O Campeonato do Mundo de 2026, que tem o México como um dos anfitriões com EUA e Canadá, está a gerar preocupação no tecido empresarial mexicano devido ao impacto na produtividade das empresas projetado no país. De acordo com as estimativas, a realização do torneio aporta riscos de perdas de produtividade de cerca de 76 horas por trabalhador no México.
O número baseia-se na calendarização da prova: dos 72 jogos agendados para a fase de grupos, pelo menos 38 serão disputados em horário de expediente. O facto de o México ser um dos países anfitriões potencia este cenário, já que “gera maior expetativa e também a distração de querer ver os jogos”, destaca Cecilia Carrillo López, diretora de Nuevo León da Coparmex (Confederação Patronal da República Mexicana) – a principal associação patronal do México –, citada pelo Milenio.
O cálculo das 76 horas perdidas tem em conta que cada uma dessas 38 partidas terá uma duração média de 120 minutos, período durante o qual funcionários de diversos níveis, incluindo cargos diretivos, estarão focados na competição, de acordo com o mesmo jornal.
Para o dia da cerimónia de inauguração do Mundial, na última quinta-feira, Claudia Sheinbaum, presidente do México, publicou um decreto oficial no Diario Oficial de la Federación (DOF) que formalizava medidas administrativas excecionais. O Governo mexicano aprovou a implementação obrigatória de teletrabalho para a função pública e a suspensão das aulas em todo o país, com o objetivo de facilitar a mobilidade urbana perante a afluência esperada no Estádio Azteca.
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No entanto, o decreto, além de ser apenas aplicável ao primeiro dia de prova, não previa uma imposição legal para o setor privado, deixando a cargo de cada empresa a decisão de ajustar ou não o seu funcionamento.
Apesar dos riscos para a produção, o setor empresarial demonstra abertura para incluir o entusiasmo nacional em torno do Campeonato do Mundo. “Sabemos que as empresas já estão a considerar alternativas e mecanismos de trabalho que facilitem aos trabalhadores desfrutar também do Mundial, estão a prever situações”, referiu Carrillo López. Entre os mecanismos propostos figuram a adoção de modelos híbridos, o recurso ao home office e a flexibilidade de horários para os colaboradores, refere o El Economista.
No entanto, a Confederação de Câmaras Industriais (Concamin) afirmou que existem setores estratégicos onde a presença física dos trabalhadores é inegociável para garantir a continuidade económica e o abastecimento. Áreas como unidades industriais, processos produtivos contínuos, logística, transporte e segurança industrial deverão manter o regime presencial, segundo o mesmo jornal.
A mesma responsável lançou ainda um aviso sobre a necessidade de manter o ritmo produtivo, sublinhando a “situação de debilidade económica que o México atravessa”. A par da quebra de produtividade, há ainda alertas para um possível aumento da inflação, que poderá atingir os 4,2% no final do ano devido ao chamado “efeito Mundial”.