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Mais de mil migrantes morreram a tentar chegar às costas espanholas este ano

Coletivo Caminando Fronteras dá conta de que mais de mil migrantes morreram este ano, até ao mês de maio, tentando chegar à costa de Espanha. Rota atlântica continua a ser "a mais mortífera".

Agência Lusa
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Um total de 1.317 migrantes morreram a tentar chegar à costa espanhola nos primeiros cinco meses deste ano, revela um relatório divulgado esta quarta-feira pelo coletivo Caminando Fronteras.

Das mais de 1.300 pessoas que morreram entre 1 de janeiro e 31 de maio, 142 eram mulheres e 129 eram menores de idade. Além disso, 27 embarcações desapareceram com todas as pessoas a bordo, acrescenta a organização.

Segundo o coletivo, a rota atlântica continua a ser a “mais mortífera” da fronteira, com 635 vítimas. “Apesar de se ter registado uma redução de 72% nas chegadas, a rota tornou-se mais letal. Por cada 100 pessoas que chegavam em 2025, morriam cerca de 14. Em 2026, esse número sobe para 21 pessoas”, salienta o Caminando Fronteras.

No que diz respeito à rota argelina, a organização indicou que o número de vítimas ultrapassou, pela primeira vez, as 507, o que representa um aumento de 54% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A rota do Estreito [de Gibraltar] duplicou o número de vítimas, passando de 52 para 99 em 2026, enquanto na vedação de Ceuta morreram 48 pessoas nos primeiros cinco meses de 2026.

“Este documento é, acima de tudo, um ato de memória. Nasce do direito das famílias a saber, do direito das vítimas a serem reconhecidas e da convicção de que a memória é também uma forma de justiça”, afirmou a fundadora da Caminando Fronteras, Helena Maleno, especialista em migrações e coordenadora da investigação. Maleno sublinhou, sobre o documento agora conhecido, tratar-se de “uma ferramenta de reparação e de transformação social, sustentada ano após ano por aqueles que se recusam a que os seus nomes desapareçam no silêncio”.

O relatório é publicado antes da visita do Papa Leão XIV às Ilhas Canárias, que denunciou repetidamente a exclusão e a discriminação das pessoas que migram. “Os números que hoje apresentamos ilustram com exatidão a realidade a que o Papa se refere e são a prova do que acontece quando essas palavras não se traduzem em políticas concretas de proteção do direito à vida”, concluiu Helena Maleno.