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O Campeonato do Mundo também é palco para a juventude mostrar o seu valor. E que o digam Costa do Marfim e Equador, as duas equipas mais jovens desta edição, com médias de 25,4 e 25,6 anos, respetivamente. Num grupo que contém ainda Alemanha e Curaçau, podia ser este o duelo decisivo na luta pelo apuramento direto para os 16 avos de final através do segundo lugar. De um lado estava uma formação costa-marfinense que nunca tinha vencido uma equipa da CONMEBOL em Mundiais, ao passo que os equatorianos chegaram à América do Norte com a melhor defesa da sua fase de qualificação, com apenas cinco golos sofridos em 18 jogos.
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“O meu objetivo é chegar longe nesta competição com a minha equipa. Não estamos nos EUA de férias. Acredito que a Costa do Marfim tem potencial para alcançar algo excecional. Por que não apontar para a final? Vai ser uma batalha. Assim que estivermos bem organizados defensivamente, gosto de dar liberdade aos meus jogadores. Gosto de jogadores que sabem criar jogadas, que têm imaginação e que não fazem sempre a mesma coisa. Hoje em dia, com imagens em vídeo por todo o lado, é muito fácil para os adversários analisarem-nos. Temos de ser imprevisíveis. Acreditamos muito na nossa capacidade e achamos que podemos chegar muito longe”, explicou Emerse Faé, selecionador dos elefantes.
“Este é um grupo 100% empenhado em fazer com que todo o Equador se sinta representado. Estes rapazes sentem-se verdadeiramente orgulhosos com esta camisola e vejo, dia após dia, como se esforçam ao máximo para proporcionar alegrias. Assim, nessa linha de conexão, certamente muitos farão um esforço para estar presentes no estádio, enquanto outros, mesmo estando longe, estarão ligados à televisão, à rádio ou às aplicações, e valorizarão o facto de que, ao longo do tempo, as pessoas que tiveram de emigrar do Equador possam voltar a ligar-se às suas raízes e sentir de perto os seus costumes. Temos um compromisso muito forte, em que os primeiros defesas são os avançados. Gostamos de pressionar à frente, de estar muito próximos e de intercetar passes que possam ser perigosos”, disse, por sua vez, Sebastián Beccacece, líder da tricolor.
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Para a estreia no Campeonato do Mundo, Faé lançou de início o gilista Ghislain Konan e o futuro ex-portista Seko Fofana, optando por deixar o sportinguista Ousmane Diomande e Jean-Michaël Seri, que passou por FC Porto e P. Ferreira. Nesse sentido, a Costa do Marfim entrou em campo assente num 4x4x2, com Nicolas Pépé e Elye Wahi no ataque. Por seu turno, Beccacece optou por deixar a pérola Kendry Páez no banco, com Willian Pacho e Piero Hincapié a juntarem-se na linha defensiva de cinco, ao passo que o experiente Enner Valencia foi a referência ofensiva, ao lado do ex-leão Gonzalo Plata, com o ex-Boavista Jackson Porozo no banco.
O arranque do jogo trouxe muitas disputas a meio-campo e a tri a tentar pressionar alto os elefantes. Nesse sentido, John Yeboah armou o primeiro remate do jogo, de meia-distância, com a bola a sair por cima (14′). Na resposta, Franck Kessié encontrou Bazoumana Touré solto na meia-esquerda, dentro da área, com o avançado a desferir um remate cruzado, de primeira, para uma grande defesa de Hernán Galíndez que o árbitro não viu (17′). No lance seguinte, Wahi apareceu isolado e com espaço, mas o guarda-redes defendeu facilmente (18′). Na resposta, Yeboah repetiu o movimento de fora para dentro, concluído com um grande remate, forte e colocado, à barra da baliza marfinense (24′). Pouco depois, Plata isolou Alan Minda com um passe rasteiro em profundidade, mas o remate do ala voltou a ser parado pela trave (30′). O intervalo acabou por chegar num período mais incaracterístico, com faltas e duelos físicos (0-0).
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Na etapa complementar, o Equador não precisou de esperar mais tempo para voltar a acertar nos ferros, com Enner Valencia a combinar com Gonzalo Plata para desbloquear a primeira jogada, acertando depois no poste, sem ângulo para fazer o remate (46′). Na outra baliza continuou a sessão de tiros ao travessão, com Elye Wahi a desviar depois de uma grande jogada de Yan Diomande na direita (52′). Já com Nilson Angulo, Ange-Yoan Bonny, Amad Diallo, Angelo Preciado e Porozo em campo, Preciado serviu Plata à entrada da área e o avançado de 25 anos desferiu um remate forte que obrigou Yahia Fofana a aplicar-se (68′). Para a parte final entraram Christ Oulaï, Ibrahim Sangaré e Kevin Rodríguez, a tempo de verem mais uma grande arrancada de Diomande, que terminou com Konan a desperdiçar o golo que podia ser da vitória (83′), antes de Odilon Kossounou também entrar. Em cima do minuto 90, Wilfried Singo soltou-se das amarras de central e arrancou pela direita, cruzou para a entrada da área, onde Diallo apareceu a finalizar de primeira, colocado, para o golo do triunfo (90′).
A estrela
- É um dos craques do momento no futebol europeu e mostrou o porquê na sua estreia em Campeonatos do Mundo. Yan Diomande foi a grande figura do ataque da Costa do Marfim frente ao Equador, acabando por banalizar Piero Hincapié no lado direito do seu ataque, causando muitas dificuldades ao defesa do Arsenal, que foi quase sempre ultrapassado em velocidade e pelo drible do extremo do RB Leipzig. Perdeu-se quando passou para o lado esquerdo, onde mostrou menos rendimento, ainda que essa mudança tenha beneficiado a sua equipa.
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O joker
- Foi precisamente com Amad Diallo (e Wilfried Singo) que a Costa do Marfim desbloqueou o jogo no fim e chegou à vitória, com o avançado do Man. United a revelar-se decisivo. Apesar de ter sido apontado à titularidade, Diallo teve de esperar quase uma hora para ser chamado à ação e acabou por não desiludir a aposta de Emerse Faé.
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A sentença
- Como se esperava, a Alemanha é a grande favorita a terminar o grupo E no topo da classificação, seguindo nessa posição no final da primeira jornada, mas com a companhia da Costa do Marfim que, para já, está ao nível de uma das melhores seleções do torneio. Acima disso, os marfinenses deram um passo importante rumo à conquista do segundo lugar e continuam com os 16 avos de final em vista, ao contrário do Equador, que precisa de um bom resultado frente aos alemães para sonhar com a ultrapassagem à equipa africana.
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A mentira
- Em termos práticos, o duelo entre Costa do Marfim e Equador foi aquilo que se esperava: intenso, entusiasmante e com as duas equipas em busca da vitória. Contudo, só ao minuto 90 é que teve um golo, tendo ameaçado tornar-se na primeira partida deste Mundial a terminar em branco. Na retina ficam as quatro bolas nos ferros, três delas da baliza marfinense, com três a embaterem na trave e uma no poste. Nos nove jogos anteriores houve apenas duas bolas nos ferros…
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