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Suíça. Mais de 54% dos eleitores votaram contra limitar a população a 10 milhões de habitantes

"Não" no referendo terá somado mais de 54% dos votos. No entanto, eleitores terão dado aval a outra proposta que se destina a tornar o serviço civil menos apelativo.

João Paulo Godinho
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Agência Lusa
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Larissa Faria
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A Suíça foi a votos durante este fim de semana e decidiu que o país não deve limitar a população a 10 milhões de habitantes. Mais de 54% dos eleitores votaram contra a proposta. “Com a decisão de hoje, os cidadãos enviaram um sinal de estabilidade, abertura e confiabilidade”, disse o ministro suíço da Justiça e da Polícia, Beat Jans, em conferência de imprensa após o anúncio do resultado, segundo o Le Figaro.

De acordo com a Swissinfo, a votação nas mesas de voto encerrou ao meio-dia deste domingo, tendo a sondagem à saída das urnas realizada pelo instituto Gfs.bern indicado que a rejeição dos eleitores à limitação da população recolheria 55% dos votos, contra 45% de eleitores que terão validado a proposta impulsionada pelo Partido Popular Suíço.

https://observador.pt/2026/06/13/suica-decide-em-referendo-limitacao-da-populacao-a-10-milhoes-de-habitantes/

Caso o “sim” à limitação vencesse a votação, o Governo suíço ficaria obrigado a adotar medidas para travar o crescimento da população até 2050, não permitindo que fosse ultrapassado o limiar dos 10 milhões. Entre as medidas preconizadas incluíam-se ainda restrições ao reagrupamento familiar, às autorizações de residência e ao deferimento de pedidos de asilo, se fossem atingidos os 9,5 milhões de habitantes até essa data.

O cenário poderia, todavia, traduzir-se em medidas mais drásticas, como a rescisão do acordo de livre circulação do país com a União Europeia, se o país superasse a fasquia dos 10 milhões. Isso significaria que a Suíça deixaria de ter acesso ao mercado único comunitário.

O plebiscito voltou a evidenciar a divisão entre zonas urbanas e rurais, com destaque para o cantão de Appenzell Innerrhoden, no nordeste, onde residem poucos estrangeiros e cerca de 66% dos votantes aprovaram a proposta. Essa divisão foi evidenciada pelo presidente do Partido Popular Suíço, Marcel Dettling.

“O campo disse claramente ‘sim’, mas foram as cidades que fizeram pender a balança”, disse o dirigente político à rádio pública suíça SRF. Independentemente da rejeição da proposta neste domingo, Marcel Dettling sublinhou que os problemas continuam e, por isso, deixou um apelo ao Governo e a outras forças políticas que se opunham à limitação da população: “Exorto aqueles que hoje estão a comemorar a enfrentarem estes problemas”.

https://twitter.com/swissinfo_en/status/2066099419951280158

Segundo dados oficiais, a população suíça é atualmente estimada em cerca de 9,1 milhões de habitantes com mais de um quarto de origem estrangeira — participou na eleição cerca de 57% da população. A iniciativa previa que, caso o país atingisse 9,5 milhões de habitantes antes de 2050, o executivo fosse obrigado a adotar medidas corretivas na política migratória.

Em paralelo, uma outra proposta — igualmente à votação em referendo — sobre tornar a reforma do serviço civil menos apelativa deverá ser aprovada com 53% dos votos, embora ainda muito próxima da margem de erro de dois pontos percentuais.

A Suíça realiza referendos federais com regularidade, geralmente quatro vezes por ano, permitindo aos eleitores decidir diretamente sobre iniciativas legislativas e constitucionais. A imigração tem sido um tema recorrente no debate político suíço, com várias propostas restritivas apresentadas nas últimas décadas, embora poucas tenham sido aprovadas.

(Artigo atualizado às 18h45 com mais informações)