A poucos dias de se estrear no Mundial, o Haiti foi forçado a mudar de equipamento, após a FIFA considerar que certos elementos continham um cunho político. A Saeta, empresa que fez o design do uniforme, já comunicou que irá fazer as alterações devidas.
As camisolas da seleção haitiana são azuis, brancas e vermelhas, com o escudo da equipa no centro. No entanto, a contestação da FIFA baseou-se na lateral direita da camisola, onde estão silhuetas inspiradas na Revolução Haitiana, referiu o The Guardian. O momento retratado no equipamento é a Batalha de Vertières, em 1803, na qual o líder revolucionário Jean-Jacques Dessalines rasgou a faixa branca de uma bandeira francesa, para criar uma nova bandeira. O momento é comemorado no dia 18 de maio como o Dia da Bandeira Haitiana.
De acordo com o regulamento da FIFA, os equipamentos desportivos não podem ter mensagens nem slogans políticos, religiosos ou pessoais, afirmou a BBC. Numa publicação no Instagram, a Saeta, empresa que desenvolveu as camisolas, explicou que o design apresentado foi um “tributo aos homens e mulheres que contribuem todos os dias para o futuro do Haiti”, destacando que nunca houve o objetivo de fazer uma declaração política. “Apesar de a interpretação (da FIFA) diferir da nossa intenção, a Saeta respeitou o processo e implementou os pedidos finais requeridos”, destacou.
Os elementos rejeitados pela FIFA aparecem nas três camisolas do Haiti, já esgotadas no site oficial da Saeta. A loja online da FIFA oferece apenas dois artigos específicos da equipa: um boné e um cachecol. Durante os jogos de preparação contra Nova Zelândia e Peru, na semana passada, o Haiti usou o equipamento agora proibido, mas, no site da FIFA, a equipa é apresentada sem fotos, ao contrário dos outros países.

O novo uniforme, em conformidade com os requisitos da FIFA, deverá ser apresentado oficialmente antes da primeira partida do Haiti na competição, que será contra a Escócia no sábado, noticiou um meio de comunicação haitiano, o Rezo Nòdwès.