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A bola começou a rolar e estamos, finalmente, em modo Campeonato do Mundo. Depois de muitos meses — e anos — de espera, com muita especulação, dúvidas que persistem até às horas que antecedem a estreia das seleções e um Mundial como nunca visto — seja isso positivo ou negativo —, chegou a vez de Coreia do Sul e República Checa encerrarem o primeiro de 39 dias de competição na América do Norte, embora, em Portugal, já estivéssemos em pleno segundo dia, por conta do fuso horário que separa Lisboa de Guadalajara. Depois do triunfo do México frente à frágil África do Sul, só a vitória importava às duas seleções, dado que os três pontos podem ser suficientes para seguir em frente no novo formato adotado pela FIFA, que privilegia os oito melhores terceiros classificados, eliminando apenas quatro equipas desse lote. Para além disso, o grupo A promete ser um dos mais equilibrados deste Mundial.
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Este duelo teve o condão de colocar frente a frente o país que inventou o célebre Squid Game e o país que aprendeu a jogá-lo muito rapidamente, já que a série foi um autêntico sucesso em solo checo. No México, as últimas horas foram bastante movimentadas no que concerne às duas equipas. Começando pela Coreia do Sul, os sul-coreanos causaram furor no meio dos mexicanos, que dedicaram cânticos e viveram intensamente o pré-jogo com os asiáticos. Contudo, na quarta-feira, tornou-se viral um momento polémico em torno da comitiva sul-coreana, com o áudio da conversa de dois jornalistas a ser divulgado. Na conversa, um dos jornalistas pergunta se Son Heung-min estava a “liderar um pelotão militar” pela forma como corria. “Ele acha que está no exército?”, ouve-se ainda. Por outro lado, o colega de profissão respondeu: “Ele nem completou o serviço militar. Estes idiotas não sabem nada sobre o exército”. No final percebeu-se que ambos tinham os microfones ligados e que o áudio foi captado pelas respetivas transmissões televisivas.
Por outro lado, a Rep. Checa viveu um momento insólito a cerca de 24 horas da sua estreia no Mundial: o seu autocarro ficou atracado à entrada do centro de treinos, obrigando a comitiva a terminar o trajeto pelo seu próprio pé e provocando um enorme fluxo de trânsito em Guadalajara. De acordo com a imprensa mexicana, o autocarro estava a tentar entrar no complexo desportivo quando ficou preso na estrutura do portão. A situação mobilizou dezenas de funcionários do centro de treinos e das autoridades mexicanas, e foi preciso cerca de uma hora para o acesso ficar livre. Apesar do transtorno, os checos prosseguiram normalmente a programação que estava prevista. Quanto ao futebol propriamente dito, previa-se um embate entre formações distintas, com os tigres asiáticos a apresentarem um futebol vertiginoso e com grandes referências individuais, ao passo que os repre têm como principais pergaminhos o jogo físico, defensivo e vaticinado para as transições.
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Ao contrário do que se esperava, Son Heung-min acabou por ser a referência ofensiva de Hong Myung-bo, jogando à frente de Lee Kang-in e Lee Jae-sung. Já Miroslav Koubek também apostou no 3x4x3, com a estrela Patrik Schick no ataque e o bracarense Lukás Hornícek no banco, ao lado do ex-Benfica David Jurásek. Com os olés e a ola mexicana a aparecerem bastante cedo, os leões da Ásia entraram mais confortáveis, com os checos a acusarem o nervosismo do regresso ao Campeonato do Mundo 20 anos depois. Nesse sentido, a Coreia do Sul começou a criar oportunidades, com destaque para o remate forte de Kang-in que obrigou Matej Kovár a aplicar-se (14′). A resposta da národní tým surgiu de bola parada, com Tomás Soucek a aparecer sozinho ao primeiro poste a finalizar para fora (22′). Na parte final do primeiro tempo, Son desferiu um remate forte que voltou a passar perto e, no lance seguinte, ganhou espaço à entrada da área, desferindo um remate de pé esquerdo que saiu ao lado do poste mais próximo (39′).
Na etapa complementar, a Coreia do Sul voltou a entrar forte e, logo no início, ficou perto de marcar, com Hwang In-beom a finalizar dentro da área para defesa de Kovár, seguindo-se a recarga de Lee Jae-sung para nova intervenção do guarda-redes checo (49′). Pouco depois, o camisola 10 recebeu à entrada da área e isolou Son com um passe rasteiro, mas o remate do capitão voltou a esbarrar na muralha Matej Kovár (56′). Depois de muito ameaçar, a Rep. Checa tirou dividendos da bola parada, revelando-se bem mais eficaz: Vladimír Coufal cobrou um lançamento na direita diretamente para a área, com Ladislav Krejcí a completar de cabeça ao primeiro poste (59′). Myung-bo reagiu de imediato e colocou Hwang Hee-chan no ataque, com Koubek a responder com Tomás Chory, Michal Sadílek e Adam Hlozek. Na resposta, os sul-coreanos tricotaram bem pelo meio, Lee Kang-in descobriu In-beom na área, o médio simulou perante Kovár e Robin Hranác, finalizando com classe para o empate (67′).
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Eom Ji-sung e Oh Hyun-gyu entraram de imediato e acabaram por ver os checos fazer mais um golo de bola parada, mas Soucek estava fora de jogo aquando da cobrança do livre lateral (77′). Na resposta, In-beom aproveitou o espaço no lado direito do ataque, ganhou as costas ao central e ao lateral esquerdos checos e cruzou de pronto para o desvio de primeira de Hyun-gyu, que carimbou a reviravolta (80′). A Rep. Checa quase reagiu de pronto ao golo sofrido, com Hlozek a atirar para uma grande defesa de Kim Seung-gyu (80′). Na reta final, Park Jin-seob e Kim Jin-gyu saíram do banco da equipa sul-coreana, que acabou o jogo em sofrimento e com Seung-gyu em evidência. Na derradeira ocasião de perigo, Chory arrancou pela direita e cruzou rasteiro para trás, com Sadílek a finalizar de primeira, colocado, para mais uma grande defesa do guarda-redes (90+3′). Garantido o triunfo, os jogadores da Coreia do Sul caíram no chão logo após o apito final, bastante exaustos depois de uma estreia bastante exigente (2-1).
A estrela
- Tal como se esperava, foi um jogo bastante renhido e discutido até à última, embora a tendência do jogo tenha acabado por contrariar essa ideia. Para isso contribuiu Lee Kang-in, que foi o pulmão de uma equipa sul-coreana que deixou tudo no relvado no Akron e garantiu uma importante vitória no arranque do Mundial. O extremo do PSG, que cumpriu esta sexta-feira o 48.º jogo da temporada, foi a grande figura da Coreia do Sul, terminando o jogo com uma assistência, um remate, cinco dribles bem-sucedidos, quatro faltas sofridas, três passes decisivos e 100% de eficácia em termos de passes no último terço. Foi o líder da sua equipa e o cérebro que abriu caminho à reviravolta.
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O joker
- Foi através do corredor central que a Coreia do Sul desbloqueou, naquela que foi uma tendência explorada pelos leões asiáticos ao longo da partida. Com os extremos por dentro, ao contrário da Rep. Checa, os sul-coreanos aproveitaram bem o espaço, com Hwang In-beom a entrar em cena, primeiro com o golo do empate e depois com o cruzamento que terminou no tento da reviravolta de Oh Hyun-gyu. O médio terminou o jogo com três remates, dois deles enquadrados, 90% de eficácia de passe, dois dribles eficazes (em dois) e duas interceções.
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A sentença
- Tendencialmente, é importante começar o Campeonato do Mundo e, nesse aspeto, a Coreia do Sul não podia pedir melhor. Esta vitória acaba por lançar a equipa asiática em direção aos 16 avos de final, precisando, na teoria, de mais um ponto, sendo que até os três pontos podem ser suficientes. Por outro lado, a Rep. Checa está obrigada a pontuar na segunda jornada para continuar a sonhar com o apuramento, terminando esta primeira ronda com os mesmos zero pontos da África do Sul.
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A mentira
- Não é uma mentira propriamente dita, mas acaba por ser um dado que tem tanto de enganador como de inusitado. Foi preciso esperar-se 16 anos para o recorde de treinador mais velho da história do Mundial cair. Aconteceu no jogo de estreia, com Hugo Broos a quebrar o registo de Otto Rehhagel por cerca de três anos (74-71) e voltou a acontecer poucas horas depois, quando Miroslav Koubek dirigiu a Rep. Checa aos 74 anos e nove meses, superando o belga por cerca de sete meses. Apesar de ter, por esta altura, o recorde, Koubek sabe que o vai perder dentro de poucos dias, já que o neerlandês Dick Advocaat vai dirigir Curaçau aos 78 anos. Depois de quatro Mundiais sem recorde, o registo vai cair três vezes em apenas quatro dias…
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