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Ex-assistente de Epstein vai depor no Congresso norte-americano à porta fechada

Groff nunca foi formalmente acusada e nega ter conhecimento dos crimes. Aparece mais de 160 mil vezes nos ficheiros Epstein e as suas funções incluíam a marcação de massagens para o milionário.

Ricardo Reis
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Lesley Groff, antiga assistente de Epstein, vai depor esta terça-feira na Comissão de Fiscalização e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos. A audição será realizada à porta fechada.

Groff foi assistente executiva de Epstein entre 2001 e 2019, quando se demitiu, após ter tomado conhecimento dos crimes do milionário. Era considerada pelo próprio como “uma extensão” do seu cérebro, e tinha como funções marcar encontros com empresários, políticos e sessões de massagem, estas últimas que eram um dos métodos usados para a consumação dos crimes sexuais.

É um dos nomes mais citados nos ficheiros Epstein — mais de 160 mil vezes, de acordo com a televisão norte-americana PBS — mas negou sempre ter conhecimento dos crimes e nunca foi formalmente acusada pelo Departamento de Justiça. No entanto, consta como cúmplice dos crimes, num documento interno do FBI, de 2019, algo que, de acordo com o seu advogado Michael Bachner, a sua cliente “não tinha conhecimento”.

“Nem a Lesley nem o seu advogado foram alguma vez notificados pelas autoridades”, referiu Bachner este ano à NBC News, que afirmou que a ex-assistente acabou por depor voluntariamente ao FBI, razão pela qual acabou por não ser acusada.

Num memorando de 2019 sobre a investigação do Departamento norte-americano de Justiça, consta que a ex-assistente interagiu com as sobreviventes de Epstein, através da organização de viagens, marcação de encontros e pagamentos. Além disso, o seu nome foi citado em vários processos interpostos por sobreviventes, mas que acabaram arquivados, segundo o The Guardian.

Marina Lacerda, uma das sobreviventes do criminoso sexual, afirmou esta terça-feira à ABC News que “tudo o que tinha a ver com Jeffrey Epstein tinha de passar por Lesley Groff”. “Eu acho que ela sabe muito mais do que pensamos“, afirmou. Do mesmo modo, uma outra sobrevivente, sob anonimato, declarou ao FBI em 2020 que acreditava que Groff “sabia que as marcações de massagens eram [de teor] sexual”.

Num depoimento prestado ao FBI, em 2021, Lesley Groff assegurou que as massagens eram apresentadas pelo milionário e Ghislaine Maxwell “como se fosse algo normal” e que apenas contactava as pessoas requeridas por Epstein.

Recordou que Ghislaine Maxwell lhe disse que “não tinha permissão para confraternizar” com os amigos de Epstein ao telefone e que foi fortemente repreendida pelo milionário quando foi convidada para uma festa, no seu primeiro mês de trabalho.

“Groff foi à festa com o marido, que conhecia outras pessoas de Wall Street. Epstein descobriu e ‘arrasou-a’ na segunda-feira seguinte”, lê-se no depoimento. Acabaria por manter-se “totalmente afastada” do círculo íntimo do milionário até à sua demissão.

Após a prisão do criminoso sexual, em 2019, os advogados de Lesley Groff afirmaram que a ex-assistente sentia-se “traída e enojada” pelos crimes, razão pela qual pediu a demissão, segundo a ABC News. Aquando da primeira detenção do milionário, a ex-assistente terá sido enganada por Epstein, que lhe garantiu que as acusações eram “falsas” e que estava a ser alvo de “chantagem”, de acordo com o advogado de Groff, Michael Bachner, referido pelo The Guardian.