das mais altas figuras do Estado norte-americano, o organizador Dana White descartou a hipótese de uma reedição do UFC Freedom 250. “Não tenho dinheiro para isso. Não há a mínima hipótese de voltarmos a fazer isto.” Por outro lado, uma sondagem da Reuters/Ipsos concluiu que a maioria dos norte-americanos, incluindo os republicanos, não aprovou este evento: apenas 16% acharam apropriada a sua realização na Casa Branca, número que ascende a cerca de 33% entre os simpatizantes do partido de Trump.

https://twitter.com/ChampRDS/status/2066411073251455149

Este evento levantou dúvidas quanto à utilização de recursos públicos e não apenas por se realizar na residência oficial do Presidente dos EUA. Na abertura do evento, um grupo de aviões militares sobrevoou o local e os 14 lutadores foram acompanhados até ao palco por vencedores da Medalha de Honra — a mais alta condecoração com que podem ser agraciados os militares norte-americanos.

A entrevista ao vencedor de um dos combates da noite também deu origem a mais um momento polémico do evento. Após vencer Derrick Lewis com um KO, o norte-americano Josh Hokit repetiu uma teoria da conspiração sem fundamento sobre a mulher do antigo Presidente Barack Obama. “Parabéns a Trump por ter a coragem para organizar uma cena destas”, disse, antes de acrescentar: “Michelle Obama é um homem. Concordam comigo, América?”.

https://twitter.com/overton_news/status/2066358105345032230

Putin e Zelensky ligaram a Trump

Na véspera de embarcar para a França no âmbito da Cimeira do G7, Donald Trump falou sobre questões diplomáticas ao telefone tanto com Vladimir Putin quanto com Volodymyr Zelensky, que lhe ligaram pelo aniversário. O homólogo ucraniano espera continuar a conversa com Trump esta semana em França, onde a agenda de ambos se deve cruzar.

“Muito irritado” com os ataques israelitas a Beirute este domingo — que poderiam comprometer ou atrasar o seu acordo com o Irão — Trump não poupou críticas a Benjamin Netanyahu, não só ao questionar as razões do ataque mas também ao definir o primeiro-ministro israelita como uma pessoa que “não tem o mínimo de bom senso”.

É tão mau, nem queria acreditar. Uma hora antes de assinarmos o acordo”, disse Trump numa conversa telefónica com o Axios, citado pela emissora. O líder dos Estados Unidos terá pedido ao Irão que não revidasse o ataque, mas as Forças de Defesa de Israel afirmaram que lançamentos do Hezbollah a partir do Líbano atingiram uma área próxima da localidade israelita de Neot Mordechai, no norte de Israel, noticiou o The Israel Times. O Irão considerou os EUA como “diretamente responsáveis” pelo bombardeamento israelita realizado no Líbano.

Antes de o sol se pôr em Washington, Donald Trump anunciou na sua rede social Truth Social que o acordo de paz com o Irão estava fechado. O primeiro-ministro paquistanês afirmou numa publicação no X que a assinatura está marcada para sexta-feira em Genebra, na Suíça. Até ao momento, no entanto, os líderes do Irão não se pronunciaram oficialmente sobre o documento.