Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas… e de despedida da Seleção Nacional. A menos de 24 horas do pontapé de saída do Campeonato do Mundo no México, Portugal defrontou a Nigéria no último jogo de preparação para a competição, num duelo cujo simbolismo ultrapassou as quatro linhas para recuar até ao início do ano, quando as tempestades fustigaram o centro do país, em particular Leiria. No Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, o confronto com os nigerianos pretendia replicar o que se espera dentro de uma semana, frente ao Congo. Curiosamente, os super eagles falharam o apuramento para o Mundial depois de terem perdido diante do primeiro adversário de Portugal. Desde a vitória frente ao Chile no Jamor (2-0), os quatro bicampeões da Europa juntaram-se ao grupo, que voltou a contar com Matheus Nunes após a infeção gástrica.
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“É o último jogo da preparação, o foco é preparar, recuperar e dar minutos a quem precisa. O primeiro objetivo é levar os jogadores para o avião preparados para o Mundial. Queremos ganhar. No futebol tens de esperar o inesperado. Temos agora uma oportunidade para trabalhar aspetos que são semelhantes aos que teremos diante do Congo, que é uma equipa africana diferente. É um adversário exigente, que será um teste para preparar o nosso grupo. Preparámos muitos jogos sem onze inicial. A força de Portugal é o compromisso de todos. A responsabilidade é preparar os jogadores para ajudar a equipa, para usarem o seu talento para ganhar. A ideia é fazer onze substituições e tentar que todos tenham minutos. É muito fácil definir o estilo, é um grupo de jogadores com muito talento. Temos uma estrutura e disciplina para ganhar todos os jogos. A ideia é ter flexibilidade tática para ajustar o talento individual dentro da estrutura da equipa. E isso é o que estamos a trabalhar. É muito difícil para pessoas de fora falar do aspeto tático, mas o estilo é fácil e definido”, explicou Roberto Martínez.
Ficha de jogo
Portugal-Nigéria, 2-1
Jogo de preparação para o Campeonato do Mundo-2026
Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria
Árbitro: Mateo Busquets (Espanha)
Portugal: Diogo Costa; Nélson Semedo (João Cancelo, 46’), Rúben Dias (Tomás Araújo, 46’), Gonçalo Inácio (Renato Veiga, 46’), Diogo Dalot (Nuno Mendes, 46’; Matheus Nunes, 80’); Vitinha (Samu Costa, 46’), João Neves (Rúben Neves, 46’); Francisco Trincão (Francisco Conceição, 46’), Bruno Fernandes (Bernardo Silva, 46’), Pedro Neto (João Félix, 46’); Cristiano Ronaldo (Gonçalo Ramos, 64’)
Suplentes não utilizados: José Sá, Rui Silva, Ricardo Velho e Gonçalo Guedes
Treinador: Roberto Martínez
Nigéria: Maduka Okoye; Christian Akpan (Abdullahi Bewene, 60’), Semi Ajayi (Zaidu Sanusi, 60’), Calvin Bassey, Bruno Onyemaechi; Wilfred Ndidi (Raphael Onyedika, 60’), Tochukwu Nnadi (Emmanuel Fernandez, 80’), Fisayo Dele-Bashiru (Frank Onyeka, 60’); Alex Iwobi (Philip Otele, 89’), Moses Simon (Terem Moffi, 60’) e Akor Adams (Paul Onuachu, 80’)
Suplentes não utilizados: Francis Uzoho e Arthur Okonkwo
Treinador: Éric Chelle
Golos: Neto (23’), Adams (37’) e Conceição (75’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Onyemaechi (19’), Chelle (66’), Félix (71’), Zaidu (90+3’) e Samu (90+4’)
Sem Victor Osimhen e algumas das suas referências, a Nigéria chegou a Portugal com os campeões nacionais Zaidu Sanusi e Terem Moffi, e à procura de consolidar processos em direção à próxima fase de qualificação. “Vamos jogar contra uma grande equipa, um dos grandes candidatos a vencer o Mundial. É uma equipa cheia de grandes jogadores. Estamos muito contentes por poder jogar contra eles, é uma grande oportunidade. O nosso foco está em jogar o melhor possível, não tanto com o resultado. Todos os setores são muito bons. Os médios jogam bem com bola, têm a maior estrela do mundo, o avançado… Vi o jogo contra o Chile e estiveram muito bem, a atmosfera foi muito boa. Fiquei desapontado com os vermelhos, mas o jogo foi bom e esta equipa pode ser campeã do mundo daqui a um mês. É um prazer jogar contra Portugal”, assumiu Éric Chelle.
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Em relação ao duelo com o Chile, Roberto Martínez fez sete alterações no onze da Seleção, mantendo apenas Nélson Semedo, Rúben Dias, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo. Nesse sentido, Diogo Costa rendeu José Sá na baliza, com Gonçalo Inácio e Diogo Dalot a atuarem nos lugares de Renato Veiga e João Cancelo. No meio-campo, de onde saem Samu Costa e Bernardo Silva, entram diretamente Vitinha e João Neves. No apoio ao capitão vão estar Francisco Trincão e Pedro Neto, depois de Rafael Leão — falhou o jogo depois de ter sido expulso no sábado — e Francisco Conceição terem jogado nos corredores no sábado.
O jogo começou animado, com Portugal dependente, com bola, dos três médios, e talhado para as transições rápidas, com Semedo a isolar Ronaldo logo a abrir, mas o avançado do Al Nassr acabou por falhar a baliza, já dentro da área, num lance em que tinha tudo para marcar (9′). A resposta das águias africanas surgiu dos pés de Akor Adams que, depois de ganhar no duelo físico com Dalot, deambulou para o meio e rematou ligeiramente ao lado da baliza de Diogo (10′). Pouco depois, Trincão descobriu o lateral do Man. United solto na esquerda com um grande passe, Diogo deixou para Neto em zona central e, depois de amortecer, o avançado desferiu um remate cruzado e rasteiro para o fundo da baliza nigeriana (23′). Foi dos pés de Pedro Neto que saiu a oportunidade seguinte da equipa das quinas, com Bruno Fernandes a desferir um remate para defesa de Maduka Okoye, na sequência do livre (33′). No canto, o médio levantou para a desmarcação de Cristiano Ronaldo que, apesar de ter aparecido solto a cabecear, falhou o tempo de salto e a bola saiu por cima (34′).
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Já na reta final da primeira parte, Trincão teve espaço no corredor central, fintou um adversário para a esquerda e, à entrada da área, desferiu um remate forte que saiu por cima (37′). No pontapé de baliza, Okoye bateu longo para o ataque, Inácio perdeu no duelo com Adams, Dalot falhou a abordagem e, só com Dias pela frente, o avançado recebeu de Fisayo Dele-Bashiru e empatou o jogo, partindo de posição legal por apenas quatro centímetros (37′). Essa acabou por ser a última ocasião de um primeiro tempo que voltou a trazer à tona os problemas de Portugal na transição defensiva, algo que não agradou a Martínez frente ao Chile e, pela reação do treinador (que foi o primeiro a ir para o balneário), diante da Nigéria (1-1).
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Ao intervalo, o selecionador nacional voltou a revolucionar o seu onze, deixando em campo apenas Diogo Costa e Cristiano Ronaldo, com Renato Veiga, Tomás Araújo, João Cancelo, Nuno Mendes, Samu Costa, Rúben Neves, Bernardo Silva, Francisco Conceição e João Félix a saltarem do banco. Foi precisamente dos pés do jovem avançado do Al Nassr que saíram as primeiras oportunidades da etapa complementar, primeiro através de um remate forte na meia-esquerda, para defesa apertada de Maduka Okoye (48′) e, na sequência de um canto, com mais uma bomba, em zona central, que embateu em cheio na barra da baliza nigeriana (48′). Logo a seguir, Ronaldo apareceu em destaque pela negativa, com Mendes a cruzar para o avançado que, isolado, desferiu um remate muito torto (50′). Depois de ter quebrado, a Nigéria respondeu com cinco alterações, com destaque para as entradas de Zaidu e Moffi, e voltou a crescer, aproximando-se da baliza de Diogo Costa.
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Já para lá da hora de jogo, Gonçalo Ramos foi chamado para o lugar de Ronaldo, que saiu ovacionado e entregou a braçadeira de capitão a Bernardo. Nessa condição, Cancelo combinou com Conceição no ataque, o jovem extremo arrancou rapidamente para o meio, passou pelo marcador direito e, dentro da área, desferiu um remate colocado, de pé esquerdo, que entrou junto ao poste mais distante (75′). Ainda houve tempo para Matheus Nunes entrar para o lugar de Mendes, antes de Okoye impedir o golo de Samu com uma defesa instintiva (84′). Terminada a partida, Portugal despediu-se dos particulares com mais uma vitória, tendo agora pela frente uma longa viagem em direção a Palm Beach (2-1).
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