A Suíça vai a votos durante este fim de semana para decidir em referendo se limita a população a 10 milhões de habitantes.
A votação foi impulsionada pelo Partido Popular Suíço (SVP), de extrema-direita, que aponta para uma “iniciativa de sustentabilidade” para o futuro do país e que tem gerado controvérsia em torno da imigração, à boleia da pressão social sobre os setores da habitação e dos serviços públicos.
Por outro lado, o Governo, restantes partidos, confederações empresariais e sindicatos alertam, de acordo com a BBC, para uma “iniciativa do caos“, ao salientarem que uma limitação desse tipo iria prejudicar a economia suíça e as condições de vida da população.
Caso o “Sim” à limitação se imponha na votação, o Governo suíço ficaria obrigado a adotar medidas para travar o crescimento da população até 2050, não permitindo que fosse ultrapassado o limiar dos 10 milhões. Entre as medidas preconizadas incluem-se restrições ao reagrupamento familiar, às autorizações de residência e ao deferimento de pedidos de asilo, se forem atingidos os 9,5 milhões de habitantes até essa data.
Segundo dados da embaixada de Portugal no país, a comunidade portuguesa é a terceira comunidade estrangeira mais relevante na Suíça, atingindo no final do ano passado mais de 264 mil residentes permanentes.
O cenário pode, todavia, traduzir-se em medidas mais drásticas, como a rescisão do acordo de livre circulação do país com a União Europeia, se o país superar a fasquia dos 10 milhões. Isso significaria que a Suíça deixaria de ter acesso ao mercado único comunitário.

No final de 2025, as estatísticas oficiais da Suíça, citadas pelo The Guardian, indicavam uma população em torno dos 9,1 milhões de habitantes — 6,6 milhões de cidadãos suíços e cerca de 2,5 milhões de residentes nascidos no estrangeiro.
A população tem crescido a um ritmo superior ao verificado nos países vizinhos, com um aumento de 23% desde 2002, ano em que tinha 7,3 milhões de habitantes e em que o acordo de livre circulação entrou em vigor. Durante esse período, os dados do Governo suíço referem que o desempenho da economia refletiu um crescimento de 24%.
De acordo com o The Guardian, o referendo tem sido um instrumento privilegiado pelo SVP no âmbito da democracia direta do país, que permite a votação de iniciativas que garantam 100 mil assinaturas em 18 meses. Acentuando a tónica anti-imigração, o SVP assenta a iniciativa nas preocupações de eleitores com os transportes, o preço das casas e a subida dos custos de saúde.
As sondagens realizadas até ao momento indiciam uma votação muito disputada, com uma pequena margem a favor do “Não” à limitação da população, expressa em cerca de 52%. Contudo, alguns estudos de opinião indicam também a existência de 45% de eleitores que seriam favoráveis à limitação. Regista-se ainda um elevado número de indecisos.
As urnas estarão abertas no domingo para o voto presencial, mas a esmagadora maioria dos votantes em referendos na Suíça expressa o seu voto por correspondência. A proposta de limitação só será viabilizada se conseguir a maioria no voto popular e na maioria dos cantões do país. Os resultados devem ser conhecidos ao final do dia de domingo.