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(A) :: "Eu era a primeira opção do presidente." Marco Silva pede "paciência", quer ser "dominador" e não esconde "maior desafio da carreira"

"Eu era a primeira opção do presidente." Marco Silva pede "paciência", quer ser "dominador" e não esconde "maior desafio da carreira"

O treinador confirmou que está prestes a começar o “maior desafio da carreira”, mostrou vontade de ser “dominador”, reconheceu lado “emocional” na decisão e garantiu que a primeira opção de Rui Costa.

Mariana Fernandes
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Um dia para as explicações, um dia para as apresentações. Depois de Rui Costa se ter sentado à frente dos jornalistas nesta quinta-feira, procurando detalhar aos sócios, adeptos e simpatizantes tudo o que aconteceu no universo do Benfica nas últimas semanas, era a vez de Marco Silva aparecer à frente dos jornalistas nesta sexta-feira para cumprimentar pela primeira vez os sócios, os adeptos e os simpatizantes.

https://observador.pt/2026/06/11/nao-ficamos-na-mao-de-ninguem-controlamos-sempre-a-situacao-rui-costa-sobre-mourinho-marco-silva-epoca-atipica-e-arbitragem/

No Museu Cosme Damião, junto ao Estádio da Luz, o treinador de 48 anos surgiu naturalmente acompanhado por Rui Costa e também por Mário Branco, diretor-geral do futebol dos encarnados com quem já tinha trabalhado no Estoril. Os três realizaram uma espécie de visita guiada pelo museu, com especial enfoque nas duas Taças dos Campeões Europeus, e encararam depois as fotografias com uma camisola do Benfica com o nome de Marco Silva.

“Obrigada pela presença para oficializarmos Marco Silva. Bem-vindo, o seu sucesso será a alegria de milhões de benfiquistas. Faz 79 anos que Cosme Damião partiu, que este museu no próximo ano tenha mais troféus do que tem hoje”, começou por dizer Rui Costa, o primeiro a tomar a palavra. Em seguida, sem uma declaração introdutória, o treinador português respondeu às perguntas de todos os jornalistas.

“Agradeço a confiança demonstrada em mim e em todo o staff. É uma honra e um orgulho enorme, também é muito importante a responsabilidade de estar neste cargo. Esses são os três pontos que deixo claros: a honra, o orgulho e a responsabilidade”, disse Marco Silva. “Queremos ter uma identidade dominadora, terá de ser esse o caminho. Queremos ser uma equipa dominadora e que conseguir com que haja uma ligação muito forte com os adeptos. Não falo de compromisso e exigência, que isso é uma obrigação, falo de uma forma dominadora de jogar que, para mim, representa o Benfica”, acrescentou o treinador, que assinou com o Benfica por duas temporadas com mais uma de opção.

https://twitter.com/SLBenfica/status/2065465385973911784

Mais à frente, o treinador foi questionado sobre o facto de Rui Costa ter dito, esta quinta-feira, que queria ficar com José Mourinho na próxima temporada — revelando o primeiro contacto com o presidente dos encarnados. “A primeira vez que Rui Costa falou comigo, perguntou-me claramente se queria ser treinador do Benfica, se estava disposto a vir para treinar o Benfica e que o Benfica estava à procura de treinador. Quando isto acontece, quer dizer que o Benfica estava à procura de treinador e que eu era a primeira opção do presidente. Isto para mim é o mais importante. O convite foi claro e a minha resposta também”, vincou.

Sobre se acredita ou não que pode ter sucesso de forma imediata, Marco Silva garantiu que “se não acreditasse não estava aqui”. “Quem entra nesta casa tem de acreditar que tem de ser campeão. Acredito que eu e os jogadores estamos capazes de acrescentar algo para tornar o Benfica campeão e competitivo. Todos sabemos a dificuldade que é, temos equipas com grande qualidade. Objetivo é ser campeão. Passaram treinadores de grande qualidade, as razões não me competem estar a comentar, trazer a confiança e positividade que os adeptos precisam. É para isso que aqui estou”, explicou, confirmando depois que o facto de ser benfiquista pesou na decisão.

“É uma realidade, não digo que foi uma decisão difícil ou fácil. Não escondo a minha ligação à Premier League, senti-me muito bem em Inglaterra, custou-me consolidar o meu nome, mas o Benfica foi muito importante. A parte emocional teve um grande peso na minha decisão, sentir que o desafio é enorme e estamos preparados para isso. Não há uma razão diferente a não ser o nome do Benfica”, atirou.

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Depois de garantir que não guarda “mágoa” pela maneira como saiu do Sporting, Marco Silva explicou que já começou a trabalhar na próxima temporada. “Até um certo momento não fazia sentido, a partir do momento em que havia um acordo começámos a trabalhar na próxima época. Qualquer treinador tem o lugar em risco. Quando decidi entrar nesta carreira… Convivo muito bem com isso. Sou equilibrado para perceber. Assinei por dois anos com o Benfica, mas o meu objetivo é ficar três anos no Benfica”, disse, garantindo que a questão financeira não teve qualquer impacto na decisão.

O treinador português confessou também que nos últimos anos teve “oportunidade de voltar ao futebol português”, mas só agora sentiu ser “o momento”. “Temos de encarar a realidade. O Benfica quando não ganha ninguém pode falar em positividade. Temos de quebrar, é o objetivo, sermos campeões. Importa referir que temos três adversários à altura para tornar a nossa tarefa mais difícil”, indicou.

Marco Silva reconheceu ainda que o Benfica perdeu “um elemento importante”, referindo-se à saída de Otamendi, e não escondeu que a ausência da Liga dos Campeões “tem um peso muito grande, não só em termos financeiros”. Sem querer revelar as “lacunas e virtudes” do plantel, para não “dar trunfos”, o agora treinador encarnado sublinhou que conta com Sudakov, um “grande investimento” em que “acredita bastante”.

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Já perto do fim da conferência de imprensa, o técnico confessou ainda que não sabe como vai reagir na eventualidade de um desagrado com decisões de arbitragem. “Não sei dizer como vou reagir momento a momento. Como treinador do Benfica terei de ter controlo emocional, mas não garanto que vá ser sempre brilhante. Venho de uma cultura diferente, não fui sempre perfeito, tive de pagar algumas multas. Estou aqui para defender o Benfica. Não sou fã de falar de arbitragem. Com o passar dos anos falei mais do queria. Se formos mais fortes no campo será mais difícil não ser vitorioso. Espero que seja dentro dos limites, que seja capaz de agregar. Espero não errar nesse aspeto. Mas não prometo…”, defendeu.

Sobre a Liga Europa, Marco Silva não escondeu que o Benfica terá de ser “um candidato” a ganhar a competição europeia. “Consigo dizer aos benfiquistas [que conquistar a Liga Europa é um objetivo], mas primeiro quero dizer que o primeiro passo é estar lá. Teremos uma pré-época atípica, mas isso nunca será desculpa. Temos seis jogos para disputar. Estando lá, olhando para a dimensão do Benfica e dos clubes, o Benfica tem de ser um candidato. Não foi necessário ter esta conversa com o presidente. A dimensão a isso obriga. Temos de ambicionar chegar a Frankfurt”, disse, acrescentando ainda que trouxe “grande parte da equipa técnica” que estava no Fulham.

“A conversa com o presidente foi clara. Na altura mostrei abertura. Se me perguntassem há cinco meses se o objetivo passava por regressar a Portugal, diria que não. A resposta [a Rui Costa] foi deixar a porta aberta, que era algo que me entusiasmava. A primeira conversa foi uma manifestação de interesse “, vincou, deixando finalmente “duas mensagens” aos adeptos encarnados.

https://twitter.com/SLBenfica/status/2065470445344722972

“A primeira é dizer que este é o maior desafio da minha carreira, disse que em todos os projetos coloco uma exigência máxima. É o maior desafio da minha carreira. E lembrar a força que temos. O Real Madrid foi tema ontem e há pouco tempo teve eleições, 30 mil votantes. Vocês sabem o número de votantes que teve o Benfica nas suas eleições há uns meses. Estando longe senti que o apoio dos adeptos foi constante, essa paciência vai ser fundamental, não falo em menos exigência. Esta diferença de números só mostra a grandeza. Quanto mais unidos estivermos, mais difícil será não sermos vitoriosos. Se estivermos unidos, vamos ser cada vez mais fortes. Vamos fazer a nossa parte, ligar todas peças. E sei que irão fazer a parte deles para que possamos celebrar”, terminou.

Depois de cinco anos no Fulham, onde conseguiu subir do Championship à Premier League, Marco Silva está assim de regresso a Portugal mais de uma década após sair do Sporting, na antecâmara da ida de Jorge Jesus para Alvalade pela mão de Bruno de Carvalho, tendo ainda conquistado uma Taça de Portugal com os leões. Pelo meio, treinou Hull City, Watford e Everton, para além do Fulham, e ainda foi campeão na Grécia com o Olympiakos.