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(A) :: Se é mesmo para ser por eles terá de ser muito mais do que isto (a crónica do Brasil-Marrocos)

Se é mesmo para ser por eles terá de ser muito mais do que isto (a crónica do Brasil-Marrocos)

O Brasil quer oferecer o sonho do hexa à memória de Pelé e Zagallo, mas terá de fazer muito mais do que aquilo que mostrou contra Marrocos. Brasileiros e marroquinos empataram em Nova Jérsia (1-1).

Mariana Fernandes
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Sempre que começa um Campeonato do Mundo, um país inteiro enche-se de esperança. Do Amapá ao Rio Grande do Sul, do Acre a Paraíba, o Brasil volta a sonhar com o hexa de quatro em quatro anos e sem grandes ressalvas na hora de alimentar esperanças, expectativas e objetivos. Em 2026, com um novo Mundial, o sonho voltava a existir.

E a verdade é que, como os próprios brasileiros garantiam, este Campeonato do Mundo acontecia em condições inéditas. “Hoje começa mais uma Copa do Mundo. A primeira sem Pelé. A primeira sem Zagallo. Mas toda vez que a amarelinha entrar em campo, eles entram junto. E olha só: hoje é dia 13. Então já sabe. Bora acreditar. Bora atrás da sexta estrela. Pelo Brasil. Por eles”, escreveu a Confederação Brasileira de Futebol nas redes sociais, deixando bem claro que todos correriam por Pelé e Mário Zagallo, ambos campeões do mundo.

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Com Carlo Ancelotti ao leme, numa clara aposta num treinador europeu, habituado a ganhar e experiente a potenciar talento canarinho, os brasileiros estreavam-se neste Mundial 2026 com um dos jogos de cartaz da fase de grupos — contra Marrocos, uma das melhores seleções africanas que conquistou a CAN no início do ano, ainda que na secretaria e com muita polémica à mistura depois do castigo imposto ao Senegal. Mais do que isso, e agora com Mohamed Ouahbi como selecionador, os marroquinos estavam no Campeonato do Mundo com o objetivo claro de não colocar qualquer teto nas ambições depois das meias-finais de 2022.

Assim, no MetLife Stadium de Nova Jérsia onde vai acontecer a final, Carlo Ancelotti ainda não contava com Neymar, que continua a recuperar de lesão e não surgia na convocatória. Igor Thiago era a referência ofensiva dos brasileiros, apoiado por Raphinha, Lucas Paquetá e Vinícius, enquanto que Mohamed Ouahbi tinha Achraf Hakimi, Mazraoui e Brahim Díaz no onze, deixando Amrabat no banco.

Durante cerca de 20 minutos, só uma equipa esteve em campo. Marrocos dominou completamente o Brasil no arranque do jogo, atuando inserido no meio-campo contrário e sem qualquer reação adversária, já que o conjunto de Carlo Ancelotti permanecia apático e sem capacidade para sair sequer a jogar. A dada altura, a superioridade deu frutos, com Ismael Saibari a abrir o marcador com um chapéu brilhante na cara de Alisson após uma grande assistência de Brahim Díaz (21′).

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Os brasileiros acordaram a partir da meia-hora — ou melhor, Vinícius acordou a partir da meia-hora. O avançado do Real Madrid recebeu na esquerda, puxou para dentro, deixou um adversário pregado ao chão e atirou cruzado para empatar (32′), carregando uma equipa que parecia ter ficado no balneário. Ao intervalo, Brasil e Marrocos estavam empatados.

Carlo Ancelotti lançou Fabinho e Danilo na segunda parte e os brasileiros melhoraram de forma clara, com Igor Thiago a ter uma boa oportunidade para marcar com um remate forte que Bounou defendeu (52′). Ainda assim, o jogo entrou numa fase mais incerta, com muitos passes errados e sem aproximações às balizas, e não voltou a desatar-se. No fim, Brasil e Marrocos empataram em Nova Jérsia e ficam agora à espera de saber o que fazem Haiti e Escócia no outro jogo do Grupo C.

A pérola

  • Dificilmente não poderia ser Vinícius. O avançado do Real Madrid acordou durante a primeira parte enquanto todo o Brasil ainda estava a dormir e inventou sozinho um lance que garantiu um ponto numa altura em que a equipa de Carlo Ancelotti estava a ser completamente dominada por Marrocos. Polémicas à parte, Vinícius deixou bem claro que é a figura maior deste Brasil — mesmo com Neymar convocado e à espera de recuperar de lesão para saltar para dentro de campo.

O joker

  • Ao contrário do que acontece com o Brasil, Marrocos tem uma equipa e não um conjunto de jogadores — o que não significa que não existam individualidades claras. E aí, tendo em conta o jogo deste sábado, Ayyoub Bouaddi tem mesmo de ser destacado. O médio de apenas 18 anos que joga no Lille e chegou a ser internacional Sub-21 por França foi titular e cumpriu os 90 minutos pelos marroquinos, revelando-se um dos melhores jogadores da equipa e um verdadeiro pêndulo na zona do meio-campo.

A sentença

  • Com este resultado, o primeiro lugar do Grupo C continua completamente em aberto. Partindo do princípio de que Escócia e Haiti são os elos mais fracos do agrupamento, Brasil e Marrocos não conseguiram definir quem ficava desde já com três pontos de vantagem face ao principal rival e baralharam as contas de escoceses e haitianos, que jogam a partir das 2h em Boston e já sabem que, na verdade, um eventual triunfo vale a liderança absoluta e isolada do grupo.

A mentira

  • Este ainda não é o Brasil que Carlo Ancelotti quer. Apesar de não contarem com Estevão e Rodrygo, que estão lesionados e estariam naturalmente na convocatória, os brasileiros estiveram muito abaixo das expectativas e até das exigências, ficando cada vez mais claro que esta é uma seleção que gira à volta das individualidades e não do coletivo. O problema é que, mesmo com Vinícius, Raphinha ou Lucas Paquetá, as individualidades do Brasil já não são as de outros tempos.