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686 dias depois, Lewis voltou a ser Lewis (e ganhou): Hamilton bate Mercedes em Barcelona com triunfo assente em três paragens

Hamilton não conseguiu superar Russell no arranque, arriscou estratégia de três paragens e, com safety car virtual pelo meio, fez vingar a crença antes da desistência no final do líder Kimi Antonelli.

Bruno Roseiro
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Começou a todo o gás na Austrália, terminou na segunda posição na China, foi começando a “afundar-se” à mesma velocidade com que Kimi Antonelli chegava ao topo para reclamar vários recordes de precocidade (ao mesmo tempo que multiplicava as comparações com Ayrton Senna, acrescente-se). Numa época onde não se demorou a perceber que os Mercedes estavam a andar mais do que a concorrência incluindo a McLaren do campeão Lando Norris, o britânico apostava tudo para conquistar o seu “espaço” e suceder ao compatriota. Agora, e depois de outra prova frustrante no Mónaco, apostava tudo para recuperar esse trajeto inicial.

https://observador.pt/2026/06/07/o-arranque-limpo-tornou-se-o-arranque-magico-kimi-antonelli-e-o-piloto-mais-jovem-de-sempre-a-ganhar-no-monaco/

Se no Principado os primeiros treinos ainda levantaram dúvidas sobre a capacidade que os Ferrari poderiam ter para serem mais fortes do que o melhor Mercedes (neste caso, Kimi Antonelli), em Barcelona, no agora rebatizado Grande Prémio de Barcelona-Catalunha não houve grandes dúvidas: do início ao fim, Russell foi o melhor e chegou de forma natural à pole position numa sessão onde Lewis Hamilton acabou por ser a maior surpresa com o segundo tempo à frente de Kimi Antonelli (e com Charles Leclerc a ter uma saída de pista na Q3 que o deixou na décima posição e a pedir desculpa a todos na Ferrari pelo sucedido). Os dados estavam lançados, com o britânico a ter todas as condições para aproveitar o ritmo rápido para voltar aos triunfos.

“O fim de semana tem sido ótimo até agora. Sinto-me novamente eu, a fazer o meu trabalho a cada volta, a lutar sempre pelas primeiras posições. As últimas corridas, por vários motivos, não foram muito favoráveis ​​para nós mas cheguei a este fim de semana com a cabeça no lugar, senti-me bem e é ótimo estar na pole position. Vai ser uma corrida interessante, o Lewis fez um trabalho incrível para lá chegar. Foi uma verdadeira surpresa. Pensávamos que a disputa seria entre nós e a McLaren mas o Lewis esteve rápido durante toda a sessão. Tenho a certeza de que teremos uma disputa renhida mas sinto-me preparado”, comentara o piloto da Mercedes, entre as muitas cautelas do diretor da equipa inglesa, Toto Wolff.

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“É preciso levar o Lewis em conta e foi isso que ele fez hoje [sábado]. Se não houvesse um pequeno erro no final, ele seria um décimo e meio mais rápido do que nós. Acho que tudo vai ser decidido na degradação dos pneus e fomos bastante bons nos long runs mas tudo depende da largada. Se o Lewis estiver na frente após a saída, vai ser difícil para todos”, salientara Toto Wolff, que trabalhou durante vários anos com Hamilton. Todos os pormenores contavam depois das diferenças em algumas fases mínimas das principais equipas, com a gestão dos pneus perante as altas temperaturas em pista e a parte tática a terem grande influência numa prova com algumas caras conhecidas dos portugueses, neste caso o avançado grego Fotis Ioannidis, do Sporting, que aproveitou as férias para deslocar-se a Barcelona e esteve no paddock com Lando Norris.

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Se no Mónaco Kimi Antonelli foi-se embora e andou entretido a lutar quase contra si próprio num autêntico show pelo circuito citadino, aqui a saída teria um papel preponderante no resto da prova. E foi aí que, em menos de dez segundos, Russell conseguiu superar aquilo que seria o primeiro grande obstáculo: o piloto britânico segurou o primeiro lugar frente a um Lewis Hamilton que dava tudo para aproveitar o cone de aspiração e chegar à liderança, começou depois a ganhar uma pequena vantagem na frente e as dez voltas iniciais tiveram apenas como história a descida de Isack Hadjar de sexto para 13.º enquanto Charles Leclerc saltou de décimo para sétimo. Afinal, Barcelona teve menos história do que se pensava na largada.

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A corrida só voltou a mexer na 12.ª volta, quando Lewis Hamilton quis mexer nas contas das estratégias das principais equipas, nomeadamente da Mercedes e da McLaren, e passou logo pelas boxes. Todos acabaram por parar pouco depois, mantendo-se o top 7 com Russell, Hamilton, Antonelli, Lando Norris (que ainda foi apertando o Mercedes nas voltas iniciais antes de perder ritmo para aspirar subir ao terceiro lugar), Max Verstappen, Leclerc e Oscar Piastri, que não teve argumentos para responder ao ataque do monegasco. Lá atrás, muito mais atrás, as primeiras desistências dos suspeitos do costume: Lance Stroll e Valtteri Bottas. Também Hadjar continuava a sua recuperação, chegando à nona posição a olhar para o top 8 que deixaria todas as quatro principais equipas com os seus pilotos nos oito lugares da frente da corrida.

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Perto da volta 30, uma “novidade” que se percebeu pelas comunicações dos rádios: perante as três paragens de Hamilton pensadas pela Ferrari, a preocupação da Mercedes parecia prender-se mais com Lando Norris do que com o britânico, que após nova passagem pelas boxes entrou em quinto atrás de Leclerc. Já Russell, que ficara em 1-2 com Kimi Antonelli, rodava com pouco mais de um segundo de diferença mas percebia que o italiano ia com tudo enquanto Hamilton falava com a equipa pela rádio deixando nas entrelinhas essa confiança de que podia fazer vingar a sua estratégia. Os dois Mercedes andavam em despique direto, Lewis Hamilton esfregava as mãos porque estava a voar com o novo conjunto de médios e tinha ainda Leclerc para ser jogado pela equipa consoante aquilo que fosse mais ou menos comveniente como “tampão”.

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Foi aí, na 41.ª volta, que Fernando Alonso saiu de pista, tornando-se a quinta desistência depois de Stroll, Bottas, Hulkenberg e Alexander Albon. A chave da corrida podia estar nessa entrada de safety car virtual, com a Ferrari a conseguir trazer Hamilton para uma terceira paragem saindo na mesma à frente de George Russell e Kimi Antonelli. A ideia de Lando Norris poder ser uma sombra para os Mercedes já tinha passado, a possibilidade de haver um regresso às vitórias de Hamilton começava a ganhar forma. Mais: a 13 voltas do final, o próprio Antonelli fez mesmo uma espécie de aviso à equipa dizendo que se a Mercedes quisesse ganhar teria de passar Russell. Quando passou, correu mal. Tão mal que, pouco depois, Kimi foi forçado a desistir, naquela que foi a primeira corrida que não concluiu em 2026. Lá na frente, a história estava feita: naquela que foi a primeira corrida sem vitórias da Mercedes em 2026, Lewis Hamilton conseguiu mesmo carimbar a primeira vitória desde o longínquo dia de 28 de julho de 2024, quando ganhou na Bélgica.