Nascida Norma Jeane, tinha cabelos castanhos e cresceu num orfanato antes de se tornar Marilyn Monroe. Para além da figura pop retratada pelo artista Andy Warhol e a sex symbol que revolucionou o seu tempo, é isto que a mostra Marilyn: Icon of the Century quer trazer ao público: a mulher para além da celebridade mundialmente conhecida. Tal história é contada através de mais de 100 itens como fotografias, livros, cosméticos, utensílios para a casa e roupas selecionados para a exposição inédita em Lisboa, e que antecipamos na galeria em cima.
Todos os objetos da coleção pertencem ao empresário alemão Ted Stampfer, que há quase duas décadas organiza um acervo sobre Marilyn e partilha-o em exibições pelo mundo. “Não só empresto os objetos, mas ajudo a organizar também a estrutura, a destacar o que é relevante da biografia e da filmografia. Marilyn é uma mulher emancipada e atemporal e é através dos seus pertences que apoiamos essa narrativa”, afirma em entrevista ao Observador, dias antes de viajar para Lisboa. É na capital portuguesa que arranca a 17 de junho, presente para visita gratuita até 30 de agosto, a exposição na praça central do centro comercial Colombo. Todas as imagens na galeria deste artigo exibem algumas das peças selecionadas para a ocasião, que marca o centenário de Marilyn Monroe.
Stampfer é o curador da exposição que já viajou por quase 20 países em quatro continentes. Tornou-se fã da norte-americana quando esta já não era viva, o que não o impediu de ter contacto com a sua história da forma mais profunda possível. “Estamos a falar de um ser humano com desejos, necessidades e sonhos como qualquer pessoa. E que conseguiu realizá-los mesmo morrendo jovem [nasceu a 1 de junho de 1926 e morreu aos 36 anos, em 1962]”, diz. O admirador destaca a personalidade vanguardista da norte-americana, que usava calças, roupas de ganga e acessórios desportivos numa altura em que tais hábitos eram socialmente restritos aos homens: “Marilyn não se importava com as regras da sociedade. Foi uma mulher democrata e feminista, que negociava os seus próprios contratos”, afirma.
Entre os mais de 1.500 itens da atriz que o curador possui, diz ser “difícil” escolher só um como o seu favorito. “O ‘mais especial’ é algo subjetivo. Para mim, o importante é a variedade”, explica. Durante as suas investigações, Stampfer tanto se cruzou com um desenho feito por Norma Jeane em criança como com a ventoinha de mão que Marilyn Monroe usa na comédia romântica The Seven Year Itch, de 1955.
Mas cita também com carinho um par de sapatos que a atriz usou numa viagem de negócios à Nova Iorque, aos 28 anos. “Simbolizam uma mulher independente e emancipada que se afastou de Hollywood para abrir a sua própria empresa e negociar contratos”, diz. Não só as atrizes, mas também mulheres de outras profissões acabariam por ser influenciadas direta e indiretamente pelos seus atos corajosos. “Marilyn tinha uma aura única e um brilho especial que fazem com que a sua história permanceça viva”, encerra o curador.