As nomeações da Câmara Municipal de Albufeira, liderada por Rui Cristina, eleito pelo Chega, estão a ser alvo de uma investigação pelo Ministério Público (MP). O inquérito, avançado pela revista Sábado, foca-se em suspeitas de favorecimento, incluindo a contratação da irmã do autarca para o cargo de adjunta e a escolha de antigos candidatos do partido a eleições autárquicas para liderarem divisões dentro do município. E parte de uma queixa formal de um ex-funcionário que trabalhou no município ao longo de três décadas.
Na denúncia assinada a 9 de fevereiro pelo antigo engenheiro da câmara José Gracias Fernandes, à qual a Sábado teve acesso, são relatados vários casos de “nepotismo” e “clientelismo na nomeação de novos quadros dirigentes”: o novo executivo autárquico terá terminado com comissões de serviço de técnicos de carreira para colocar militantes partidários e figuras próximas do presidente em cargos de chefia.
Entre as nomeações visadas pelo inquérito está a de Sara Cristina, irmã do autarca, contratada como adjunta através de um processo de mobilidade vinda da autarquia de Loulé, onde exercia funções de técnica superior.
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Pelo mesmo mecanismo e oriundas da mesma cidade — terra natal de Rui Cristina —, foram integradas Mara Brito, para a Divisão de Gestão Urbanística, e Eunice Miriam Antunes, para a Divisão de Procedimentos Urbanísticos e Apoio ao Investidor. Com base no documento, a revista detalha ainda a escolha de outros rostos do Chega, como o deputado municipal Hugo Aires e a antiga candidata autárquica Andreia Cópio, para liderarem os departamentos de Projetos e Edifícios Municipais e de Águas e Saneamento, respetivamente.
Em declarações por telefone à Sábado, José Gracias Fernandes explicou que inicialmente deu o benefício da dúvida à nova gestão, mas que rapidamente começou a receber telefonemas de funcionários municipais “a chorar” devido à forma como foram alegadamente tratados.
“Acabaram com comissões de serviço de longa data para pôr militantes e amigos. Mas o pior foi a maneira como foram tratados: total desrespeito. Ouvi relatos de serem retirados pela polícia municipal, e ouviram ‘a partir de agora não vais mais ao gabinete'”, acrescentou à revista. Na queixa, Gracias Fernandes garante ainda que subsistem “ações de intimidação dos quadros superiores e cultura de medo e da subserviência em todos os funcionários municipais”.
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No final de março, a autarquia algarvia tinha sido visada numa operação de buscas e apreensões executada pela Polícia Judiciária nas instalações do município, tendo como alvo o próprio Rui Cristina.
No mandado judicial, o MP justificou a extensão das buscas com o risco de adulteração de prova e de utilização do inquérito como arma de arremesso político. No âmbito desse caso, o presidente encontrava-se sob suspeita dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, após as declarações que fez na assembleia municipal de Albufeira relacionadas com habitações para elementos da comunidade cigana.
O mesmo inquérito integra ainda uma queixa-crime apresentada pelo autarca contra a deputada municipal Helena Simões, da coligação PSD/CDS Ser Albufeira, por alegada difamação agravada e denúncia caluniosa.