(c) 2023 am|dev

(A) :: Violência em Genebra na véspera da cimeira do G7. Montras partidas e carros incendiados apesar de forte vigilância

Violência em Genebra na véspera da cimeira do G7. Montras partidas e carros incendiados apesar de forte vigilância

França recusou autorizar protestos no seu território. Genebra acolheu a marcha do movimento "No G7" — e assistiu a vandalismo e violência apesar de 4.000 elementos mobilizados para a segurança.

Agência Lusa
text
João Paulo Godinho
text

Milhares de manifestantes protestaram este domingo em Genebra para demonstrar o seu descontentamento contra a cimeira do G7. Apesar da forte vigilância policial, na véspera da cimeira que se vai realizar na cidade de Évian-les-Bains, em França, as ruas da cidade suíça já assistiram a momentos de violência e tensão, com montras e a janela de um banco partidas e carros incendiados.

Os confrontos surgiram entre manifestantes e a polícia perto da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), na cidade suíça, segundo jornalistas da AFP. Os manifestantes atiraram garrafas, pedras, pedaços de cimento e artigos pirotécnicos contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo. Vários edifícios também foram alvo dos protestos, incluindo os escritórios da PricewaterhouseCoopers (PwC) e a sede da União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Autodenominados ambientalistas e feministas uniram-se num parque a opositores do imperialismo, defensores da imprensa independente, apoiantes dos direitos palestinos, entre outros, para realizar uma marcha, enquanto um barco com a inscrição “Não ao G7” flutuava no lago de Genebra. Os bombeiros foram chamados devido a um carro em chamas a poucos minutos do trajeto da marcha, enquanto a polícia isolava uma área segura para que pudessem trabalhar.

Noutro ponto do percurso da marcha, as barreiras de madeira de uma agência do Banque du Leman foram derrubadas e as janelas quebradas. Alexandre Brahier, porta-voz da polícia de Genebra, disse que cerca de 7.000 pessoas participavam na marcha, mas recusou-se a indicar quantas foram detidas, dizendo que a polícia estava a aguardar para ter uma visão completa da situação. A manifestação partiu pouco depois das 15h30 em Genebra (14h30 em Lisboa) das margens do lago e uma hora depois o número de manifestantes tinha aumentado para aproximadamente 15.000, segundo jornalistas da AFP.

Entre a multidão, havia um grupo de cerca de 15 jovens usando casacos pretos com capuz e máscaras, reunidos atrás de uma faixa anti-Trump. Cartazes com as inscrições “Antissemita nunca, antissionista sempre” também podiam ser vistos.

Os organizadores do protesto imprimiram um manual para os manifestantes que incluía um mapa do perímetro de segurança, dicas sobre como se preparar para a marcha e conselhos sobre como se comportar caso fossem detidos pela polícia.

Genebra preparava-se há semanas para esta marcha cidadã, tendo em vista evitar atos de violência, vandalismo ou sabotagem que frequentemente marcam estes eventos. A cimeira do grupo das sete economias mais industrializadas do mundo será realizada até quarta-feira na cidade de Évian-les-Bains, a 45 quilómetros de Genebra.

O Governo francês manteve a sua recusa em autorizar uma manifestação no seu território. Por isso, o grupo organizador “No G7” (composto por mais de 60 associações, sindicatos e grupos de esquerda) solicitou às autoridades de Genebra que permitissem a realização do evento.

Após negociações infrutíferas entre a Suíça e a França, as autoridades de Genebra, com o apoio do Governo central, finalmente concordaram em acolher a manifestação, embora os franceses nem sequer tenham concordado em contribuir para os custos de segurança.

Genebra, considerada uma “cidade internacional” e o coração do multilateralismo, por ser a sede europeia da Organização das Nações Unidas (ONU) e de dezenas de outras organizações internacionais, sentiu-se na obrigação moral de garantir a liberdade de expressão e o direito de manifestação, explicou Carole-Anne Kast, do governo cantonal de Genebra.

Numerosos grupos de vários países europeus confirmaram a presença na marcha e chegaram a Genebra, onde foram impostas medidas de segurança rigorosas e 21 das suas 26 passagens de fronteira com a França foram fechadas para controlar a entrada.

Além disso, 4.000 militares foram mobilizados para apoiar as forças policiais.

Embora as manifestações contra o G7 tenham variado em tamanho e atraído diferentes níveis de atenção nos últimos anos, o precedente mais violento é o do G8 (na época, a Rússia fazia parte) de 2003, que também ocorreu em Évian, embora a manifestação daquela ocasião também tenha acontecido em Genebra, onde houve extensos danos materiais causados por grupos extremamente violentos.

As autoridades impuseram um percurso que restringe a passagem dos manifestantes ao longo da margem direita do lago de Genebra, impedindo-os de atravessar a icónica Ponte do Mont Blanc, uma medida solicitada pelos organizadores que os mantém afastados do centro da cidade, embora passem pela sede da ONU.

Nas proximidades fica a Organização Mundial do Comércio (OMC), que reforçou a sua segurança por ser considerada um símbolo do capitalismo e do livre mercado, e que já foi alvo de manifestações violentas no passado.

Dezenas de lojas no centro de Genebra fecharam as suas montras com tapumes em antecipação a possíveis distúrbios.