(c) 2023 am|dev

(A) :: Canhões de água em Belfast e fiéis trancados em Mesquita em Glasgow. Protestos continuam pelo 2º dia consecutivo

Canhões de água em Belfast e fiéis trancados em Mesquita em Glasgow. Protestos continuam pelo 2º dia consecutivo

Uma lista com moradas de imigrantes estará a circular online e pessoas trancaram-se numa mesquita para se protegerem no segundo dia consecutivo de protestos violentos.

Sâmia Fiates
text

Depois de uma terça-feira com carros e casas incendiadas, Belfast entrou no segundo dia consecutivo de protestos, uma reação à prisão de um homem sudanês acusado de tentativa de homicídio por ter atacado uma pessoa com uma faca. No fim da tarde desta quarta-feira, foram várias as concentrações pela capital da Irlanda do Norte, e em alguns casos os manifestantes entraram em confronto com a polícia. Os protestos anti-imigração chegaram também a Glasgow, na Escócia, com fiéis muçulmanos a trancarem-se numa mesquita para se protegerem. Três pessoas foram presas.

Cerca de 200 pessoas reuniram-se numa região a norte do centro de Belfast esta tarde, e uma multidão atirou pedras e outros objetos aos agentes da Polícia. Canhões de água foram usados para dispersar os manifestantes, com agentes a protegerem-se com escudos. O conflito escalou ao cair da noite, com um prédio abandonado e uma van a serem incendiados na Antrim Road. No bairro de Tullyally, em Londonderry, um grupo de jovens, alguns deles mascarados, ateou fogo a caixotes de lixo.

De acordo com a BBC, entre 90 a 100 pessoas participaram numa manifestação em frente a residências de ocupação múltipla — onde alegadamente vivem imigrantes — nas imediações da Universidade de Ulster. Outras 140 pessoas protestaram em Stormont Estate, onde fica o Parlamento do país. Entretanto, até ao momento estas manifestações decorrem de forma pacífica, apesar de serem ouvidas frases como: “Tirem-os daqui”, “são um risco para a nossa comunidade” e “isto acaba esta noite”.

Os protestos em frente a residências de ocupação múltipla terão sido convocados através das redes sociais, onde também estará a circular uma lista com as moradas de alguns imigrantes no país, o que a polícia irlandesa classifica como uma forma de intimidação. “Definir propriedades como alvo dessa forma é completamente inaceitável. Está a colocar vidas em risco e é preciso parar”, diz o comunicado divulgado pelas autoridades, e citado pela Sky News.

Diante da escalada de tensão em relação aos imigrantes no país, o Departamento de Administração Interna da Irlanda do Norte disse que vai reforçar as medidas de controlo da imigração. Espera-se que o Governo aumente os esforços para prender e remover imigrantes ilegais no país, avança a Sky News. 

Protestos chegam a Glasgow

Também em Glasgow, na Escócia, manifestantes anti-imigração saíram às ruas. Três pessoas foram presas e acusadas de ataques racistas e desordem, avançou a BBC. De acordo com as autoridades, cinco pessoas ficaram feridas, incluindo dois agentes da polícia, depois de centenas de pessoas protestarem, usando máscaras, no centro da cidade. A polícia alega que as vítimas foram atacadas “pela cor da sua pele”.

De acordo com o The Times, a mesquita central de Glasgow decidiu trancar os seus fiéis dentro do edifício, como forma de proteção, enquanto homens vestidos de preto marcharam a cantar “Escócia, Escócia, Escócia”. Acredita-se que os manifestantes estavam a caminho da mesquita.

O primeiro-ministro da Escócia, John Swinney, afirmou que os protestos são “imprudentes”. “As cenas vistas em Glasgow, Edimburgo e Ayr, na última noite, são inaceitáveis. A Escócia é uma nação acolhedora e aqueles que escolhem viver aqui são membros valiosos das nossas comunidades. Racismo, ódio e intimidação não têm lugar na Escócia. Devemos opor-nos a isso”, escreveu, na rede social X.

Hadi Alodid, o sudanês de 30 anos detido pelo ataque a faca na noite da passada segunda-feira, compareceu a tribunal esta quarta-feira, e foi acusado de tentativa de homicídio e porte de arma branca em local público. O juiz negou fiança e o caso será revisto a 8 de julho. A vítima, Stephen Ogilve, de 44 anos, sofreu cortes no rosto e nas costas, perdeu o olho esquerdo, e está em coma, avançou o Telegraph.