Sim, este costuma ser um espaço de boas energias e muita esperança (querias, Gustavo Santos), mas porque hoje é 10 de junho, chegou a hora de termos a conversa séria que há muito se impunha. Nas próximas semanas não se deixem impressionar pelo facto de nos sagrarmos campeões do mundo de futebol, porque a verdade é que Portugal não vai a lado nenhum. Portugal o país, não a selecção de futebol, que essa irá triunfar. Quer dizer, estava mais seguro disso até o Presidente Seguro afirmar, também ele, que espera a vitória. Para incutir motivação, nada como um líder que, mesmo quando ganha — como aconteceu enquanto chefe do PS — leva um chuto nas nalgas.
Dizia eu que, em termos de país, nem tudo é mau em não irmos a lado nenhum. Para já, como destino turístico é o ideal. Há poucas coisas mais aborrecidas do que aqueles países que vão a algum lado e às vezes bem depressa: uma pessoa está a contar ir visitar — sei lá — El Salvador e quando lá chega o país já vai muito mais à frente, à conta das ideias tresloucadas do presidente deles, do género prender criminosos em cadeias em que cumprem mesmo a pena, mesmo isolados do exterior e tal. Ora, com Portugal isso nunca acontecerá, porque não vamos a lado rigorosamente nenhum. Mas porquê? Qual é, afinal, a génese de tão lusitano não ir a lado nenhumismo?
Comecemos pelo princípio. Mas mesmo pelo princípio, não é um daqueles “comecemos pelo princípio” só para o pleonasmo insinuar, discretamente, uma certa dificuldade de compreensão do interlocutor. Nada disso, aqui o princípio é mesmo o princípio: o primeiro ser humano. Porque há cerca de 300.000 anos (27 minutos, e 9 segundos, para ser preciso) terá nascido o primeiro ser humano digno desse nome. O que significa que foi há exactamente esses 300.000 anos (27 minutos, e 9 segundos, para ser de novo preciso) que nasceu o primeiro fã desse nome indigno que é “socialismo”.
Portanto, o cerne (não confundir com o CERN, mas lembrem-me de falar do Bosão de Higgs um dia destes, que sei estarem ansiosos) do problema pode muito bem ser este: ao invés do que gostamos de romancear, o ser humano não nasce com o instinto de ser livre; pelo contrário, o ser humano nasce, como é óbvio aliás, com o instinto de ter quem tome conta dele. Só se larga a mama da mamã quando se agarra a teta do Estado. Ou seja, o ser humano nasce socialista. E não selvagem, como garantiam os Delfins. Embora seja muito frequente o socialismo redundar em selvajaria, se é que já ouviram falar, por exemplo, da Venezuela.
Ora, nascendo todos nós socialistas, não há muitas hipóteses. Ou uma pessoa se mantém socialista, ou opta por viver naquela coisa… Ai, como é que se chama?… Na realidade, é isso. Ou uma pessoa escolhe passar pela vida num estado de permanente infantilização, ou cresce para ser um adulto digno que preza a liberdade. Ou uma pessoa entra numa juventude partidária socialista, faz carreira nos subterrâneos da política e arranja trabalho para a vida numa função pública da qual não pode ser despedida nem depois de romper o tendão de Aquiles do chefe com uma entrada duríssima num jogo de sueca, ou… ou… Eh pá, não consigo imaginar cenário mais de sonho.
Lá está, o socialismo apela aos nossos instintos primários, enquanto produz efeitos facilmente percebidos por um miúdo da primária: com uma dose mínima de socialismo, o estado só cresce, vira creche e logo cracha. A propósito da data que se celebra hoje, basta ver que o dia é de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, mas estes anos socialistas são de quem vive da imigração ilegal para Portugal, do estado a tapar os olhos à baderna e das crescentes Comunidades Portuguesas lá fora, por norma daqueles lá foras bem menos socialistas do que cá dentro.
Cá dentro são redes de imigração ilegal em 17 das 24 freguesias de Lisboa, são 4.000 moradores na mesma rua em dois apartamentos, são funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros a legalizar imigrantes, são empresários a contratar mão de obra ilegal, enfim. A questão que se impõe é muito simples: por que razão só eu não estou a empochar à conta desta bandalheira?! Vou mas é já comprar tinta azul para cabelo e para o ano contam comigo na manif LGBTQIA2+ a segurar aquele cartaz do “Que se f&%# a lei!”