Cinco vitórias em cinco jogos, o fecho da fase de grupos em busca de mais um triunfo. Portugal conseguiu o mais “difícil” no grupo B3 da Liga das Nações, que dava também acesso às fases seguintes de apuramento para a próxima fase final do Campeonato do Mundo, e tinha agora em Tampere o mais “fácil” frente à equipa que maior oposição deu à Seleção, a Finlândia. Era por isso, e tendo em vista a possibilidade de fechar esta primeira fase só com triunfos, que Francisco Neto recusava qualquer “facilitismo”, sabendo que o mínimo deslize podia ser aproveitado pelas nórdicas para arriscarem uma missão à partida quase impossível.
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“Este é o último jogo da fase de grupos e queremos terminar com uma vitória. O nosso objetivo é continuar esta sequência de triunfos e chegar ao playoff de outubro/novembro em boas condições para lutar pelo apuramento para o Mundial. Vamos defrontar uma Finlândia bem organizada, que pode criar dificuldades. No nosso grupo, é a equipa mais próxima no ranking. Portugal parte com algum conforto mas isso não muda nada: sabemos que temos de ser competitivos durante 90 minutos. Acredito que a Finlândia vai entrar forte e o jogo vai depender muito da nossa capacidade de resposta e de adaptação. Pode ser um jogo equilibrado, com oportunidades. Temos de saber aproveitar as nossas e não permitir as delas”, apontara.
“O mais importante é mantermos sempre a nossa identidade. Independentemente do adversário ou das circunstâncias, temos de ser nós próprios: procurar ter bola, controlar o jogo e impor o nosso estilo. Relvado artificial? Pode influenciar o jogo. Se estiver mais seco pode ficar mais lento, se estiver com mais água pode ficar mais rápido. Mas isso não pode ser desculpa. Temos de nos adaptar rapidamente e perceber como jogar em cada cenário”, acrescentara, apesar de lamentar a falta de possibilidade de fazer o habitual treino de adaptação ao relvado do Tammelan Stadion antes da última partida no grupo B3.
Entre uma autêntica revolução no onze inicial, pela tática e pela vertente física depois da goleada no Estoril diante da Letónia na passada sexta-feira, Portugal recuperou aquela que é a sua equipa tipo com um total de sete alterações mas, durante largos momentos, não conseguiu ser fiel a essa identidade tantas vezes pedida por Francisco Neto. Aliás, quase tudo correu mal mas sobrou uma coisa boa: também com esse penálti que Inês Pereira defendeu em Portugal no triunfo diante da Finlândia a entrar nas contas finais, a Seleção sofreu a primeira derrota nesta caminhada (e logo com três golos consentidos) mas garantiu mesmo o primeiro lugar do grupo B3 pela diferença de golos marcados e sofridos no duelo direto com as nórdicas.
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Apesar do início aparentemente controlado por Portugal, a alternar momentos em posse com a procura da profundidade com Jéssica Silva, a Finlândia foi conseguindo depois assumir o controlo do jogo e ganhar tudo o que a Seleção não podia “dar”: confiança. A largura que as nórdicas colocavam em termos ofensivos abria espaços, as primeiras aproximações com perigo não tiveram finalização, Inês Pereira destacou-se depois com um corte com os pés que evitou males maiores antes da recarga na área que bateu nas costas de Diana Gomes e não foi à baliza. No entanto, e nessa fase, o conjunto nacional perdera o que nunca podia ter perdido: mais posse, mais capacidade de circulação, mais saída. E pior ficou quando, numa jogada coletiva que nasceu de uma aparente falta não assinalada a meio-campo sobre Kika Nazareth, Adelina Engman assistiu a partir da direita Nea Lethola ao segundo poste para o desvio isolada que fez o golo inaugural da partida (12′).
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Mesmo a perder, Portugal não melhorou. Quando deixou de estar a perder, também não. Aproveitando um livre lateral descaído sobre a esquerda, Kika Nazareth bateu em arco na direção da baliza e acabou mesmo por fazer o empate, surpreendendo Anna Koivunen (29′). No entanto, e naquilo que poderia trazer de novo o equilíbrio à Seleção, foi a Finlândia que continuou a carregar até ao intervalo em busca de nova vantagem, com Inês Pereira a evitar por três ocasiões o segundo golo das nórdicas entre uma bola no poste de Emma Koivisto (35′). As alterações táticas feitas pelas visitadas resultaram em cheio, com esse trabalho constante pelos corredores laterais a conseguir surpreender o losango nacional no meio-campo, entre vários erros e passes falhados no primeiro terço que não conseguiam afastar as finlandesas do terreno português.
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Percebia-se que Portugal precisava do intervalo para parar, reagrupar tropas e perceber como encaixar naquilo que a Finlândia estava a fazer. Problema? A entrada foi ainda mais titubeante do que acontecera na parte final da metade inicial, com as nórdicas a precisarem apenas de uma oportunidade para jogarem dentro do bloco nacional e libertarem Nea Lethola na área para o 2-1 (47′). Sem que nada o fizesse à partida prever, a equipa da casa voltava a acreditar que era possível marcar mais um golo que conseguisse reabrir de vez a possibilidade de apuramento para a Liga A da Liga das Nações antes de um período onde a Seleção teve mais bola e outra capacidade de travar as transições. Mais: caso existisse VAR, o empate poderia estar à distância de 11 metros depois de um lance em que Jéssica Silva foi pontapeada na área sem sanção (58′).
Jéssica Silva teve pouco depois a primeira grande oportunidade de Portugal no segundo tempo, tentando o desvio de primeira na área após cruzamento de Ana Capeta da direita mas com boa defesa de Koivunen, mas nem mesmo quando a Finlândia parecia dar sinais de alguma quebra física houve um controlo assumido do jogo por parte de Portugal, que já contava entretanto em campo com Nádia Bravo e Carolina Santiago no ataque em vez de Ana Capeta e Jéssica Silva. Sanni Franssi deixou um aviso à baliza de Inês Pereira, a capitã Eva Nyström não perdoou numa insistência na área e fez mesmo o 3-1 que deixava tudo em aberto para os derradeiros minutos (79′). No entanto, e entre mais duas bolas paradas afastadas por Inês Pereira, Portugal segurou esse resultado até ao final e conseguiu mesmo confirmar o principal objetivo: subiu à Liga A.
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