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(A) :: Pinto da Costa tinha mais de 70 contas em Portugal. E parte foi esvaziada antes de morrer, diz filho em queixa-crime

Pinto da Costa tinha mais de 70 contas em Portugal. E parte foi esvaziada antes de morrer, diz filho em queixa-crime

Queixa-crime do filho denuncia desvio do património e esvaziamento das contas bancárias do pai nas vésperas da morte. Mas levantamentos terão começado ainda antes do casamento com a última mulher.

Mariana Furtado
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Só em Portugal, Pinto da Costa tinha mais de 70 contas bancárias. O número é identificado numa queixa-crime apresentada pelo filho do ex-presidente do FC Porto, em que Alexandre Pinto da Costa dá conta de existirem também contas do pai no estrangeiro — as quais não consegue identificar. E parte delas foi esvaziada dias antes da sua morte, em fevereiro de 2025.

A notícia foi inicialmente avançada pelo Correio da Manhã, tendo o jornal Público noticiado novos detalhes. Ao longo de dezenas de páginas, o filho de Pinto da Costa — durante anos afastado do pai — detalha uma vasta lista de movimentos bancários em vários bancos portugueses. Trata-se, sobretudo, de levantamentos quase diários de milhares de euros realizados nas vésperas da morte do antigo líder portista.

Embora a queixa não aponte nomes diretamente, as suspeitas recaem sobre a viúva e a filha de Pinto da Costa, que estiveram mais próximas durante a doença do ex-presidente do FC Porto. Contudo, o Público indica que estes movimentos suspeitos começaram ainda antes do último casamento de Pinto da Costa em agosto de 2023 — quando o casal ainda vivia em união de facto —, tendo somente parado nas vésperas da sua morte.

Além das quantias bancárias, a queixa-crime denuncia ainda um mistério em torno do recheio da casa de Pinto da Costa, no Porto. São anexadas fotos de obras de arte desaparecidas e reportado o desvio de dezenas de relógios de marcas de luxo, como a Rolex e a Patek Philippe, além de outras peças de ouro.

A queixa-crime, assinada por Alexandre Pinto da Costa, deu entrada no mês passado no Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto, escreve o jornal Público. Há mais dois processos judiciais a decorrer que dizem respeito à herança do ex-presidente — ambos intentados pelo filho, Alexandre Pinto da Costa em março de 2025, cerca de um mês após a morte do pai.

O primeiro corresponde a um processo de inventário — ou seja, uma ação de partilha litigiosa de bens — e o segundo a uma petição de herança, que visa localizar o património de Pinto da Costa. Este último, a correr nos Juízos Centrais Cíveis do Porto, tenta ainda anular contratos assinados pelo ex-presidente. É o caso da permuta de imóveis com a antiga companheira, que entregou um T1 para receber em troca um T3 de Pinto da Costa, nas Antas.

Entre as provas do processo de partilhas movido por Alexandre Pinto da Costa, de acordo com o Correio da Manhã, destaca-se um documento de dezembro — apenas dois meses antes da morte do pai — que regista um levantamento de 600 mil euros em dinheiro vivo.

A contestação estende-se à própria autenticidade dos documentos que dão cobertura aos movimentos bancários, de acordo com o Correio da Manhã. Na justificação bancária, consta que a fortuna seria utilizada para uma viagem e um tratamento médico nos Estados Unidos que nunca terão chegado a acontecer. Para adensar as suspeitas, o documento não tem assinaturas nem carimbos do banco, e a assinatura atribuída a Pinto da Costa difere visivelmente daquela que consta na alteração do seu testamento, feita na mesma época.

Após o tribunal de primeira instância ter arquivado o processo por já haver um inventário a decorrer, Alexandre Pinto da Costa recorreu para a Relação do Porto. Este tribunal superior decidiu ser necessário avançar com novas diligências para esclarecer algumas questões. No entanto, a defesa da viúva contestou a decisão por ter sido tomada por apenas um juiz. Enquanto se aguarda uma resposta a esta reclamação, a partilha de bens fica congelada até se resolver a petição de herança.

Da herança de Pinto da Costa faz parte um vasto espólio desportivo e bens de valor, como relógios de luxo, camisolas e distinções acumuladas ao longo de mais de 40 anos de liderança. Esta coleção privada, composta por milhares de objetos, encontra-se guardada numa moradia de luxo no Porto. O seu filho já manifestou a intenção de doar a sua quota-parte deste espólio ao FC Porto, com o objetivo de o colocar em exibição no museu do clube.