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Não há nada como a verdadeira primeira vez. Assim foi a cerimónia de abertura do Mundial

O estádio Azteca, pela terceira vez palco de um Mundial, recebeu 99 mil pessoas. "Dai Dai" de Shakira e Burna Boy fechou a cerimónia de abertura, que contou com Salma Hayek e Andrea Bocelli.

Manuel Conceição Carvalho
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O Azteca, o primeiro estádio a receber três Campeonatos do Mundo (1970, 1986 e 2026), tornou-se, esta quinta-feira, o cenário perfeito para o pontapé de saída do Mundial. Para dar as boas-vindas à nova edição da mais prestigiada competição de futebol no Mundo, a Cidade do México vestiu-se a rigor e trouxe até si estrelas que abrilhantaram o primeiro jogo da competição.

A cerimónia foi a primeira de três: cada país anfitrião da prova — México, EUA e Canadá — fará a sua, cada um com o seu programa. Mas não há nada como a verdadeira primeira vez. E essa calhou aos mais de mais de 99 mil espetadores que encheram o Azteca.

Fora do estádio, a realidade do país impunha-se com uma força impossível de ignorar e que aproveitava a boleia do mediatismo do jogo que arrancou pouco depois das 20h, em Portugal. As avenidas circundantes do Azteca transformaram-se num protesto de dor e resistência. Mulheres, mães e irmãos — os coletivos de Madres Buscadoras — marchavam enquanto erguiam cartazes com os rostos daqueles que a violência fez desaparecer nas ruas mexicanas.

Dentro do estádio, a festa. Duas horas antes do início da partida inaugural, o Azteca já tinha ambiente de jogo nas bancadas. Estava tudo pronto para a cerimónia e para a reedição de uma história em que o tempo fez questão de inverter os papéis. Há exatamente 16 anos, o anfitrão do Campeonato do Mundo foi a África do Sul e o México o adversário dos sul-africanos, também no jogo inaugural, que acabou empatado a uma bola. Agora, foram os sul-africanos no papel de visitante e o México no papel de visitado.

Mais de década e meia depois, ambas as nações tiveram os heróis daquele dia 11 de junho de 2010 ao Azteca no estádio. Tshabalala, o marcador dos sul-africanos em 2010, um golo que o elevou ao estatuto de lenda de um Mundial, confessou-se aos microfones da LiveMode “emocionado” por estar no Azteca e poder assistir à reedição do duelo. Já Rafa Márquez marcou presença na condição de adjunto dos anfitriões, sendo que vai assumir o comando da seleção depois do Mundial. O antigo defesa central foi quem empatou a partida de há 16 anos e fixou o resultado final (1-1).

Às 18h30 portuguesas (continente), o bruá dos adeptos passava a ter companhia. Primeiro, os Maná. Depois, Danny Ocean, Lila Downs e Los Ángeles Azules, que ecoavam no Azteca os sons da cumbia mexicana. A cerimónia contou ainda com J Balvin, Ryan Castro, Tyla, Alejandro Fernández e Belinda. Mas para o fim, ficava o melhor — era o momento em que se cantava e ouvia pela primeira vez, durante a fase final, a música desta edição deste ano do Campeonato do Mundo. “Dai Dai”, de Shakira e Burna Boy, fechou a cerimónia.

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“Viva o México e viva o futebol!”, gritou Salma Hayek, que, em nome de todos os compatriotas, disse que o povo mexicano se sentia muito honrado por receber a primeira partida da fase final do Mundial, antes de dar entrada às bandeiras de todas as seleções participantes no torneio, com mais um momento musical, desta vez com Andrea Bocelli, Megan Thee Stallion, EJAE e David Guetta a cantar mais um dos temas deste Mundial: “It’s more than just a game, it’s our DNA” [É mais do que apenas um jogo, está no nosso ADN, em português]. Os últimos momentos extra-jogo ficaram a cargo de Gianni Infantino, presidente da FIFA, que mostrou o troféu da competição a todo o estádio.

Pouco depois, o palco cheio de cores abriu as portas aos grandes protagonistas e retransformou-se em relvado, com as seleções centro-americana e sul-africana a prepararem-se para medir forças e a cumprirem a novidade protocolar da prova: todos os jogadores, titulares e suplentes, subiram ao relvado e cantaram o hino no circulo central.