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Mundial-2026. A primeira fase final que tem oito jogadores acima dos 40 anos (e com várias explicações para isso)

Pela primeira vez, o Mundial reúne oito convocados com 40 ou mais anos. Este recorde inédito baseia-se, segundo especialistas, nos avanços da medicina desportiva e no uso da inteligência artificial.

Mariana Carrilho
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O Mundial de 2026 está a fixar um novo padrão na longevidade do futebol profissional. Se nas 22 edições anteriores da competição apenas sete futebolistas tinham conseguido somar minutos com mais de 39 anos, a presente edição supera os registos ao incluir oito veteranos inscritos nas seleções.

Para Carlos Villarón, doutorado em fisioterapia e professor da Universidade Europeia de Valência, a ciência desempenhou um papel fundamental na extensão de carreira dos atletas. “Agora eles têm um bom treino, uma recuperação muito boa e, em geral, cuidam muito melhor de si mesmos do que antes”, explicou, citado pelo El País.

Para além da preparação assegurada pelas seleções, tornou-se comum os futebolistas de elite terem nutricionistas, fisioterapeutas e preparadores físicos individuais. A estas rotinas rigorosas somam-se suplementos de última geração, como os géis de lactato para acelerar a recuperação entre os jogos.

Segundo Alejandro López, especialista em Ciências do Desporto da Universidade CEU Cardenal Herrera de Castellón, a inteligência artificial também contribuiu para a longevidade, permitindo um maior controlo sobre a informação fisiológica dos jogadores: “Há equipas que contrataram profissionais de IA para gerir todos esses dados”.

Dos oito jogadores que superam as quatro décadas de vida na competição, cinco são guarda-redes. O escocês Craig Gordon, com 43 anos, é o convocado mais velho. Se somar minutos, entrará na história como o segundo jogador mais velho a pisar o relvado – superado apenas pelo egípcio Essam El Hadary, que jogou aos 45 anos em 2018, conforme regista a FIFA.

https://observador.pt/2026/06/11/mundial-2026-craig-gordon-o-jogador-mais-velho-do-mundial-arriscou-morrer-para-conseguir-jogar/

A lista de guarda-redes com 40 ou mais anos fica completa com o mexicano Guillermo Ochoa, o uruguaio Fernando Muslera, o cabo-verdiano Vozinha e Manuel Neuer, da Alemanha, como enumerou a BBC. Ao contrário do que acontecia no passado, em que os atletas mais velhos podiam ter papéis secundários ou de bastidores, os quarentões deste Mundial assumem-se como figuras nucleares. Cristiano Ronaldo, que cumpre o seu sexto Mundial, mantém-se como a grande referência ofensiva de Portugal. De maneira semelhante, Luka Modric continua a ditar o ritmo do meio-campo da Croácia e Edin Dzeko, também com 40 anos, é o capitão e o avançado de referência da Bósnia e Herzegovina.

O torneio conta ainda com mais de duas dezenas de atletas com pelo menos 38 anos, incluindo o argentino Leo Messi, consolidando a tendência de que a idade já não é um fator de exclusão do futebol mundial de topo. Ainda assim, apesar de todos os avanços, será difícil superar o recorde do camaronês Roger Milla, que foi o jogador mais velho a marcar, com 42 anos e 39 dias em 28 de junho de 1994.