Depois de dois vereadores da Câmara de Lisboa (Sérgio Cintra e Carla Madeira), da presidente de Junta de Freguesia da Misericórdia (Carla Almeida), do ex-presidente de Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (Miguel Coelho), da ex-vereadora da Câmara de Oeiras (Ana Filipa Laborinho), do ex-presidente do PS/Oeiras (Rui Pedro Nascimento) e do diretor de comunicação do PS (Duarte Moral), entre outros, é a vez de Vítor Ferreira, presidente da Câmara da Amadora. Ao que o Observador apurou, Ferreira foi constituído arguido durante as buscas judiciais de 28 de maio às instalações da autarquia que lidera. Ferreira é o 8.º arguido do PS na Operação Imergente que é conhecido publicamente.
Recorde-se que foram constituídos 37 arguidos durante as buscas que deram a conhecer a Operação Imergente.
Em causa estão alegadas suspeitas do crime de prevaricação. Vítor Ferreira é apontado como suspeito de não ter respeitado as regras da contratação pública ao recorrer a um ajuste direto de 2.200 euros (mais IVA) para um contrato do qual Duarte Moral é o beneficiário, relativo à redação de um discurso para a cerimónia do 25 de abril deste ano na Amadora.
https://observador.pt/2026/05/29/quarto-detido-da-operacao-imergente-e-um-ex-porta-voz-do-psoe-da-galiza-faturou-mais-de-100-mil-euros-ao-ps/
De acordo com o site da Câmara da Amadora, as cerimónias do 52.º aniversário do 25 de Abril dividiram-se em dois momentos. Um primeiro, mais institucional, na Assembleia Municipal da Amadora e um segundo, no Parque da Liberdade do município. Neste último momento, foi inaugurada uma “peça artística (diorama)” de homenagem a Mário Soares, da autoria de Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils.



A cerimónia na Amadora contou com a presença de José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, e também de João e de Isabel Soares, filhos de Mário Soares.
A Câmara Municipal da Amadora contratou Duarte Moral, o diretor de comunicação do PS escolhido pelo líder José Luís Carneiro, para escrever um discurso para o socialista eleito para liderar aquela autarquia no mandato de 2025 a 2029.
Ao que o Observador apurou, a chefe de gabinete de Vítor Ferreira foi igualmente constituída arguida.
O Observador contactou por escrito Vítor Ferreira e a sua assessoria de imprensa na Câmara da Amadora para obter um comentário sobre os factos acima descritos mas, apesar de várias insistências, não foi possível obter uma reação.
Ao que o Observador apurou, das medidas de coação aplicadas a Duarte Moral pelo Tribunal Central de Instrução Criminal consta a proibição de contactos com Vítor Ferreira e a sua chefe de gabinete. O ainda diretor de comunicação do PS está igualmente proibido de entrar nas instalações de quaisquer órgãos da Câmara da Amadora.
Medidas de coação não suspendem Duarte Moral, mas Carneiro pondera fazê-lo
Uma das ações mais relevantes da Operação Imergente foi a realização de buscas na sede nacional do PS, em Lisboa, que visaram o local de trabalho do assessor de comunicação de José Luís Carneiro. Duarte Moral chegou a ser detido no dia das buscas, tendo sido posteriormente libertado com termo de identidade e residência e a proibição de contactar os restantes arguidos (exceto com a sua mulher, Rute Reimão) e também de frequentar instalações das autarquias envolvidas no processo.
https://observador.pt/especiais/operacao-imergente-as-ligacoes-socialistas-os-contratos-suspeitos-e-o-acordo-em-oeiras/
Moral pediu um esclarecimento ao Tribunal Central de Instrução Criminal para saber se as medidas de coação que lhe foram aplicadas também o proibiam de frequentar a sede do PS ou de exercer as suas funções no partido. Segundo apurou o Observador, na resposta o assessor ficou a saber que não está impedido de manter as funções de diretor de comunicação do PS, nem mesmo de aceder à sede.
As restrições aplicam-se apenas ao contacto com outros arguidos e também com titulares de cargos políticos, como Davide Amado (presidente da Junta de Freguesia de Alcântara e atual deputado), e funcionários das autarquias sob investigação: as câmaras da Amadora e de Oeiras e as juntas da Misericórdia, de Alcântara e de Santa Maria Maior. Está também proibido de frequentar quaisquer órgãos dessas mesmas entidades públicas.
Apesar de não estar suspenso, Moral não deverá voltar às funções junto de José Luís Carneiro. Esta é, pelo menos, a intenção do PS, de acordo com o que apurou o Observador. A direção do partido aguardava este esclarecimento para decidir sobre uma eventual suspensão, decisão que poderá também partir do próprio, segundo apontou ao Observador fonte do partido. A decisão final deverá ser tomada na próxima semana, após uma reunião entre os advogados de Duarte Moral e do PS
https://observador.pt/2026/05/28/pj-faz-megaoperacao-em-lisboa-suspeitas-de-crimes-em-juntas-do-ps-leva-a-buscas-em-santa-maria-maior/
Numa primeira reação às buscas que atingiram o PS e autarquias dirigidas por elementos do partido, José Luís Carneiro chegou a ser questionado sobre a suspensão de Duarte Moral, mas nessa altura a informação de que dispunha era de que a medida de coação determinada para o seu assessor o suspendia. “Essa questão está resolvida”, declarou nessa altura o líder do PS. Agora sabe‑se que não é assim: as medidas de coação não suspendem Duarte Moral das funções partidárias, pelo que o seu futuro no partido continua em aberto, dependendo de uma decisão de Carneiro ou do próprio assessor.
Entretanto, o partido aguardava também esta aclaração para avançar com o processo de averiguação interna, com vista a um processo disciplinar. Recorde-se que Duarte Moral é um dos arguidos na investigação que aponta para um alegado esquema de favorecimento na contratação pública no universo autárquico do PS, através de ajustes diretos e consultas prévias viciadas.
Texto alterado às 9h47 do dia 14 de junho de 2026