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(A) :: "Fiquei apavorada". Noivas do programa "Casados à Primeira Vista Austrália" não foram informadas dos antecedentes criminais dos "maridos"

"Fiquei apavorada". Noivas do programa "Casados à Primeira Vista Austrália" não foram informadas dos antecedentes criminais dos "maridos"

Noivos estiveram envolvidos em crimes como tráfico de droga e agressão. Produtora do reality show garante “protocolos rigorosos em vigor para garantir a segurança e o bem-estar dos participantes".

Margarida Vieira dos Santos
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Poucas semanas depois de duas concorrentes da versão britânica de Casados à Primeira Vista terem denunciado os respetivos “maridos” por violação, nove ex-participantes da edição australiana afirmaram ter-se sentido inseguras ao descobrir que os homens com quem casaram no ecrã tinham antecedentes criminais que nunca lhes foram comunicados pela produção, avançou a BBC.

“As noivas não estão seguras no Casados à Primeira Vista Austrália“, afirmou Sierah Swepstone, da edição do ano passado do programa, em declarações à estação britânica. A ex-concorrente foi colocada ao lado de Billy Belcher, preso e condenado em 2014 por vários crimes relacionados com drogas em Perth.

Segundo Swepstone, a produção nunca lhe revelou os antecedentes criminais do homem com quem casou no programa, tendo apenas descoberto depois de concluídas as gravações. “Não devia ter ficado sozinha com um estranho com antecedentes criminais. No mínimo, deveria haver consentimento informado. Deviam avisar-nos. Porque é que o programa está a correr este risco em nosso nome? Devíamos ter o direito de escolha”.

Outra ex-participante, que falou sob anonimato à BBC, revelou que o seu “noivo” no programa lhe confessou, durante as gravações, ter tido comportamentos agressivos no passado e que a produção estava a par dessa situação. “Fiquei apavorada”, admitiu. “Pensei que estaria em segurança, por isso inscrevi-me no programa”.

A “noiva” relatou que o concorrente com quem “casou” no programa tinha um “temperamento explosivo” e descreveu vários episódios. Segundo o seu testemunho, numa das ocasiões o homem terá atirado um objeto contra uma parede, partindo-o em pedaços enquanto praguejava. Noutra, alega que lançou um objeto na direção da equipa de produção durante as filmagens.

Contactado pela BBC, o homem negou “categoricamente” todas as alegações feitas pela ex-concorrente, tanto as relacionadas com o seu comportamento durante as gravações do programa como as referentes ao seu passado. “Estas alegações são totalmente falsas, maliciosas e uma completa distorção da realidade”, disse.

Entre os participantes com antecedentes criminais encontra-se também Adrian Araouzou, “noivo” na edição de 2025. A BBC revelou que tinha sido condenado por agressão em 2017 e absolvido de uma acusação de violência doméstica. Confrontado com essas informações, Araouzou afirmou que o assunto “não era da conta” da estação e classificou as alegações como “falsas”.

Timothy Smith, participante da edição de 2024, afirmou após o programa ter terminado, que cumpriu um ano de prisão nos Estados Unidos por tráfico de droga, crime pelo qual se declarou culpado. Chris Nield, da última temporada, também foi considerado culpado de agressão.

“Se está com alguém que tem um passado duvidoso, deve ser informada disso”

Katie Johnstone, da edição de 2025, e Tahnee Cook, da edição de 2023, afirmaram que o programa “ficou aquém” na verificação de antecedentes, apesar de não terem sido identificados problemas com os seus respetivos “maridos”.

“Se está com alguém que tem um passado duvidoso, deve ser informada disso”, disse Johnstone à BBC. “Principalmente considerando que precisa de partilhar um quarto com essa pessoa. É preciso saber, e não é justo que as mulheres sejam colocadas nestas situações”. “Estas verificações não podem ser apenas para cumprir tabela”, acrescentou Cook. “Não acho que alguém com antecedentes criminais deva ser aceite no programa. Acho que é inseguro“.

Num comunicado conjunto citado pela BBC, o Canal 9 australiano, que exibe o reality show, e a Endemol Shine Australia, produtora do formato, afirmaram que existem “protocolos rigorosos em vigor para garantir a segurança e o bem-estar dos participantes”. Acrescentaram ainda que todos os concorrentes, incluindo Adrian Araouzou, foram sujeitos a “extensas verificações de antecedentes, incluindo consultas com a polícia”.