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Mundial 2026. Anúncios nos jogos geram queixas sobre "americanização" do futebol

A revolta dos adeptos surgiu logo no primeiro dia do Mundial, com acusações à Fox de estar a descaracterizar a alma do futebol com publicidade nas pausas de hidratação.

Mariana Carrilho
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O arranque do Mundial 2026 está a ser marcado por uma polémica devido à transmissão televisiva da estação norte-americana Fox. Durante a partida inaugural entre o México e a África do Sul, a empresa aproveitou as pausas de hidratação para emitir anúncios.

A proteção da saúde dos jogadores é o principal objetivo destas paragens obrigatórias de três minutos, introduzidas pela FIFA. No entanto, de acordo com o El Mundo, isto criou mais de 800 novos espaços publicitários para as televisões, algo criticado pelos fãs do Mundial. Na raiz do descontentamento está o facto de estes anúncios estarem a quebrar uma das tradições mais sagradas do futebol: os 45 minutos de jogo contínuo. Ao introduzir publicidade a ecrã inteiro a meio de cada parte, a transmissão televisiva gera a sensação de que a modalidade foi retalhada, transformando o desporto num espetáculo interrompido e moldado ao ritmo do basquetebol ou do futebol americano.

Se este novo formato já incomodava os adeptos, a polémica escalou quando a Fox falhou o direto e regressou dos anúncios após o jogo ter recomeçado. Quando o sinal voltou a funcionar, a bola já estava em jogo há quase dez segundos. Este atraso violou o protocolo da FIFA, que obriga as televisões a estarem em direto pelo menos 30 segundos antes do recomeço da partida.

Figuras lendárias do futebol norte-americano reagiram com dureza nas redes sociais à introdução de anúncios a meio de jogos. Alexi Lalas ironizou a situação no X ao publicar “fim do primeiro quarto, México 1 África do Sul 0”. A ex-estrela Carli Lloyd respondeu a esta publicação, destacando que odeia o novo formato. As pausas estão ainda a ser utilizadas pelos treinadores como descontos de tempo táticos, segundo o The Independent, que destaca ser possível ver ambos os técnicos a dar instruções na linha lateral enquanto os seus jogadores se reabastecem.

https://twitter.com/AlexiLalas/status/2065155063186936180

Ao contrário da Fox, a estação Telemundo recusou cortar o sinal durante as paragens. A cadeia manteve a transmissão em direto com análises técnicas, agradecendo publicamente aos patrocinadores por permitirem focar a emissão no relvado, onde os jogadores se limitavam a beber água.

A final do Mundial em New Jersey terá um intervalo de meia hora, o dobro da duração normal de uma partida de futebol, para acomodar um espetáculo visual e musical parecido ao da Super Bowl. Segundo o The New York Times, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, já disse que o Mundial é equivalente a “104 Super Bowls”, mas vários adeptos estão a contestar a “americanização” do futebol.

Além do debate comercial, cresce também a preocupação com os fortes constrangimentos de segurança em torno da figura de Donald Trump, explicou o El Mundo. O presidente norte-americano não foi ao jogo de abertura, mas a sua presença noutras partidas — como aconteceu no Mundial de Clubes de 2025 ou nas finais da NBA — ameaça alterar os protocolos e forçar atrasos nos horários dos jogos devido a perímetros de segurança extremos.