Era um jogo de final, era um jogo que prometia muito, foi um jogo que ficou com a história contada apenas em 20 minutos. Com a entrada avassaladora nos minutos iniciais que nem precisou propriamente de grandes percentagens de tiro mas que fez imperar a parte defensiva como base do sucesso, o Benfica saiu a ganhar ao intervalo frente ao FC Porto por 17 pontos, aumentou essa vantagem no arranque da segunda parte e depois limitou-se a gerir o esforço até ao triunfo final por 89-73. Jogo 1 fechado, jogo 2 completamente em aberto numa fase em que todos os olhares do basquetebol nacional andam em Neemias Queta e no seu treinador nos Boston Celtics, Joe Mazzulla, campeão em 2024. Numa oportunidade quase única, a NBA veio a Portugal. Num encontro quase único também, Portugal mostrou-se à NBA. E, neste aspeto, só faltava o vencedor.
https://observador.pt/2026/06/07/um-atropelo-para-comecar-a-viagem-benfica-vence-fc-porto-no-inicio-da-final-do-campeonato/
Exemplo prático? Ao intervalo já tinham sido marcados 110 pontos em meros 20 minutos, numa pontuação que várias vezes se vê na Liga portuguesa no final do terceiro período (ou mesmo no início do quarto). Mais: Cornelius Hudson, que tinha sido a chave do triunfo dos dragões nas meias-finais diante do Sporting, teve uma exibição digna da melhor liga de basquetebol mundial na casa dos 40 pontos e com movimentos que muitas vezes pareciam não ter defesa possível. Foi mesmo um grande jogo, provavelmente um dos melhores (até o melhor) esta época na Liga nacional, que podia ficar resumido a dois daqueles triplos do meio-campo que tantas vezes se costumam ver nas partidas da NBA – um de um jogador, outro… de um adepto. No entanto, havia uma força que estava acima de tudo e todos e que acabou a fazer toda a diferença.
https://twitter.com/modalidadesslb/status/2064349412223057975
“É sempre bom entrar a ganhar porque o primeiro jogo é sempre de maior pressão mas costumo dizer que o jogo mais importante é sempre o seguinte. Não estávamos à espera de um desnível tão grande. Defendemos muito bem nos três primeiros períodos e as coisas não lhes correram bem no tiro exterior e nos lançamentos livres. O próximo jogo vai ser completamente diferente. Em tantos jogos de playoffs ao longo dos anos nunca vi dois jogos em que o que aconteceu fosse semelhante e que no fim acabasse igual. Esperamos dificuldades e vamos ter de ser uma equipa coletiva a defender e a atacar”, apontara Norberto Alves.
https://twitter.com/modalidadesslb/status/2064452418910249452
“Não acho que o Benfica tenha tido um volume ofensivo assim tão importante nem tão significativo, é uma equipa que, em média de Liga, tem 94 pontos. Fez 89. Não me parece que a eficácia ofensiva do Benfica tenha sido tão extraordinária quanto isso. Acho que realmente estivemos abaixo do que é normal e do que é exigido para jogar um playoff final e isso afetou-nos em termos defensivos. No decorrer do jogo disse aos meus jogadores para acreditarem no trabalho que tem vindo a ser feito e que eles têm realizado porque tem sido uma equipa que passou por muitos problemas ao longo da época. Aí, em quase todos esses problemas, conseguimos dar o passo em frente. Ninguém acreditava que pudéssemos estar numa final outra vez mas estamos porque acreditámos. Tudo faremos para que as coisas possam mudar”, frisara Fernando Sá.
https://twitter.com/fpbasquetebol/status/2064444287165649290
Ambos tinham razão, mesmo que chegando ao pretendido por outros caminhos. As defesas não estiveram globalmente mal, a percentagem de lançamentos melhorou muito, a agressividade na disputa de todas as bolas foi outra. Percebendo que era uma final, Benfica e FC Porto jogaram como se fosse uma verdadeira final com essa premissa de que, no final, só podia sobrar um. E, numa partida que chegou aos 200 pontos após passar por prolongamento com um empate a 94, os dragões acabaram por ser mais fortes nas fases decisivas do clássico, empatando a final na Luz com um triunfo por 102-98 muito assente naquilo que Cornelius Hudson conseguiu fazer ao longo do jogo para levar todas as decisões para o Dragão Arena.
https://twitter.com/fpbasquetebol/status/2064426178660692134
https://twitter.com/fpbasquetebol/status/2064441253299667256
Depois de uma primeira parte em que o FC Porto esteve quase sempre por cima e chegou a beneficiar de uma vantagem de 14 pontos no segundo período (45-31), o Benfica foi conseguindo aproximar-se e chegou mesmo ao empate com um triplo do meio-campo de Geno Crandall em cima da buzina (55-55). Depois, com o passar dos minutos, os encarnados conseguiram passar para a frente, concluíram o terceiro período com um avanço de três pontos (77-74) e ganharam ainda uma motivação extra na paragem com o feito de um adepto que, de calções e chinelos, ganhou uma viagem aos EUA para ir ver Neemias Queta com um triplo do meio-campo. Os dois tiros do oceano pareciam estar a definir a noite, até pelos 11 pontos de vantagem que as águias conseguiram cavar no último parcial, mas Hudson mostrou que há noites em que um rio pode ser maior do que qualquer maré, voltando aos lançamentos longos e forçando um prolongamento após três lançamentos seguidos falhados pelo Benfica (94-94). Havia cinco minutos extra de espetáculo onde, entre alguns jogadores excluídos por faltas, os dragões acabaram por imperar, vencendo por 102-98.
https://twitter.com/FCPorto/status/2064444452509286768