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(A) :: A armada nunca caminhará sozinha enquanto houver um Andy a viver o sonho de Diogo (a crónica do Haiti-Escócia)

A armada nunca caminhará sozinha enquanto houver um Andy a viver o sonho de Diogo (a crónica do Haiti-Escócia)

Num duelo físico e pouco emotivo, a Escócia foi mais eficaz frente a um Haiti que arriscou no fim e garantiu o triunfo com um remate certeiro de McGinn (1-0).

Tiago Gama Alexandre
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Ao terceiro dia de competição, chegou o duelo mais exótico e que só é possível a partir do alargamento da competição para as 48 seleções. Apesar de ser uma seleção alternativa e, quiçá, uma das piores da competição na América do Norte, o Haiti voltou a jogar um Campeonato do Mundo 52 anos depois, aproveitando da melhor forma a ausência das principais seleções da sua região na fase de qualificação. O objetivo era claro e passava por somar os primeiros pontos ao longo destes três jogos. Afinal, num grupo com Brasil, Marrocos e Escócia, pouco mais havia a fazer. Nesse sentido, esta era, igualmente, a melhor oportunidade para os escoceses vencerem e colocarem-se em posição privilegiada nas contas do apuramento, ainda que a tartan army tenha estado arredada destes palcos nos últimos 28 anos.

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Na antecâmara deste jogo, o nome de Diogo Jota voltou a aparecer à tona, dado que o amigo Andy Robertson ia estrear-se num Mundial. Nesse sentido, Rute Costa, viúva do português, escreveu uma carta ao capitão da Escócia que comoveu o mundo. “Escrevo-te com o coração cheio de gratidão e, acima de tudo, orgulho. O Diogo falava muitas vezes de ti. Da amizade que construíram, das batalhas que travaram juntos, dos desafios, das gargalhadas, das conversas sobre futebol… e sobre sonhos. O Campeonato do Mundo era um desses sonhos, um sonho que os dois alimentaram, lado a lado, com a mesma paixão com que entravam em campo. Quando ouvi as tuas palavras percebi que o Diogo nunca saiu verdadeiramente do campo. Ao garantires o teu lugar no Mundial, não irás sozinho. E quando entrares em campo, sei que não serás apenas tu a caminhar, o Diogo estará contigo nos teus pensamentos, nos teus passos, no teu coração”, escreveu Rute.

“Espero que possamos ser uma das surpresas do torneio. Considero que o futebol é um jogo e que, no final, há um vencedor e um vencido. Se queremos ganhar os jogos, temos de marcar golos, independentemente do adversário. 1974 foi o nosso primeiro feito de sempre, mas isso aconteceu há 52 anos. Hoje é uma história completamente diferente. Mais uma vez, qualificámo-nos 52 anos depois e agora precisamos de fazer história novamente para garantir a qualificação para a próxima fase. Tendo em conta os nossos adversários, temos de dar um passo em frente. Se queremos fazer história, conquistando a nossa primeira vitória de sempre e a oportunidade de nos qualificarmos, temos de marcar golos, independentemente do adversário. Talvez os meus jogadores sejam menos conhecidos, mas digo que o que importa é o rasto que deixamos. Esperamos que, no final do torneio, possamos deixar a nossa marca nesta competição”, perspetivou Sébastien Migné, selecionador dos grenadiers.

https://twitter.com/FIFAcom/status/2065945701410820506?s=20

O Haiti entrou em campo com o experiente Johnny Placide na baliza e Frantzdy Pierrot e Wilson Isidor na frente de ataque, com Migné a deixar Yassin Fortuné, do Vizela, no banco de suplentes. Por sua vez, Steve Clarke fez apenas uma mudança em relação ao último jogo particular da Escócia, com Ryan Christie a sair do onze, que contou com a presença de Andy Robertson. Com um forte contingente de haitianos e escoceses nas bancadas do Gillette Stadium e as duas equipas assentes num 4x4x2 muito similar, o jogo começou com muitos duelos físicos e os caribenhos a mostrarem valências ofensivas. A primeira oportunidade de golo saiu dos pés de Scott McTominay que, à entrada da área, correspondeu ao cruzamento de Ben Gannon-Doak com um remate que acertou em cheio no poste direito (17′). Pouco depois, Jack Hendry lançou Che Adams na direita, o avançado combinou com Aaron Hickey e atirou para uma grande defesa de Placide, mas o ressalto sobrou para o remate certeiro de John McGinn, com a bola ainda a desviar em Jean-Ricner Bellegarde (28′).

https://twitter.com/FIFAWorldCup/status/2065972873605361896?s=20

A resposta haitiana começou numa arrancada de Martin Expérience pela esquerda que terminou com um remate para defesa de Angus Gunn, a bola sobrou para Frantzdy Pierrot, valendo o grande corte de Grant Hanley a evitar o golo (34′). Depois do intervalo, a partida continuou bastante equilibrada, com a Escócia a optar por segurar a vantagem e o Haiti a procurar manter um estilo de jogo equilibrado. Foi já depois de Josué Casimir ter entrado que surgiram as oportunidades, com McGinn a aparecer com perigo dentro da área dos grenadiers, mas a falhar a baliza (72′). Na resposta, Ruben Providence desferiu um remate cruzado que saiu perto do poste e que Isidor também não conseguiu completar (74′). Seguiram-se as entradas de Ryan Christie, Nathan Patterson, Lyndon Dykes, Lenny Joseph, Findlay Curtis e Kenny McLean, no período de maior fulgor ofensivo haitiano, que quase culminou no empate de Pierrot, só que o seu cabeceamento saiu ao lado (85′).

Fortuné acabou por ser lançado na reta final e, depois de um cruzamento para a área, Casimir amorteceu para a emenda de Pierrot, em desequilíbrio, para mais uma defesa de Gunn (90+3′). Feitas as contas, a Escócia isolou-se na liderança do grupo C, com três pontos, à frente de Brasil (1), Marrocos (1) e Haiti (0).

A estrela

  • Foi um jogo físico, com poucas oportunidades e muitos duelos, como John McGinn tanto gosta. A viver a melhor temporada da sua carreira no capítulo dos golos, o médio do Aston Villa, que conquistou a Liga Europa no mês passado, foi decisivo na estreia da Escócia no Mundial-2026, faturando com um remate à entrada da área que, por algumas repetições, até parecia nem ir na direção da baliza. O que é certo é que o golo lhe pertence e que os três pontos passaram por si.

https://twitter.com/OptaJoe/status/2065971504190308714?s=20

O joker

  • Apesar da derrota — que até decorreu como previsto —, o Haiti destacou-se pela bravura e a garra que empregou em campo neste regresso ao Mundial. A reação na segunda parte acabou por ficar ligada à entrada de Josué Casimir para o ataque, com o avançado do Auxerre a conseguir levar a sua equipa para o ataque e a mostrar-se na ligação entre os setores mais avançados. Só faltou o golo.

https://twitter.com/Haititempo/status/2065955999010218468?s=20

A sentença

  • Desde 1982 que a Escócia não vencia o seu jogo de abertura no Mundial, tendo conseguido o feito quatro edições depois. Este resultado deixa a equipa europeia na liderança de um grupo C que tem ainda Marrocos e Brasil, que são os seus próximos adversários. A tarefa está longe de ser fácil, mas a Escócia está bem encaminhada para seguir em frente. Já o Haiti continua à procura de pontuar e é o último classificado com zero pontos.

https://twitter.com/alejo_sosaa/status/2065993131133194302?s=20

A mentira

  • Com a liderança à sua mercê, esperava-se um jogo bem mais expressivo da Escócia frente a um frágil Haiti… no papel. Os haitianos acabaram por demonstrar que não estão no Campeonato do Mundo para passear e criaram dificuldades a uma equipa escocesa que, depois de ter inaugurado o marcador a meio da primeira parte, limitou-se a controlar o jogo, preferindo não arriscar em busca do segundo tento. Nesse sentido, este acabou por ser um dos piores jogos deste Mundial, apesar da incerteza no resultado até ao fim da partida.

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2065996155226300805?s=20