O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan voltou para casa na quarta-feira e foi recebido como um herói, após ser impedido de entrar nos EUA para o Mundial de 2026. Os Estados Unidos consideraram que Artan terá ligações a pessoas “suspeitas de pertencerem a organizações terroristas”, confirmou a Reuters.
Milhares de fãs entusiasmados, com bandeiras e fotos de Artan, ocuparam um estádio em Mogadíscio (capital da Somália), onde o árbitro era convidado de honra para um jogo. Abdulqadir Ali Abokor, estudante de 26 anos, relatou à Reuters a sua desilusão com a medida dos EUA: “Todos nós também temos sonhos. Ele fez um esforço enorme para chegar onde chegou e acabou por ficar desapontado”.
Para o árbitro somali, o que aconteceu foi “o destino”, agradecendo à FIFA pelo apoio que recebeu. Artan pediu aos jovens para não perderem a esperança no país: “A Somália é nossa, quer as coisas corram bem ou mal”.
O primeiro-ministro da Somália, Hamza Abdi Barre, disse que Artan conquistou o coração de milhões e garantiu o seu lugar na História, numa publicação no X. “Durante a sua vida, Omar carregou um apito, não como símbolo de autoridade, mas como um compromisso com a imparcialidade, a justiça e o espírito do jogo”, destacou. Segundo Barre, Omar inspirou as crianças que ousam sonhar além do horizonte, afirmando que “os sonhos podem ser adiados, mas nunca são derrotados”.
https://twitter.com/HamzaAbdiBarre/status/2064649011932320222
Artan foi eleito o melhor árbitro africano de 2025 e estava prestes a tornar-se o primeiro somali a apitar a maior competição de futebol. Apesar de ter perdido esta oportunidade, espera ser selecionado para o próximo Mundial, como referiu o Somali Guardian.
A FIFA recebeu bastantes críticas depois da expulsão deste árbitro. Contudo, o presidente da instituição frisou que não pode controlar países nem forças policiais. “Somos uma organização desportiva que faz o máximo que pode”, explicou Gianni Infantino numa conferência de imprensa.