O Ministério Público (MP) acusou uma mulher de 123 crimes de abuso sexual de crianças, alegadamente cometidos numa freguesia do concelho de Vila Verde, distrito de Braga, em que as vítimas são um sobrinho e uma sobrinha.
O despacho de acusação do MP, a que a agência Lusa teve esta terça-feira acesso, refere que a arguida, atualmente com 26 anos, terá cometido 122 crimes de abuso sexual sobre o sobrinho e um sobre a sobrinha, entre 2015 e 2019, durante as férias de verão, nomeadamente em agosto e nos primeiros dias de setembro.
À data do início dos alegados factos, em 2015, a arguida tinha 16 anos e as crianças 3 (sobrinha) e 8 anos (sobrinho).
O MP conta que, no “âmbito da relação de parentesco, havia proximidade entre os agregados familiares, mostrando-se estabelecida uma relação de sólida confiança, sem restrições de convívio, existindo segurança na entrega e pernoita das vítimas” na casa dos pais da arguida, tia das crianças.
A acusação relata que, em vários momentos, quando estavam deitados, a arguida pegava nas mãos das crianças e colocava-as em partes íntimas do seu corpo.
A acusação sublinha que, “como consequência direta, adequada e necessária da conduta da arguida” o sobrinho “sofreu prejuízo ao nível afetivo emocional, manifestando sintomatologia de ansiedade, insegurança, vergonha, vulnerabilidade e fragilidade emocional, bem como pensamentos intrusivos relacionados com os factos”.
O MP acrescenta que o ofendido “apresenta grande instabilidade emocional e comportamental e vulnerabilidade emocional, constituindo o consumo de substâncias psicoativas e o envolvimento em comportamentos de risco mecanismos de ‘coping’ desadaptativos (estratégias ineficazes ou prejudiciais que se usam para lidar com o stress ou situações difíceis)”.
“Tais consequências demandam acompanhamento psiquiátrico e psicológico”, indica a acusação.
Quanto à sobrinha, o MP conta que a mesma “passou a sentir desconforto e nojo no contacto com a arguida, revelador de impacto emocional, com a existência de vulnerabilidade que demanda acompanhamento psicológico”.
“Os comportamentos da arguida, repetidos ao longo dos anos em relação à vítima [sobrinho] facilitados pela proximidade familiar das vítimas, são demonstrativos de uma personalidade da arguida altamente desvaliosa, malformada e indiferente à proteção, bem-estar e são desenvolvimento das crianças”, salienta a acusação.
Nesse sentido, o MP acredita que, “caso a arguida estabeleça relações de proximidade com outros menores (designadamente por motivo de profissão, emprego, funções ou atividades, públicas ou privadas, adoção, tutela, curatela, acolhimento familiar, apadrinhamento civil, entrega, guarda ou confiança de menores), e tenha oportunidade, irá praticar factos semelhantes aos narrados”.
A mulher está acusada de 123 crimes de abuso sexual de crianças agravados.