Ainda o avião da seleção portuguesa está a viajar e já dezenas de adeptos se encontram junto ao Four Season Resort Palm Beach. Vestem camisolas de Portugal, quase todas com o número 7 de Cristiano Ronaldo. Há também bandeiras, chapéus e cartazes para mostrar aos jogadores quando o autocarro passar. Todos sabem que os futebolistas não vão parar para fotografias ou autógrafos. Todos sabem que o melhor que vão conseguir é uma imagem desfocada da janela de um autocarro. E todos sabem que, à distância que estão da entrada, os jogadores nem sequer os vão ouvir. Ainda assim, não arredam pé e são cada vez mais à medida que se aproxima a hora prevista para a chegada de Portugal ao “quartel-general” em Palm Beach.

Entre os adeptos há diferentes naturalidades. Desde portugueses que viajaram para ver a seleção a imigrantes que deixaram Portugal para procurar nos EUA uma melhor vida. Há também norte-americanos, são sobretudo famílias com os país a fazerem um favor aos filhos que pediram para ver a chegada da equipa portuguesa. Mas a maior surpresa está na quantidade de colombianos entre os apoiantes da seleção de Portugal. A Colômbia é adversária dos portugueses na fase de grupos deste Mundial e o jogo está agendado para Miami, na 3ª jornada. Ainda assim, praticamente 20% dos adeptos que se deslocaram para as imediações do resort que acolhe a equipa portuguesa são naturais da Colômbia.
Fabian e Jason apresentam-se como fâs de Cristiano Ronaldo. Cada um veste uma camisola da seleção portuguesa com o nome e o número do capitão da seleção portuguesa. Ao Observador, dizem que apoiam Portugal por causa de CR7: “Nestes momentos apoiamos Portugal.”. Jason considera que é tempo de desfrutar os últimos momentos do craque português, Fabian confessa que acompanha a carreira de Ronaldo desde os tempos do Manchester United e que chegou a experiência de uma vida, apoiar o jogador que admira no último Mundial: “Agora têm boa equipa, boa defesa, há uma oportunidade”.
Também junto às grades colocadas do outro lado da estrada que passa em frente ao Four Season Resort Palm Beach, Jesus agita de forma sorridente uma bandeira de Portugal. Com eles estão os dois filhos e a mulher. São todos colombianos. “Somos todos fâs de Ronaldo e de Portugal. Vamos apoiar até ao fim. Todos merecem crédito, mas o Cristiano merece ganhar esta prova”. Leo, o filho mais velho de Jesus, veste uma camisola de CR7 e diz que tem sempre na memória os golos do craque português. Nas mãos, tem um cartaz onde se lê “Portugal posso te conhecer”. Ao Observador diz que gostaria de ver qualquer jogador da seleção: “São todos muito bons”.

O orgulho imigrante que quer os jogadores junto da comunidade
Entre as dezenas de pessoas em frente ao novo “quartel-general” da seleção portuguesa, escuta-se naturalmente a língua de Camões. Zé Manuel é um dos mais expressivos. Natural dos Açores, deixou a ilha terceira há 46 anos para trabalhar em Boston e agora aproveita a reforma no calor da Flórida. No dia da chegada da Seleção a Palm Beach, este adepto veste com orgulho as cores de Portugal: “Podia estar em tanto lado neste país e acabaram por ficar mesmo ao nosso lado. É um orgulho”. Zé Manuel assume que a comunidade portuguesa de Miami enviou um pedido à Federação Portuguesa de Futebol para promover um encontro com os jogadores. Querem transmitir o carinho que têm por esta equipa e a confiança na prestação dos futebolistas.
https://observador.pt/programas/reportagem-observador/convidei-os-jogadores-a-visitarem-a-comunidade-portuguesa/
Também vestido a rigor está Nuno, outro imigrante. Nasceu em Lisboa e vive há 40 nos EUA. “Com eles aqui tão perto tinha de vir. Em 2014, Portugal esteve a preparar o Mundial em New Jersey e consegui uma assinatura do Ronaldo para o meu filho. Agora temos de tentar novamente. O meu filho já está maior e agora quer uma foto”. Nuno transborda confiança: “O Trump é que manda e ele quer Ronaldo campeão. A FIFA deu um mundial ao Messi, agora chegou a hora de ganhar o Cristiano, porque o Trump é que manda na FIFA”.
Uma segurança apertada que deixa os jogadores “invisiveis”
Os adeptos que se deslocaram ao Four Season Resort Palm Beach ficaram a largos metros do local em que o autocarro parou para deixar os jogadores portugueses. Desde as baias de segurança até esse ponto era preciso atravessar uma estrada com 4 vias, duas para cada lado. Depois era preciso avançar pela estrada de acesso à entrada do resort, cerca de 10 metros. Por fim, era necessário também atravessar o estacionamento para se chegar à porta lateral do hotel por onde entrou a equipa portuguesa.
Todo este perímetro estava preenchido por polícias e seguranças. À entrada do hotel vários carros da polícia, e nos minutos que antecederam a chegada foi possível testemunhar várias outras viaturas das autoridades a circular pelas ruas adjacentes.

Já dentro do perímetro do resort, mais de uma dezena de seguranças controlavam todas as entradas e garantiam que o percurso que seria feito pelo autocarro estava desimpedido. No momento em que a Seleção chegou, avançaram pelo parque de estacionamento, em frente ao autocarro, duas grandes carrinhas descaracterizadas, mas com as luzes de emergência ligadas.
Nenhum incidente se registou no percurso da equipa portuguesa desde o aeroporto internacional de Palm Beach até ao luxuoso Four Season Resort Palm Beach.





