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(A) :: Kebab sem recheio leva pontapé de um canguru que não precisa de almofadas e lençóis para estragar a festa (a crónica do Austrália-Turquia)

Kebab sem recheio leva pontapé de um canguru que não precisa de almofadas e lençóis para estragar a festa (a crónica do Austrália-Turquia)

Em Vancouver, a Austrália deu uma lição de eficácia, com uma defesa forte capaz de conter o desorganizado ataque da Turquia e uma ofensiva fulminante que aproveitou as poucas ocasiões que teve (2-0).

Tiago Gama Alexandre
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Confronto de fusos horários. O Campeonato do Mundo também é feito das diferenças horárias a que os países assistem às partidas na América do Norte. Nesse capítulo, Austrália e Turquia surgem separadas por, pelo menos, sete horas, o que fez com que os turcos tivessem de se levantar no final da madrugada para verem o regresso da sua seleção ao Mundial, já que o jogo começou às 7 horas da manhã. Por outro lado, os australianos podiam desfrutar tranquilamente do almoço, já que o duelo de Vancouver arrancou às 14 horas de Camberra… ou às 5 horas da madrugada em Lisboa. Dentro de campo a conversa era outra e esperava-se um dos duelos mais equilibrados desta jornada, apesar de as estrelas crescentes não marcarem presença num Mundial há 24 anos.

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“Os jogadores têm verificado as almofadas, os lençóis, tudo… por isso todos os detalhes foram revistos. Sim, acho que estamos todos prontos. Eles [a Turquia] esperam ganhar e a maioria das pessoas também. Esperam que a Turquia vença a Austrália, não é nada de novo. Portanto, tudo o que podemos fazer é tentar estragar a festa. A Turquia também está sob muita pressão, porque não participa num Mundial desde 2002. Há muita esperança depositada neles e muita pressão. Sabemos que são fortes. Analisámo-los, mas também temos de pensar em nós próprios e em como lhes podemos causar problemas e mostrar o futebol australiano no Mundial. E esse é o nosso objetivo: sermos extremamente competitivos, mostrar que somos uma nação forte e que merecemos ser respeitados. Compreendemos que poucas pessoas têm grandes expectativas em relação a nós, para além do nosso próprio povo, dos nossos meios de comunicação, da nossa equipa e da nossa equipa técnica, mas já estamos habituados a isso”, assumiu Tony Popovic, técnico dos socceroos.

“Sabemos que [a Austrália] é uma equipa física e forte nos cantos e nos livres, porque são altos e fortes, mas acho que vamos dominar o jogo, porque temos mais qualidades e uma equipa mais talentosa, por isso vamos ver o que acontece. Acho que é um grupo bastante equilibrado e todas as quatro equipas esperam conseguir passar da fase de grupos. Sinceramente, não sinto que nenhuma equipa seja mais forte ou mais fraca do que as outras e, se for esse o caso, talvez sejamos nós que possamos ser considerados a quarta equipa do grupo. É algo pelo qual esperamos há 24 anos. Há muita emoção e confiança de que agora vamos ter um bom desempenho. Por isso, sabemos o desafio que enfrentamos, mas queremos aproveitá-lo e garantir que a nação se orgulhe de nós. Sinto essa responsabilidade e sei que temos de dar o nosso melhor. Sinto-a ainda mais porque, para mim, o país é como a minha segunda pátria e a minha paixão pela equipa é total”, revelou Vincenzo Montella.

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A Austrália acabou por apresentar-se com uma novidade na baliza, com Popovic a optar por manter a aposta em Patrick Beach em detrimento do capitão Mathew Ryan. Depois, no ataque, os australianos entraram em campo com Nestory Irankunda e Mohamed Touré como jogadores mais ofensivos do 3x5x2, embora Connor Metcalfe tenha atuado numa função híbrida, com chegada ao ataque. Por outro lado, a Turquia começou com um onze mais ofensivo do que o previsto, com Hakan Çalhanoglu a juntar-se a Ismail Yüksek no meio-campo, atrás do estreante em Mundiais Arda Güler, dos ex-benfiquistas Orkun Kökçü e Kerem Aktürkoglu, e ainda de Baris Yilmaz. O portista Deniz Gül até era apontado ao onze, mas foi relegado para o banco. Como seria de esperar, os turcos assumiram o jogo desde o início, mas apresentaram dificuldades em chegar a zonas de finalização, fruto da circulação lenta da bola. Por outro lado, os australianos baixaram o seu bloco com duas linhas coesas e ameaçaram nas primeiras chegadas ao último terço ofensivo.

A pausa para hidratação — ou publicidade — até fez bem às estrelas crescentes, que criaram a primeira oportunidade com um remate de primeira de Yilmaz para as mãos de Beach (26′). O guarda-redes lançou curto, o ex-Benfica Paul Okon-Engstler acabou por bater longo para o ataque, onde Irankunda apareceu a receber em velocidade, a ultrapassar Merih Demiral e a finalizar para o golo perante a saída de Ugurcan Çakir (27′). No lance seguinte, Abdülkerim Bardakçi armou o remate à entrada da área, com Beach a fazer uma grande defesa, desviando a bola para o poste direito da sua baliza (30′).

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Ao intervalo, Montella lançou de imediato Kenan Yildiz no ataque, mas a primeira ocasião de perigo voltou a pertencer à Austrália, com Aiden O’Neill a cobrar um canto para o segundo poste, onde Harry Souttar apareceu a cabecear de cima para baixo para defesa de Çakir (54′). Na resposta, Güler disparou para a baliza na cobrança de um livre em zona frontal, mas Patrick Beach respondeu ao colega de posição de igual modo (57′). Com a pressão turca a intensificar-se, Nishan Velupillay rendeu o autor do golo e Yunus Akgün entrou para o lugar de Kökçü. Depois da paragem para hidratação da segunda parte, a Turquia criou, finalmente, a sua primeira oportunidade, com Çalhanoglu a descobrir Zeki Çelik nas costas da defesa, mas o remate do lateral, com pouco ângulo, foi travado por Beach (72′). Popovic respondeu com as entradas de Jason Geria e Tete Yengi, e a sua equipa deu nova lição de eficácia, com Metcalfe a receber à entrada da área depois de um corte falhado de Aktürkoglu e a dobrar a vantagem com um remate forte de pé esquerdo (75′).

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Com o resultado praticamente consumado, Salih Özcan, Mert Müldür, Aziz Behich, Jackson Irvine e Deniz Gül saíram dos bancos, já depois de Beach ter negado o golo ao antigo avançado do Benfica (77′), e antes de voltar a fazê-lo após livre de Çalhanoglu (86′). Apesar de ter criado muito, a Turquia saiu de Vancouver em branco (2-0).

A estrela

  • Uma, duas, três… oito. A vitória da Austrália passou, em parte, por Patrick Beach, que até nem era para ser titular, mas mereceu o voto de confiança de Tony Popovic e provou que está à altura da difícil missão de substituir Mathew Ryan. O guarda-redes de 22 anos esteve em grande plano frente à Turquia e aproximou-se das duas mãos cheias de intervenções, conseguindo conter o sufoco final turco.

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O joker

  • A estratégia de Popovic saiu na perfeição, que o diga Nestory Irankunda, que foi um vagabundo à solta no ataque australiano, criando sempre dificuldades à Turquia quando foi lançado em transição. O jovem médio do Watford acabou por dar início à vitória do seu país numa jogada em que foi mais forte que os turcos, conduziu bem a bola e finalizou com qualidade, não tremendo na área adversária. Teve mais um par de ocasiões em que demonstrou qualidade em termos de força e condução e promete ser uma das promessas deste Mundial.

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A sentença

  • A Austrália entrou no Mundial-2026 com o pé direito e deu um passo importante rumo aos 16 avos de final da competição, igualando os EUA na liderança do grupo D. Curiosamente, os norte-americanos são o próximo adversário dos australianos, num jogo que pode determinar quem é o primeiro apurado para a fase a eliminar. Em sentido inverso, a Turquia vai defrontar o Paraguai, num duelo parcialmente decisivo para as duas equipas.

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A mentira

  • Pode um futebol defensivo, com as linhas coesas e montadas nos últimos 30 metros, ganhar jogos? Pode e a prova viva mais recente é a Austrália. Frente à Turquia, os australianos sabiam de antemão que não estavam à altura em termos de armas individuais e montaram a sua estratégia na perfeição, baixando as linhas, jogando na expectativa e mostrando-se fortes na transição. Foi assim que chegaram aos golos da vitória e garantiram os três pontos diante de uma equipa turca que apenas teve mais bola. Depois, souberam sofrer perante a reação turca, com o guarda-redes e a defesa a emergirem.

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