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Teatro A Barraca. Investigação às agressões contra ator Adérito Lopes continua. Advogado pede rapidez ao Ministério Público

Adérito Lopes foi agredido há um ano por um alegado neonazi. Ministério Público abriu inquérito, que ainda decorre sob segredo de justiça. Advogados só "recentemente" tiveram acesso ao processo.

Teresa Freire
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O caso das agressões ao ator Adérito Lopes, no Teatro A Barraca, por um alegado neonazi, continua a ser investigado, um ano depois de o inquérito do Ministério Público ter sido aberto. O processo ainda está em segredo de justiça e só “recentemente” é que os advogados tiveram acesso ao inquérito, sendo que a defesa do ator pede rapidez às autoridades.

As agressões aconteceram no dia 10 de junho de 2025. O ator Adérito Lopes, ao chegar ao teatro A Barraca, para uma peça sobre o Dia de Portugal, foi agredido e ficou ferido com dois cortes na cara. Foi depois transportado para a urgência do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

https://observador.pt/2025/06/10/ator-aderito-lopes-agredido-por-grupo-de-neonazis-junto-ao-teatro-a-barraca-em-lisboa-foi-uma-agressao-gratuita-puro-odio/

O suspeito, um homem de 20 anos, foi logo identificado pela PSP. Pertenceria a um grupo de extrema-direita, cujos membros estavam a passar junto ao Teatro A Barraca. Foi aí que se deram as agressões. O Ministério Público abriu um inquérito e no início de julho de 2025 soube-se que o suspeito ficou com termo de identidade e residência como medida de coação.

Agora, a Rádio Observador, no âmbito do programa “Onde Pára o Caso?” apurou junto de fonte oficial do Ministério Público que “a investigação prossegue, sujeita a segredo de justiça”.

O advogado do arguido, José Gaspar Schwalbach, confirma a informação, assim como um dos advogados de Adérito Lopes, Ricardo Sá Fernandes, que admite ainda que a defesa só teve acesso a uma parte do processo, pela primeira vez, “recentemente”.

Ricardo Sá Fernandes revela à Rádio Observador que a defesa tem pedido rapidez ao Ministério Público, neste processo. O advogado pede também que seja dada prioridade ao caso. No entanto, considera difícil que a investigação esteja concluída até ao fim do ano judicial.

O ator Adérito Lopes quebrou o silêncio dois dias depois da agressão, através de uma nota publicada nas redes sociais. Afirma que foi “absolutamente surpreendido por um cruel e brutal ato de violência, totalmente gratuito”. Garante também que da sua parte não houve “qualquer ação” em relação ao agressor ou a qualquer outra pessoa ali presente”.

https://observador.pt/2025/06/13/cruel-ato-de-violencia-ator-agredido-em-teatro-quebra-silencio-e-pede-que-caso-seja-exemplarmente-investigado-e-punido/

O agressor, um jovem de 20 anos, deu uma entrevista à TVI três dias depois do decorrer dos acontecimentos. Nesta entrevista, na qual apareceu de cara tapada, para não revelar a identidade, recusou qualquer ligação ao grupo neonazi. Mas admitiu agredir o ator, num “ato de impulso, estupidez, e álcool”.

https://observador.pt/2025/06/13/jovem-que-agrediu-ator-junto-a-teatro-a-barraca-alega-nao-ter-ligacoes-a-grupos-neonazis-e-que-estava-alcoolizado/

Este foi um caso que suscitou várias reações políticas na altura. Marcelo Rebelo de Sousa, na altura chefe de Estado, condenou o ataque numa nota do site da Presidência da República. A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, repudiou o “atentado contra liberdade de expressão”. Também o executivo da Câmara Municipal de Lisboa aprovou votos de repúdio e de condenação pela agressão ao ator Adérito Lopes.

https://observador.pt/2025/06/16/camara-de-lisboa-condena-ataque-contra-a-barraca-perpetuado-por-extrema-direita/

Ouça aqui o novo episódio do “Onde Pára o Caso?”

https://observador.pt/programas/onde-para-o-caso/agressor-do-ator-aderito-lopes-continua-sob-investigacao/