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Procurador-geral do Texas investiga FIFA por alegada venda enganosa de bilhetes

Primeiro foram Nova Iorque e Nova Jérsia, agora é o Texas, onde o procurador-geral acabou de vencer a primeira de duas corridas ao Senado e poderá ter algumas razões políticas para se fazer ouvir.

Manuel Conceição Carvalho
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O gabinete do Procurador-Geral do Texas, Ken Paxton, abriu, a 9 de junho, uma investigação à FIFA por alegadas práticas enganosas na venda de bilhetes para o Mundial-2026. A entidade recebeu queixas de adeptos que compraram lugares anunciados como de categoria premium e, ao receberem os bilhetes, perceberam que não correspondiam ao prometido.

A investigação no Texas não é um caso isolado. De acordo com Joseph Morton, jornalista do Dallas Morning News, têm surgido processos semelhantes noutros estados, como Califórnia e Nova Iorque. A proteção do consumidor é uma das funções habituais destes gabinetes – mas o jornalista destacou na Fox 5 uma particularidade: Ken Paxton é atualmente o candidato republicano ao Senado dos EUA pelo Texas, depois de ter vencido as primárias frente ao senador John Cornyn em maio. O gabinete de Paxton tem multiplicado comunicados sobre investigações e processos durante a campanha. A maioria tem como alvo questões de imigração, mas, segundo Morton, ir atrás de instituições poderosas como a FIFA pode ser também politicamente vantajoso, numa altura em que a frustração com este tipo de instituições atravessa o espectro político.

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No centro da polémica está o sistema de bilhética da FIFA para o torneio. A venda começou com sorteios aleatórios, nos quais os adeptos se inscreviam sem garantia de conseguir bilhete. Os preços, por sua vez, seguem um modelo dinâmico – usado por esta organização por primeira vez num Mundial –, em que os valores sobem ou descem em função da procura, à semelhança do que acontece com voos ou quartos de hotel. Os lugares estão ainda divididos em várias categorias, da mais básica à premium, com a categoria 1 a corresponder, em teoria, aos melhores assentos do estádio. Adeptos que adquiriram bilhetes de categoria premium – supostamente os melhores lugares dos estádios – alegam ter recebido lugares que não correspondiam ao anunciado. Em resposta, a FIFA argumenta que os mapas de assentos disponibilizados eram apenas indicativos, e não a localização exata dos lugares.

A investigação vai além de uma manobra de imagem. “A FIFA é uma instituição poderosa a nível global, mas continua sujeita às leis de proteção do consumidor”, afirmou, revelando ainda que poderá haver um acordo, com a FIFA a compensar os adeptos pelos lugares que efetivamente receberam, mesmo não havendo uma mudança nos próprios lugares, pela proximidade temporal das próximas partidas.

O problema já não é novo. Duas semanas antes, a 27 de maio, as Procuradoras-gerais de Nova Iorque e Nova Jérsia, Letitia James e Jennifer Davenport, respetivamente, tinham anunciado uma investigação semelhante, com pedido de documentos à FIFA sobre as suas práticas de preços de bilhetes — incluindo até onde foi permitido que os valores subissem. O pedido centra-se especificamente nos jogos do Mundial a realizar-se no antigo MetLife Stadium, incluindo a final, a 19 de julho.

Parte dessa investigação foca-se nas mesmas alegações: adeptos que dizem ter sido induzidos em erro sobre a localização dos seus lugares. Durante a venda inicial de bilhetes, os mapas da FIFA dividiam os estádios em categorias, sendo a categoria 1 a que oferecia os melhores lugares. Segundo a investigação, a FIFA alterou esses mapas depois de muitos adeptos já terem comprado bilhetes, fazendo com que alguns acabassem com lugares longe do campo atrás das balizas. A investigação abrange ainda a criação de uma nova categoria de bilhetes, com um preço significativamente mais elevado.

James afirmou que os adeptos deveriam ter sido informados antecipadamente sobre os preços, e que deveriam poder confiar que os bilhetes que compram são os que recebem. A FIFA defende que está apenas a aplicar preços de mercado, dado tratar-se do evento desportivo mais valioso do mundo – e este Mundial marca a primeira vez que a organização recorre a preços dinâmicos. Por enquanto, a FIFA ainda não comentou nenhuma das duas investigações.

A mais recente investigação “determinará se as declarações da organização a respeito da localização e das categorias dos assentos violaram o Código Comercial do Texas e se a FIFA apresentou informações enganosas aos consumidores no momento da compra”, lê-se no comunicado do gabinete do procurador-geral do Texas.