O presidente da Federação Portuguesa de Judo admite ter ficado “estupefacto” com o envolvimento do nome do atleta e medalhado olímpico Jorge Fonseca no chamado caso do Uber da Droga. Ao Observador, Sérgio Pina garante não ter recebido — em momento algum — notificações de qualquer tipo de substância por parte do judoca e diz sentir “conforto” pelo facto de o medalha de bronze dos Jogos do Japão não ser nem suspeito nem arguido naquele processo.
Na primeira reação ao caso, diz que não falou diretamente com Jorge Fonseca desde que o Observador publicou o artigo com as conclusões do caso Uber da Droga. “Fomos apanhados de surpresa. Mas alivia-me que ele seja testemunha — não é arguido de forma nenhuma”, refere Sérgio Pina.
https://observador.pt/especiais/a-lista-de-clientes-vip-do-uber-da-droga-que-a-psp-apanhou-atores-um-atleta-olimpico-funcionarios-da-tap-e-concorrentes-de-reality-shows/
O responsável máximo da Federação Portuguesa de Judo diz ainda que, para já, não vai dirigir-se ao atleta para tentar perceber os contornos do caso. “Falei com o treinador dele e estou a dar-lhe algum espaço para ele aclarar ideias. Só depois vou falar com ele. Não quero ser um elemento que vá ter alguma interferência negativa”, diz Sérgio Pina.
https://observador.pt/2026/06/09/nunca-fui-arguido-nem-suspeito-judoca-jorge-fonseca-nega-ligacao-ao-caso-uber-da-droga/
Em 2019, o judoca tornou-se campeão do mundo da modalidade — foi a primeira vez que um atleta português alcançou esse patamar. Dois anos depois, em Budapeste, revalidou o título na categoria -100kg. E ainda venceu a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Sem competições entre final de 2024 e início de 2025
Esta semana, o Observador revelou que Jorge Fonseca é um dos nomes que constam no caso do Uber da Droga. O nome do atleta surge na lista de testemunhas, mas também surge, na sentença que levou à condenação de três arguidos, como um dos clientes de Nuno Ricardo. O judoca foi intercetado numa escuta da PSP a pedir “quatro pastilhas” ao sócio do dealer dos famosos. Ao Observador, o advogado de Fonseca negou qualquer compra ou consumo de produtos estupefacientes. E já esta terça-feira o próprio atleta do Sporting CP veio reiterar não ter cometido qualquer crime nem consumido produto estupefaciente.
Na primeira reação ao caso, o presidente da Federação de Judo sublinha os testes rigorosos a que estes atletas são sujeitos. “Foi uma notícia que me deixou de boca aberta, porque se há atletas que são testados e escrutinados pelas substâncias que ingerem são os que estão no alto rendimento”, como é o caso de Fonseca.
https://observador.pt/especiais/festivais-encontros-no-aqueduto-o-negocio-no-rato-e-o-portao-castanho-os-pontos-quentes-do-uber-da-droga-em-lisboa/
A escuta em que o judoca é intercetado é de outubro de 2024. O Observador questionou Sérgio Pina sobre quais os testes antidoping a que o atleta tinha sido submetido, e se nesse período teria sido testado. Sérgio Pina diz que, “desde [os Jogos de] Paris, em 2024, e até ao início de 2025, [o judoca] não fez qualquer competição” internacional. Não é, por isso, claro a que testes foi submetido naquela fase. Mas Sérgio Pina insiste: “Nunca recebemos notificação nenhuma de algum problema com o Jorge.”