Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo na ilha de Arousa, em Pontevedra, na Galiza, Espanha, em terra e no mar, para exigir o fim dos projetos de uma fábrica de celulose em Lugo e de uma mina na Corunha.
Segundo a agência de notícias espanhola Efe, cerca de 10 mil pessoas exigiram que a Junta da Galiza rejeite “de uma vez por todas” aquela infraestrutura industrial da Altri, projetada para Palas de Rei, e a mina de cobre de Touro-O Pino, numa manifestação convocada por várias plataformas cívicas.
O presidente de uma das plataformas, Xaquín Rubido, citado pela Efe, acusou o presidente da Junta da Galiza, Alfonso Rueda, de estar “decidido a sacrificar o rio Ulla e a ria de Arousa para beneficiar alguns privilegiados”, e de querer “vender a Galiza ao desbarato” e alterar o “modo de vida” dos galegos.
Marta Gontá, outra representante também citada pela Efe, lembrou que o projeto da fábrica de celulose “não cumpre os requisitos técnicos nem possui licença social”, acrescentando que a empresa promotora “mente” e traz consigo “a peste”.
Quanto à mina de cobre, a porta-voz da Plataforma Vecinal Mina de Touro-O Pino Non, Che Cancelo, recordou que já passaram nove anos de luta e garantiu que “não se trata apenas de um conflito local”, mas também de uma questão “ambiental, territorial, social e económica”, que “continua mais viva do que nunca”.
Segundo Cancelo, o projeto da Cobre San Rafael para reabrir a exploração “é o mesmo” que a Junta rejeitou há alguns anos, mas agora a administração galega recusa dizer-lhe “não outra vez”.
A 20 de fevereiro, a Junta da Galiza anunciou o início do arquivamento do processo da fábrica prevista para Palas de Rei, por considerar que a empresa não conseguiu justificar a ligação elétrica necessária ao projeto, após a central ter ficado fora do planeamento energético estatal até 2030.
Entretanto, o jazigo de cobre de Touro foi declarado estratégico e está em tramitação um novo projeto apresentado pela Cobre San Rafael, depois de uma proposta anterior ter sido rejeitada devido a pareceres ambientais desfavoráveis.