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(A) :: Os oitenta anos do cabotino Donald Trump 

Os oitenta anos do cabotino Donald Trump 

"Happy birthday, Old Guy!"

António Maria Mello e Castro
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Não obstante o inevitável cunho individual do evento, a feliz coincidência de o dia dos seus oitenta anos, dia 14 de Junho, calhar em tempo já inevitavelmente marcado pelos preparativos dos festejos em torno dos 250 anos de Independência dos Estados Unidos da América no próximo 4 de Julho, será para Trump como que a cereja em cima do bolo: no seu espírito – estou disso convencido -, existirá uma evidente e íntima ligação entre a  vitoriosa história do seu País e a sua própria, pessoal, na sua qualidade de mais brilhante presidente que os USA conheceram desde George Washington.

Sabendo-se do seu bruto entusiasmo pelo desporto da luta-livre, não estranharia que, sendo já certo que ocorrerá um encontro dessa modalidade em ringue montado para o efeito, venhamos a ser surpreendidos com uma subida à arena do próprio Donald, provavelmente trajando uma reluzente veste de New and only Superman .

Isto é, para já, pura especulação, mas não me espantaria que algo de semelhante suceda por ocasião dessa comemoração do seu respeitável e redondo aniversário. Convirá nunca nos esquecermos que estamos diante de um compulsivo entertainer que não duvida da sua capacidade em monopolizar o mundo inteiro com as suas originalidades. Porventura, ajuntar-se-ia a esse seu desempenho, em jeito de fanfarrónica e faraónica resposta às recentes e impressionantes manifestações populares contra o alegado King of America, a surpresa de uma sua dourada e provocante coroação .

O velho Trump é efetivamente detestado por uma razoável  parte dos habitantes dos USA e deste nosso Planeta, mas esse sentimento é, afinal, por ele pacificamente acolhido: é essa precisamente a única linguagem que conhece e pratica num mundo concebido, na sua mente, para servir os insaciáveis desejos de predominância dos mais poderosos; e esse objetivo primeiro atinge o seu climax ao conseguir-se a destruição do maior número dos seus inimigos.

O reconhecimento de que muitos milhões de cidadãos do mundo partilham – mesmo se no sentido oposto – o seu ódio pelos adversários, é como música para os seus ouvidos. Fica a impressão de que o que o Donald realmente gostaria de erguer nos jardins da White House, em especial nessa data, seria um cartaz imenso saudando os que o odeiam com uma frase como Thank you Guys, I hate you too…

Mas ao lado dessa gente, estamos nós, a maioria que não se reconhece nessa indesejável postura. E portanto, gostando mais, ou menos, do sujeito, apetece-nos fazer uma pausa e dizer-lhe: Happy Birthday, Old Guy!