Começou a todo o gás na Austrália, terminou na segunda posição na China, foi começando a “afundar-se” à mesma velocidade com que Kimi Antonelli chegava ao topo para reclamar vários recordes de precocidade (ao mesmo tempo que multiplicava as comparações com Ayrton Senna, acrescente-se). Numa época onde não se demorou a perceber que os Mercedes estavam a andar mais do que a concorrência incluindo a McLaren do campeão Lando Norris, o britânico apostava tudo para conquistar o seu “espaço” e suceder ao compatriota. Agora, e depois de outra prova frustrante no Mónaco, apostava tudo para recuperar esse trajeto inicial.
https://observador.pt/2026/06/07/o-arranque-limpo-tornou-se-o-arranque-magico-kimi-antonelli-e-o-piloto-mais-jovem-de-sempre-a-ganhar-no-monaco/
Se no Principado os primeiros treinos ainda levantaram dúvidas sobre a capacidade que os Ferrari poderiam ter para serem mais fortes do que o melhor Mercedes (neste caso, Kimi Antonelli), em Barcelona, no agora rebatizado Grande Prémio de Barcelona-Catalunha não houve grandes dúvidas: do início ao fim, Russell foi o melhor e chegou de forma natural à pole position numa sessão onde Lewis Hamilton acabou por ser a maior surpresa com o segundo tempo à frente de Kimi Antonelli (e com Charles Leclerc a ter uma saída de pista na Q3 que o deixou na décima posição e a pedir desculpa a todos na Ferrari pelo sucedido). Os dados estavam lançados, com o britânico a ter todas as condições para aproveitar o ritmo rápido para voltar aos triunfos.
“O fim de semana tem sido ótimo até agora. Sinto-me novamente eu, a fazer o meu trabalho a cada volta, a lutar sempre pelas primeiras posições. As últimas corridas, por vários motivos, não foram muito favoráveis para nós mas cheguei a este fim de semana com a cabeça no lugar, senti-me bem e é ótimo estar na pole position. Vai ser uma corrida interessante, o Lewis fez um trabalho incrível para lá chegar. Foi uma verdadeira surpresa. Pensávamos que a disputa seria entre nós e a McLaren mas o Lewis esteve rápido durante toda a sessão. Tenho a certeza de que teremos uma disputa renhida mas sinto-me preparado”, comentara o piloto da Mercedes, entre as muitas cautelas do diretor da equipa inglesa, Toto Wolff.
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“É preciso levar o Lewis em conta e foi isso que ele fez hoje [sábado]. Se não houvesse um pequeno erro no final, ele seria um décimo e meio mais rápido do que nós. Acho que tudo vai ser decidido na degradação dos pneus e fomos bastante bons nos long runs mas tudo depende da largada. Se o Lewis estiver na frente após a saída, vai ser difícil para todos”, salientara Toto Wolff, que trabalhou durante vários anos com Hamilton. Todos os pormenores contavam depois das diferenças em algumas fases mínimas das principais equipas, com a gestão dos pneus perante as altas temperaturas em pista e a parte tática a terem grande influência numa prova com algumas caras conhecidas dos portugueses, neste caso o avançado grego Fotis Ioannidis, do Sporting, que aproveitou as férias para deslocar-se a Barcelona e esteve no paddock com Lando Norris.
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Se no Mónaco Kimi Antonelli foi-se embora e andou entretido a lutar quase contra si próprio num autêntico show pelo circuito citadino, aqui a saída teria um papel preponderante no resto da prova. E foi aí que, em menos de dez segundos, Russell conseguiu superar aquilo que seria o primeiro grande obstáculo: o piloto britânico segurou o primeiro lugar frente a um Lewis Hamilton que dava tudo para aproveitar o cone de aspiração e chegar à liderança, começou depois a ganhar uma pequena vantagem na frente e as dez voltas iniciais tiveram apenas como história a descida de Isack Hadjar de sexto para 13.º enquanto Charles Leclerc saltou de décimo para sétimo. Afinal, Barcelona teve menos história do que se pensava na largada.
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A corrida só voltou a mexer na 12.ª volta, quando Lewis Hamilton quis mexer nas contas das estratégias das principais equipas, nomeadamente da Mercedes e da McLaren, e passou logo pelas boxes. Todos acabaram por parar pouco depois, mantendo-se o top 7 com Russell, Hamilton, Antonelli, Lando Norris (que ainda foi apertando o Mercedes nas voltas iniciais antes de perder ritmo para aspirar subir ao terceiro lugar), Max Verstappen, Leclerc e Oscar Piastri, que não teve argumentos para responder ao ataque do monegasco. Lá atrás, muito mais atrás, as primeiras desistências dos suspeitos do costume: Lance Stroll e Valtteri Bottas. Também Hadjar continuava a sua recuperação, chegando à nona posição a olhar para o top 8 que deixaria todas as quatro principais equipas com os seus pilotos nos oito lugares da frente da corrida.
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Perto da volta 30, uma “novidade” que se percebeu pelas comunicações dos rádios: perante as três paragens de Hamilton pensadas pela Ferrari, a preocupação da Mercedes parecia prender-se mais com Lando Norris do que com o britânico, que após nova passagem pelas boxes entrou em quinto atrás de Leclerc. Já Russell, que ficara em 1-2 com Kimi Antonelli, rodava com pouco mais de um segundo de diferença mas percebia que o italiano ia com tudo enquanto Hamilton falava com a equipa pela rádio deixando nas entrelinhas essa confiança de que podia fazer vingar a sua estratégia. Os dois Mercedes andavam em despique direto, Lewis Hamilton esfregava as mãos porque estava a voar com o novo conjunto de médios e tinha ainda Leclerc para ser jogado pela equipa consoante aquilo que fosse mais ou menos comveniente como “tampão”.
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Foi aí, na 41.ª volta, que Fernando Alonso saiu de pista, tornando-se a quinta desistência depois de Stroll, Bottas, Hulkenberg e Alexander Albon. A chave da corrida podia estar nessa entrada de safety car virtual, com a Ferrari a conseguir trazer Hamilton para uma terceira paragem saindo na mesma à frente de George Russell e Kimi Antonelli. A ideia de Lando Norris poder ser uma sombra para os Mercedes já tinha passado, a possibilidade de haver um regresso às vitórias de Hamilton começava a ganhar forma. Mais: a 13 voltas do final, o próprio Antonelli fez mesmo uma espécie de aviso à equipa dizendo que se a Mercedes quisesse ganhar teria de passar Russell. Quando passou, correu mal. Tão mal que, pouco depois, Kimi foi forçado a desistir, naquela que foi a primeira corrida que não concluiu em 2026. Lá na frente, a história estava feita: naquela que foi a primeira corrida sem vitórias da Mercedes em 2026, Lewis Hamilton conseguiu mesmo carimbar a primeira vitória desde o longínquo dia de 28 de julho de 2024, quando ganhou na Bélgica.